Viver em Voz Alta

A literatura de Nana Pauvolih

Escritora carioca encanta leitores com sua literatura erótica e presença em eventos literários
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Difícil lembrar onde li, pela primeira vez, a respeito da escritora Nana Pauvolih. Talvez tenha sido em alguma reportagem sobre o sucesso de sua presença em eventos literários. O fato é que, impressionado pela sua carreira e pelo seu sucesso junto aos leitores, decidi convidá-la a vir a Belo Horizonte, em 2022, para a Bienal Mineira do Livro, no BH Shopping, quando me contrataram para conversar com um escritor a cada dia. Foi um acerto. A entrevista que fiz com ela encontrou o auditório lotado. Muita gente veio até de outras cidades para ouvi-la e para colher autógrafos.

Nana é carioca. Por muito tempo, foi professora de História e de Filosofia na rede pública de ensino no Rio de Janeiro. Mas sempre gostou de escrever. Sobretudo a chamada literatura erótica (ainda tão vítima de preconceitos). Vencendo a timidez, publicou suas primeiras histórias, em capítulos, na internet. Foi ganhando audiência. Rapidamente, mobilizou a atenção de legiões de fãs. Não demorou muito para que importantes editoras a procurassem para lançar seus livros na versão impressa. Hoje, a bibliografia da autora registra mais de sete dezenas de títulos, entre coletâneas de contos, novelas e romances. Um deles agora acaba de ganhar adaptação para o cinema. Falo de “Pecadora”, que saiu originalmente pela Editora Planeta, em 2017, e conta a história de Isabel, uma moça evangélica de 22 anos, filha de um pastor e casada com um rapaz que conheceu na igreja. Criada sob o poder patriarcal e machista e numa família muito conservadora, a protagonista vai se libertando aos poucos dessa condição, até conseguir assumir sua vida e seu destino com autonomia, coragem e altivez.

Nana me convidou para a sessão de pré-estreia do filme, que aconteceu no começo da semana, no cinema do DiamondMall, em Belo Horizonte. Dirigido por Dainara Toffoli, com roteiro de Camila Raffanti, o longa traz excelentes nomes em seu elenco, encabeçado por Rayssa Bratillieri, José Loreto e Marcos Pasquim. A sala estava repleta. Depois da exibição, Nana participou de um debate com os presentes. Foi emocionante constatar o poder da literatura e do livro na vida das pessoas que se manifestaram. Uma delas me tocou particularmente. Era uma moça jovem, que contou o quanto sua vida parecia com a de Isabel, e o quanto a leitura a ajudou a livrar-se de um casamento opressor. “Pecadora” entra em cartaz em 26 de novembro, no circuito comercial. Vale assistir (e também ler o livro, claro). É um manifesto a favor da liberdade das mulheres, ainda mais necessário nos tempos atuais, em que o fascismo bate à nossa porta.

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Sobre o autor

Rogério Faria Tavares

Jornalista. Doutor em literatura. Presidente emérito da Academia Mineira de Letras.