Caminho a percorrer

Análise da política brasileira: maus hábitos e a corrida para a sucessão de Lula já estão em andamento
Caminho a percorrer
Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Os maus hábitos que tomaram conta da política brasileira prosseguem sem qualquer evidência de que possam ser vencidos pelo bom senso. Ainda vivendo a ressaca da votação em segundo turno, seus resultados e suas consequências, fica no ar a impressão de que os quatro anos do mandato presidencial a ser iniciado em janeiro de 2027 passaram sem que ninguém percebesse. Afinal, os planos para o novo governo não foram sequer apresentados, a equipe que acompanhará o presidente mais de perto ainda está sendo montada, mas já tem gente pensando – e trabalhando – de olho na sucessão do presidente Lula ao final do quarto mandato.

Absurdo, mas absolutamente verdadeiro a julgar pelos movimentos que vão sendo ensaiados em Brasília ou, mais ainda, por candidaturas que já se apresentam. Caso do governador de São Paulo, reeleito para um segundo mandato e cujas ambições são tão explícitas quanto bem conhecidas. Assim, e cumprindo à risca o ritual próprio dessas ocasiões, ele já cuidou de fazer saber que “estará à disposição” caso seja convocado para “servir ao País”. Do outro lado da banda política não é diferente, embora ainda sem a formalidade da apresentação de candidatos. E já com especulações sobre quem afinal poderia ocupar a cadeira presidencial, não faltando quem aponte o “general” Janones, que ganhou o primeiro plano da cena política ao liderar e garantir a virada do segundo turno, como fortíssimo candidato.

São projetos de poder, algo mais que mera repetição de maus hábitos, que guardam abissal distância de projetos de governo, de disposição mais verdadeira para propor e encontrar rumos para o País e seu povo. Maus hábitos que também ajudam na compreensão das razões para anomalias cristalizadas tanto na política quanto na administração pública do País. E deveriam fazer acreditar que é preciso mudar, e mudar muito, seja na busca de resultados, seja para devolver à política e aos políticos atributos que lhes são essenciais.

O governador Tarcísio de Freitas ocupa hoje cadeira que naturalmente coloca seu nome em primeiro plano, seja para liderar a oposição, seja para consolidar suas pretensões para o futuro. Já o presidente Lula chega ao quarto mandato, condição sem precedentes, livre do peso de pensar no futuro. Condição que favorece sua disposição de fazer do próximo mandato o melhor de todos, mas desde que esta perspectiva esteja de fato no centro de suas atenções.

Também para fazer lembrar aos brasileiros, especialmente aqueles que têm pretensões políticas, que apenas o reconhecimento legitima o sucesso verdadeiro.

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