A educação na complexidade
Quando eu era jovem, adorava o filme “Karatê Kid” – uma história leve, do bem contra o mal, fácil de entender, tomar partido e se divertir. Hoje os tempos são outros, mais complexos, que se refletem inclusive nas novas narrativas. A série Cobra Kai, uma continuação direta dos filmes do universo de Karatê Kid, foi adaptada para mostrar os mesmos personagens com mais nuances, atitudes ora boas ora controversas, indo além da visão puramente maniqueísta.
Entretanto, tenho percebido uma mudança no sentimento geral das pessoas nos últimos tempos. Todo mundo tem uma opinião muito concreta sobre assuntos variados, de eleição, guerras pelo mundo, vacinas ou economia, geralmente voltando para a visão simplista, sem espaço para contraditório. Por que esse fenômeno?
Tenho uma hipótese a partir do modelo Cynefin, desenvolvido por Dave Snowden no final da década de 90. O modelo classifica os contextos em quatro quadrantes: simples, em que as relações de causa e efeito são claras e soluções padronizadas funcionam; complicado, em que é necessário analisar o problema e recorrer a especialistas; complexo, em que as relações de causa e efeito só podem ser compreendidas posteriormente, exigindo experimentação, aprendizagem e adaptação; e caótico, em que não há tempo para análises aprofundadas e é preciso agir rapidamente para estabilizar a situação.
Desconfio que temos uma capacidade limitada para ficar nos quadrantes do complexo e do caótico, de forma que nossa tendência natural, depois de um tempo nesses ambientes, é tentar voltar para o simples. E nada melhor que um polo, seja ele qual for, para nos colocar em uma zona de segurança psicológica. O problema é que não conseguimos voltar ao passado, a não ser que alguém tenha um Delorean como no filme “De Volta para o Futuro”, outro grande blockbuster da minha infância. A complexidade veio para ficar e precisamos lidar com ela de uma forma mais eficaz.
Nesse contexto, uma formação acadêmica formal pode fazer toda a diferença. Uma graduação, por exemplo, estuda um determinado assunto por diversos ângulos, mostrando prós e contras e desenvolvendo o senso crítico dos alunos, além de competências técnicas e comportamentais. Na era da informação rápida e superficial, somente com profissionais preparados poderemos abordar a complexidade sem reduzir a análise a poucas variáveis e encaminhar soluções adequadas. Dá trabalho, mas provavelmente teremos melhores resultados.
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