Peso difícil de carregar

Com especulações em torno do nome do economista André Lara Resende, política monetária do próximo mandato do presidente Lula não pode ficar em segundo plano
Peso difícil de carregar
Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

Correm em Brasília rumores de que o economista André Lara Resende, um dos construtores do Plano Real, estaria novamente bem próximo do Palácio do Planalto, inclusive com possibilidade de agendamento de encontro com o presidente Lula nos próximos dias. Nada confirmado por enquanto ou com qualquer tipo de chancela oficial, mas num contexto que pode fazer sentido. Em 1990, Lara Resende ajudou a fazer o que parecia impossível, derrubando a hiperinflação e devolvendo estabilidade monetária ao País. Agora seria o portador da fórmula capaz de retirar as taxas de juros das alturas em que merecidamente foram nomeadas como “indecentes” para colocar a Selic a 7,5% em um ano, ao mesmo tempo em que os juros reais recuariam para faixa entre 3% e 5,5% ao ano.

Lembrando que em seu primeiro discurso depois da vitória no segundo turno o presidente Lula colocou o assunto entre suas grandes preocupações e garantiu que tomaria providências para corrigir as distorções anotadas, observadores apontam a incômoda realidade. O Brasil gasta hoje R$ 1,2 trilhão por ano com o serviço da dívida pública e poderá economizar R$ 400 bilhões/ano caso aceite o desafio proposto, assim abrindo espaços também para novos investimentos e estímulos efetivo ao reaquecimento da economia. Trata-se também do elementar exercício de apontar quem ganha com a situação e quem afinal está pagando a conta.

Por enquanto, e como foi dito acima, nada que tenha saído do plano das ideias ou que tenha de fato chegado aos mais importantes gabinetes de Brasília, alimentando assim discussões que de qualquer forma são absolutamente essenciais. Uma possibilidade concreta mesmo que trazendo previsível contrariedade para o “mercado”, que já cuidou de tentar desenterrar o fantasma do tabelamento dos juros, ao mesmo tempo que lembrou que as mudanças apontadas poderiam comprometer a autonomia do Banco Central. Em síntese, os argumentos de sempre mais uma vez enfadonhamente repetidos e sem qualquer avaliação consistente de perdas e ganhos, considerados os interesses em jogo.

Assim, e mesmo que não faltem especulações sobre a condução da política econômica no próximo mandato, é certo que o assunto não pode prosseguir em segundo plano. E sem que sejam considerados também os repetidos alertas de empresários e investidores que continuam apontando os juros como peso difícil de ser carregado e principal de comprometimento da qualidade dos negócios no País.

Precisamente o contexto em que um projeto capaz de fazer dos juros o mesmo que o Plano Real fez com a inflação soa como a injeção de ânimo que tanto estamos necessitados.

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