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De bermuda no trabalho: a evolução do dress code

Flexibilização das regras de vestimenta abre espaço para peças mais confortáveis no ambiente corporativo, mas exige atenção à cultura da empresa e à imagem profissional

As passarelas mostraram bermudas e saias nas últimas coleções mundo afora. Com a chegada do verão, as bermudas aparecem como alternativa tanto para climas quentes como frios. Mas dá para trabalhar de bermuda? Sim, é possível, tanto para homens como para mulheres.

Quanto às saias, tema que abordaremos em outra coluna, elas aparecem em diversos comprimentos. Mas já fica uma ressalva: a saia do momento para trabalhar é a mídi, com pouca roda, em modelos evasê.

Afinal, bermuda combina com trabalho? Para alguns, a peça é sinônimo de conforto e praticidade. Para outros, ainda representa informalidade excessiva, incompatível com a imagem de um profissional. Entre essas duas percepções, existe uma questão que merece atenção: os códigos de vestimenta estão mudando, mas será que estamos preparados para rever nossos conceitos sobre o que é adequado vestir no ambiente profissional?

Uma pesquisa da International Workplace Group (IWG), divulgada em 2025, ajuda a compreender esse cenário. Realizado com trabalhadores híbridos nos Estados Unidos, o levantamento identificou que 67% dos entrevistados perceberam maior flexibilidade nos códigos de vestimenta de suas empresas nos últimos anos. O dado mostra que as regras estão mudando, mas não significa que peças como as bermudas sejam aceitas em todos os ambientes profissionais.

No Brasil, essa discussão já apareceu em empresas de diferentes segmentos. Reportagens publicadas em 2015 e 2017 citaram organizações como TIM, L’Oréal, TOTVS e Itaú Unibanco por mudanças em suas políticas de vestimenta, permitindo o uso de bermudas em determinadas circunstâncias. As experiências consideravam fatores como conforto, cultura organizacional e características das atividades exercidas.

O dress code corporativo não precisa ser uma regra imutável. O ambiente, o contato com clientes e a representação institucional são fatores que precisam ser considerados. Uma empresa de comunicação ou tecnologia, com uma cultura mais informal, pode ter critérios diferentes dos adotados por um escritório de advocacia ou uma instituição financeira.

Que fique claro: o uso de bermudas é informal. Logo, em ambientes muito formais, elas devem ser dispensadas, assim como em órgãos públicos e em determinadas ocasiões oficiais.

Mas, para quem pode aderir à peça, alguns cuidados fazem diferença. No caso feminino, vale investir em modelagens de alfaiataria, cortes retos, tecidos mais nobres e cores neutras. O comprimento deve cobrir os joelhos ou ficar próximo deles. Camisas, coletes e blazers ajudam a compor um visual semiformal, enquanto bolsas estruturadas acrescentam formalidade. Nos pés, scarpins, mocassins, sapatilhas e sandálias mais fechadas na parte da frente são boas opções. O tênis pode funcionar em ambientes mais informais, desde que não tenha aparência esportiva.

Para os homens, a bermuda combina melhor com ambientes informais, pois ainda está muito associada ao lazer e ao esporte. Modelos de sarja ou algodão, com corte reto e tecido firme, são boas escolhas. Camisas de linho, polos piquet e camisetas lisas de algodão, de boa qualidade, podem compor o visual, assim como tênis e mocassins. Bermudas com muitos bolsos, detalhes laterais, recortes, lavagens marcadas ou estilo destroyed reforçam a informalidade e podem comprometer a imagem profissional.

Independentemente do gênero, é importante observar o conjunto. Uma composição não se torna profissional apenas porque cada peça, isoladamente, parece adequada. Chinelos, estampas muito chamativas ou tecidos esportivos podem não combinar com determinadas situações. Por outro lado, um visual simples, bem cuidado e coerente com a cultura da empresa pode transmitir profissionalismo sem recorrer à formalidade tradicional.

Há uma diferença importante entre liberdade para se vestir e ausência de critérios. Adequação não significa abrir mão do estilo próprio, mas compreender o contexto e fazer escolhas conscientes. Às empresas cabe, igualmente, rever suas orientações quando necessário. Regras excessivamente rígidas podem não acompanhar as transformações culturais e as necessidades dos profissionais.

No fim das contas, a bermuda é apenas uma peça de roupa. A discussão mais importante está na maneira como compreendemos a imagem profissional e seus códigos. Se, por um lado, a formalidade deixou de ser a única referência de credibilidade, por outro, a informalidade não elimina a necessidade de considerar o ambiente e as circunstâncias.

A pergunta, portanto, não deveria ser apenas se bermuda combina com trabalho, mas se os critérios que usamos para definir o que é adequado continuam fazendo sentido para a realidade profissional em que vivemos.

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Sobre o autor

Méri Grossi

Consultora de imagem pessoal e profissional desde 2005 formada pelo Senac-MG. É jornalista, assessora de comunicação e imprensa, pós-graduada em Marketing e em Moda. Redes sociais: Instagram: @meri.grossi e Linkedin: Meri Grossi

Sobre o autor

Olga Barra

Formou-se em consultoria de imagem corporativa e pessoal em 2011 no Brasil e em 2013 em Atlanta, EUA. É formada em comércio exterior, professora de inglês in company há mais de 30 anos. Redes sociais: Website: olgabarra.com Instagram: @olgabarra e Linkedin: Olga Barra