Bem longe do abismo

Ao contrário do previsto pelo ex-ministro Paulo Guedes, o Brasil não estava (e nem está) perto de se transformar em uma nova Venezuela
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Bem longe do abismo
Foto: Adriano Machado/Reuters

Um ministro que serviu ao governo anterior e em posição de bastante destaque deixou o cargo fazendo sombrias avaliações sobre o comportamento da economia. Para resumir, disse entender que o Brasil rapidamente se transformaria numa nova Venezuela, ganhando aplausos ao sabor exclusivamente de preferências políticas. É fato que a catástrofe não se confirmou, embora não falte quem continue acreditando que a economia brasileira prossiga à beira do abismo. Gente que enxergou nas oscilações nos mercados de valores e de câmbio no primeiro dia útil depois da votação no segundo turno indicativos de marcha em direção a novo ciclo recessivo.

Felizmente, e para o bem de quem continua apostando no futuro por conta do sucesso de seus negócios, observação objetiva e livre de contaminação política reconhece a existência de problemas a enfrentar e a vencer, mas não confirma a perspectiva de desastre. E efetivamente não há como perceber de outra forma o fato de que o ingresso líquido de investimento direto no País, valor que economistas identificam como IDP, somou U$ 75,7 bilhões no acumulado referente ao período janeiro a setembro deste ano, conforme dados do Banco Central.

O saldo contabiliza principalmente entrada e saída de capitais por conta de abertura de filiais de multinacionais, obras de infraestrutura, instalação de fábricas e compra de participação em empresas nacionais. E corresponde a incremento de 4,4% na comparação com igual período do no anterior, puxado pelo reinvestimento de lucros no País, conta que soma U$ 39,9 bilhões. Resumindo, o Brasil foi o quinto maior destino de investimentos diretos no ano passado, sendo também, e de longe, o maior da América Latina. Investimentos bem pensados, amadurecidos e refletidos, nada que tenha sido decidido da noite para o dia e confirma a vitalidade do mercado consumidor doméstico.

Para concluir e para tranquilizar agentes econômicos que possam confundir viés político com análise técnica e objetiva, os fatos felizmente não dão razão aos pessimistas, aos que continuam imobilizados pela crença de que o País esteja afundando. Não para quem considerar a informação do Banco Central de que o IDP anualizado deve chegar aos U$ 88,2 bilhões no corrente exercício, valores que devem ser repetidos pelo menos até 2029. Recursos que, segundo o Banco Central, confirmam a atratividade do País para a atividade econômica como um todo e assim, representam também o suficiente para dar tranquilidade a quem se sentir preocupado, além de calar os que ainda apostam no pior.

Sobre o autor

Diário do Comércio


Publicidade Legal

Impresso

Ver outras datas

Digital

Ver outras datas
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas

Acessos importantes

Especial
Aos 94 anos, Diário do Comércio revisita as campanhas que ajudaram a moldar Minas