O freio de arrumação

Após uma reação marcada pelo pessimismo, mercado realinha expectativas com o novo governo do presidente Lula
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O freio de arrumação
Foto: Fabian Bimmer/Reuters

O tal “mercado”, de reputação e objetivos minimamente duvidosos, estaria alinhado com os propósitos da candidatura derrotada no dia 25 do mês passado. Absolutamente, e conforme já foi dito neste espaço, tal conclusão não quer dizer necessariamente que seja este o pensamento do conjunto dos empresários, nem mesmo daqueles que atuam no campo financeiro. E da mesma forma que o agronegócio não deve ser entendido como um conjunto de empresários de extrema direita disfuncional, ficando tais arranjos muito mais por conta de conveniências políticas ou de tentativas de fazer com que tais grupos pareçam mais fortes e mais representativos do que realmente são.

São observações – e ponderações – que nos ocorrem a propósito do momento que o País está vivendo e das variadas pressões por mudanças.

Algumas ditadas pela conveniência ou resultado da mais simples observação da realidade, outras expressão de interesses muito particulares. Caso típico daqueles que acreditam que os juros continuem nas alturas em que se encontram, defendendo assim posição que não reflete os interesses da maioria. Muito especificamente dos empresários que investem, produzem, pagam impostos e criam empregos e que na grande maioria sequer saberiam localizar precisamente a tal “Faria Lima” em São Paulo.

Colocar as coisas nos seus devidos lugares deveria ser questão impositiva para tantos quantos verdadeiramente desejam que o País, sua economia mais especificamente, alargue e pavimente os caminhos que nos conduzirão a um futuro melhor como desejado. Gente que sabe que é preciso e urgente disciplinar os gastos públicos e dessa forma reconduzir o País ao equilíbrio fiscal tanto para que seja possível apostar no crescimento econômico mais consistente e mais rápido quanto para assegurar que as políticas sociais destinadas a melhorar as condições de vida da população mais pobre possam ser mantidas e ampliadas.

Gente como o reconhecido economista Eduardo Giannetti da Fonseca, de origem mineira, para quem o presidente Lula deveria repetir o modelo de seu primeiro mandato, quando o superávit primário alcançou 4% do PIB. Ou reconhecer que para fazer política social sustentável é preciso aceitar um pouco de sacrifício na entrada. Ou seja, um freio de arrumação que abriria espaços para políticas sociais generosas e de qualidade ao longo do mandato, sugere o economista.

Algo muitíssimo diferente do corte linear de até R$ 250 bilhões, promessa da candidatura derrotada e que caiu no gosto do “mercado” mesmo sabendo que tudo não passava de bravata de campanha.

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Diário do Comércio