Capitalismo Consciente

A naturalidade de hoje é o absurdo de amanhã

Reflexões sobre a última edição do HackTown, com destaque para o debate sobre os rumos da inteligência artificial
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Por alguns dias, Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, deixou de ser apenas uma cidade e se transformou em uma espécie de laboratório de ideias. Foi mais uma edição do HackTown, considerado um dos principais festivais de inovação do Brasil. Estive presente e pude perceber alguns movimentos interessantes.

Inteligência artificial dividiu espaço com comportamento, liderança, ancestralidade, sustentabilidade, saúde, educação e novos negócios. Temas que podem parecer desconectados, mas que se encontram quando nos permitimos olhar além do óbvio. Foi justamente essa mistura que me deixou uma provocação: a naturalidade de hoje é o absurdo de amanhã.

A frase não nasceu no HackTown. É uma reflexão que surgiu depois de circular por um festival que nos convida a discutir movimentos antes que se transformem em tendências. Quando falamos sobre futuro, é comum imaginarmos algo distante. Mas será que uma das maiores dificuldades das empresas não está em perceber que algumas mudanças que transformarão seus negócios já começaram?

Toda mudança relevante provoca alguma estranheza no início. Com o tempo, algumas desaparecem, enquanto outras passam a fazer parte do cotidiano. Quando finalmente reconhecemos uma transformação como natural, outras pessoas e empresas podem ter percebido sua importância muito antes.

A inteligência artificial é um bom exemplo. Durante algum tempo, discutimos se ela seria capaz de transformar os negócios. Hoje, a questão é como incorporá-la efetivamente aos processos, aos dados, à governança e, principalmente, à cultura.
Afinal, qual é o ganho real de incorporar uma nova tecnologia se continuamos trabalhando e tomando decisões da mesma maneira? Para que a tecnologia gere transformação, as pessoas precisam compreender suas possibilidades e estar dispostas a rever comportamentos e crenças.

Outro aspecto do HackTown que me chamou a atenção foi como diferentes discussões acabaram convergindo para questões que vão além da inovação. Quanto mais sofisticadas se tornam nossas ferramentas, maior é a necessidade de entendermos o que pretendemos fazer com elas. Para quem estamos fazendo? Que futuro nossas escolhas estão ajudando a construir?

Nesse sentido, acredito que o capitalismo consciente também passa pela capacidade de perceber movimentos pouco evidentes: observar comportamentos antes que ganhem escala, questionar práticas que começam a perder sentido, escutar as pessoas enquanto ainda estão dispostas a falar e experimentar quando a mudança ainda é uma escolha.

Naturalmente, ninguém precisa acertar todas as previsões. O desafio é construir empresas capazes de observar o que acontece à sua volta e questionar suas próprias certezas.

Por isso, entre tantas provocações que trouxe comigo do HackTown, uma pergunta permaneceu: o que está acontecendo agora, diante dos nossos olhos, que ainda estamos tratando como absurdo?

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Laura Torres
Sobre o autor

Laura Torres

É head de estratégia e conexões na Gestores de Sonhos, estrategista de conexões e networking lover. Relações públicas e pós-graduada em comunicação e marketing. Atua conectando pessoas, ideias e negócios para criar pontes, possibilidades e relações com mais propósito. Instagram: @lauratorresbh | LinkedIn: gestoresdesonhoslaura

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