Um passo insuficiente

Corte da Selic para 14% ao ano ainda é pouco para aliviar os efeitos dos juros elevados sobre empresas e famílias
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Um passo insuficiente
Foto: Reprodução Adobe Stock

A redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, passando para 14% ao ano, representa uma sinalização positiva do Banco Central. O movimento é bem-vindo porque reconhece, ainda que de forma tímida, os efeitos de um ciclo prolongado de juros elevados sobre a economia brasileira. Mas o corte está longe de ser suficiente para responder aos desafios enfrentados pelo setor produtivo e pelas famílias.

Há cerca de quatro anos, o Brasil convive com uma política monetária restritiva por conta da inflação galopante registradas no início dos anos 2020. Nesse período, empresários adiaram investimentos, consumidores reduziram compras financiadas e o crédito tornou-se mais caro e seletivo. O resultado está estampado nos indicadores econômicos: crescimento abaixo do potencial, menor dinamismo dos negócios e níveis recordes de inadimplência, que comprometem tanto a saúde financeira das famílias quanto a capacidade de expansão das empresas.

Em Minas Gerais, a reação das entidades empresariais ao novo corte traduz bem esse sentimento. O reconhecimento da decisão vem acompanhado da percepção de que ela ainda não produz efeitos concretos para destravar a atividade econômica. Com uma Selic ainda em patamar elevado, o custo do crédito permanece como um dos principais obstáculos ao consumo, ao investimento e à geração de empregos.

É evidente que a condução da política monetária exige responsabilidade e atenção às expectativas de inflação. Da mesma forma, o equilíbrio fiscal continua sendo condição indispensável para que o Brasil conquiste uma trajetória sustentável de queda dos juros. No entanto, também é verdade que prolongar excessivamente uma política restritiva cobra um preço elevado da economia real.
É preciso um ambiente mais favorável para investir. As famílias, por sua vez, necessitam de crédito menos oneroso para reorganizar o orçamento e recuperar sua capacidade de consumo, uma vez que nem mesmo ação do governo, como o programa Desenrola, foi capaz de reduzir de forma significativa a inadimplência.

O corte anunciado pode ser visto como mais um passo rumo a uma política monetária mais condizente com as necessidades do setor produtivo brasileiro, mas a realidade ainda é dura, uma vez que convivemos com uma das maiores taxas de juros do planeta.

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