Vinho da Casa

Dia dos Pais é dia de comida afetiva e vinho sem frescura

Selecionei alguns rótulos fáceis de encontrar. A ideia é simples: vinho pode entrar no carrinho e na rotina como qualquer compra do supermercado
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Dia dos Pais combina com comida afetiva. É dia de descomplicar o vinho e colocá-lo na mesa. Sem frescura e bem democrático. É para levar no mesmo carrinho das compras do almoço.

Selecionei alguns rótulos fáceis de encontrar e com preços acessíveis (abaixo de R$ 100). E sabe por quê? Ando batendo na tecla de que podemos ter com o vinho a mesma relação de consumo que temos com tantos outros produtos do supermercado.

Agora é só escolher o que vai no prato.

Lasanha pede vinho italiano. E Chianti é uma escolha clássica: a boa acidez equilibra o molho de tomate, enquanto os taninos acompanham bem a carne. O Piccini D.O.C.G. Chianti tem esse equilíbrio. De corpo médio, com sabores de frutas vermelhas maduras, especiarias suaves e delicadas notas terrosas. O final deixa uma agradável sensação de frescor que o peso da lasanha pede.

Opção com um toque de dulçor, o Caleo Primitivo Puglia, é tinto de corpo médio. Aromas de frutas vermelhas, notas florais e geleia de frutas negras. Também faz bonito com pizzas.

Garrafas de vinho
Foto: Divulgação

Para a carne assada, vale apostar em um Cabernet Sauvignon. A boa estrutura da uva acompanha a intensidade da carne e combina especialmente com preparos assados. Uma boa escolha é o Santa Julia Cabernet Sauvignon. Tem breve passagem por carvalho, taninos sedosos e acidez refrescante, que envolvem suas frutas vermelhas e negras maduras, seguidas de notas florais, de ervas e de especiarias, conferindo equilíbrio e fluidez ao vinho.

E para a costelinha suína? Vamos de Portugal. As uvas tradicionais do país geram tintos estruturados que compensam a gordura da carne.

Um dos rótulos portugueses mais conhecidos é o tradicional Periquita, da Península de Setúbal. Feito com as uvas Castelão, Trincadeira e Aragonês, amadurece por seis meses em barricas de carvalho. Apresenta aromas de amoras, mirtilo, eucalipto, pimenta-preta, café e baunilha.

Os tintos do Alentejo também costumam ser esse companheiro do almoço descontraído. O Pé Tinto, porta de entrada da Herdade do Esporão, é um vinho para comprar e beber no mesmo dia. Na taça, é jovem, leve e frutado, sem passagem por barricas.

Para o tradicional frango assado, aposto em castas mais suaves, como a Pinot Noir, uva de clima frio que se adaptou bem ao Valle de Casablanca, no Chile. Há boas opções vindas de lá, como o Ventisquero Reserva Pinot Noir. Aromas de frutas vermelhas frescas e delicadas notas de baunilha, resultado da maturação em carvalho francês.

O Tarapacá Reserva Pinot Noir também é fácil de encontrar e tem a estrutura adequada para uma carne branca feita no forno, como o frango.

Já para grelhados como picanha, fraldinha ou maminha, o Syrah costuma ser um bom par. A fruta madura e o leve toque apimentado da uva realçam o sabor da carne. Gosto muito dos Syrahs da Miolo produzidos no Vale do São Francisco. No clima tropical semiárido, os vinhos unem fruta intensa, frescor e boa estrutura. Entre os destaques estão o Miolo Reserva Syrah, o Miolo Single Vineyard Syrah e o premiado Miolo Testardi Syrah.

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Sobre o autor

Marcelle Justo

Jornalista especialista em vinhos. Tem a certificação inglesa Wine & Spirit Education Trust (WSet 2); fez a formação profissional da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-Rio) e cursou Introdução à Enologia no Senac-Rio.

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