O custo invisível da falta de respeito no trabalho
Quantas vezes um profissional desrespeita o outro no cotidiano do trabalho? São tantas que ninguém contabiliza. Pior: muitas passam despercebidas, como se fossem normais. O desrespeito está em comportamentos como interromper colegas, responder com ironia, ignorar opiniões, demonstrar falta de simpatia e empatia, expor alguém ao ridículo, fazer piadinhas aparentemente inocentes ou enviar mensagens de texto mal construídas e agressivas. Será que perdemos a capacidade de conviver com respeito no ambiente de trabalho? E como isso impacta a imagem de um profissional ou de um líder?
Já está estabelecido que a imagem e a reputação de um profissional passam pelas suas atitudes em relação aos colegas. A cortesia deixou de ser apenas uma questão de educação e passou a ser uma competência estratégica. Líderes e profissionais tecnicamente brilhantes podem comprometer sua credibilidade por pequenos comportamentos de desrespeito que, repetidos diariamente, corroem a confiança da equipe.
Preocupada com esse cenário, a Society for Human Resource Management (SHRM), uma das maiores entidades de gestão de pessoas dos Estados Unidos, passou a medir, em 2024, o grau de civilidade nas empresas. Recentemente, a pesquisa mostrou que a incivilidade no ambiente de trabalho não apenas continua elevada em 2026, como atingiu o maior nível desde o início da série histórica.
A SHRM informa que esse é o pior patamar alcançado para o que chama de ‘Incivilidade Frequente’, com 51 pontos para o índice geral da sociedade e 49 pontos para o ambiente de trabalho. A entidade estima que ocorram aproximadamente 202 milhões de episódios de incivilidade por dia nos ambientes de trabalho dos americanos. Cada episódio faz com que o profissional leve cerca de 30 minutos para recuperar totalmente o foco, gerando perdas superiores a US$2 bilhões por dia em produtividade e absenteísmo. Ou seja, o comportamento das equipes também traz prejuízos financeiros às empresas.
No Brasil, país mais descontraído e informal, o que vem sendo medido é o assédio e o preconceito, temas que têm gerado preocupação e atenção do Ministério Público do Trabalho. A empresa de auditoria e consultoria CLA Brasil realizou, em 2025, uma pesquisa sobre o assédio no ambiente corporativo e apontou que 50% dos profissionais brasileiros afirmam já ter sofrido ou presenciado algum tipo de assédio no trabalho. Em 85% dos casos, o agressor ocupava cargo de liderança e, em 63%, as vítimas eram mulheres.
Os dados sobre preconceito são ainda mais alarmantes. Segundo o Instituto Locomotiva, cerca de 55,6 milhões de brasileiros já sofreram assédio, preconceito ou discriminação no trabalho. Isso representa cerca de quatro em cada dez trabalhadores. Outro dado preocupante é que 70% dessas situações não chegam ao RH.
A pesquisa norte-americana e os levantamentos brasileiros, embora abordem aspectos diferentes, revelam uma deterioração das relações no ambiente corporativo e mostram até onde esse comportamento pode chegar. Juntas, essas análises apontam que a falta de respeito no cotidiano não é um simples detalhe de comportamento, mas um fator que compromete a cultura organizacional, afeta a produtividade e enfraquece a reputação das lideranças.
Afinal, a imagem profissional não é construída apenas pelo conhecimento técnico ou pelos resultados entregues. Ela também é formada pela maneira como tratamos as pessoas. Em um ambiente cada vez mais competitivo, respeito e civilidade deixaram de ser apenas boas maneiras. Tornaram-se diferenciais profissionais.
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