Minas quer respostas
A série Diário do Comércio Eleições Minas 2026 tem cumprido seu papel: trazer ao leitor empresarial as propostas dos pré-candidatos ao governo de Minas avaliadas pelo que mais importa a este jornal, o impacto sobre a economia, o ambiente de negócios e o desenvolvimento do Estado. A entrevista com Ben Mendes, pré-candidato pelo Partido Missão, com apoio do Movimento Brasil Livre, oferece material para reflexão.
Há acertos no diagnóstico. Mendes identifica corretamente os principais gargalos que sufocam a competitividade mineira: a dependência do modal rodoviário, a lentidão na concessão de licenças, a burocracia que desestimula investimentos e a dívida com a União, cujos juros tornaram o passivo financeiramente insustentável. A proposta de criar polos industriais regionais com renúncias fiscais estratégicas é conceitualmente sólida, desde que acompanhada de critérios objetivos e transparência. O pré-candidato reconhece esse risco. O reconhecimento, porém, é necessário, mas insuficiente: Minas já conviveu com promessas semelhantes que se perderam na opacidade da máquina pública.
Na agenda dos minerais críticos, o diagnóstico é preciso: Minas exporta lítio, nióbio, grafite e terras-raras como commodities, com baixíssimo valor agregado. O Estado que detém a segunda maior reserva mundial de minerais críticos não pode continuar sendo exportador de matéria-prima bruta, enquanto o mundo constrói cadeias industriais inteiras sobre esses insumos. O problema é que a proposta está condicionada a uma articulação de dois governos do mesmo partido, o que a torna eleitoral antes de ser econômica.
O ponto que mais exige atenção do leitor é a proposta de segurança pública. Mendes defende que integrantes de facções devem ter “apenas duas alternativas”: prisão ou “aniquilamento”. A gravidade da expansão do crime organizado em Minas é real, insegurança afugenta investimentos, encarece operações e destrói cadeias produtivas. Mas o Estado Democrático de Direito não é obstáculo ao combate ao crime: é sua única sustentação legítima. Retórica de aniquilamento sem marcos legais precisos produz mais impunidade, não menos, e cria passivos jurídicos e reputacionais que também afastam investidores.
Minas merece o debate que este jornal se propõe a conduzir: sério, fundamentado e centrado no que move a economia do Estado. As propostas que avançam nessa direção merecem reconhecimento. As que substituem política pública por apelo emocional merecem questionamento. É esse o serviço que o Diário do Comércio presta ao leitor empresarial mineiro.
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