Dívida como prioridade
Em entrevista exclusiva ao Diário do Comércio, publicada em 02/07, o pré-candidato ao governo de Minas pelo PSB, Jarbas Soares Júnior, apresentou a renegociação da dívida com a União como a primeira prioridade de um eventual governo. Ex-procurador-geral de Justiça, com 36 anos de carreira no Ministério Público antes de migrar para a política, Jarbas Soares propõe bater às portas do Planalto, independentemente de quem for eleito presidente, para discutir a retirada dos juros do passivo estadual, mantendo apenas a correção monetária.
A crítica ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) parte da avaliação de que o acordo foi construído sob forte tensão política entre o governo Romeu Zema e o Palácio do Planalto. Para Jarbas Soares, a renegociação depende tanto da articulação institucional quanto dos aspectos técnicos.
Jarbas Soares também questiona a narrativa do “Estado eficiente”. Afirma que apenas 20% do acordo de Brumadinho foi executado e que o de Mariana ainda não produziu resultados concretos. Por isso, defende um diagnóstico da máquina pública nos primeiros 100 dias de governo antes de lançar novos projetos.
No campo das estatais, Jarbas Soares se posiciona contra a privatização tanto da Cemig quanto da Copasa, ainda que reconheça, no caso da Copasa, que o processo já foi concluído e que os contratos devem ser respeitados. A defesa de recursos dos acordos de Brumadinho e Mariana, somados à receita da venda da Copasa, como base para investimentos estruturantes, aparece como o principal instrumento fiscal do seu programa, na ausência de margem orçamentária própria do Estado.
Para o ambiente de negócios, Jarbas Soares propõe que o governo assuma a articulação para destravar grandes investimentos junto aos órgãos de controle e licenciamento. Segundo ele, a medida reduziria a morosidade que hoje afasta empreendimentos do Estado.
Na relação com os municípios, Jarbas Soares rejeita a criação de administrações regionais, defendendo a relação direta entre o governador e os 853 prefeitos, com repasse de recursos vinculados a demandas locais. Os exemplos de Santa Bárbara, Lavras e Machado, financiados com verbas do acordo de Brumadinho, sustentam essa tese municipalista.
O programa de Jarbas Soares Júnior aposta na experiência jurídica e na capacidade de negociação institucional como diferenciais. A dúvida é se essa estratégia, centrada na dívida do Estado e na gestão pública, será suficiente para convencer o eleitorado em uma disputa que promete ter o futuro fiscal de Minas como tema central.
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