Editorial

Em modo de espera

Com risco de novo tarifaço dos Estados Unidos, são necessárias medidas para reduzir os impactos imediatos e acelerar a diversificação das exportações
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Foto: Carlos Barria / Reuters

O governo dos Estados Unidos provavelmente deve confirmar nos próximos dias uma nova sobretaxa sobre os produtos brasileiros. As tarifas devem chegar aos 37% para alguns itens, prejudicando severamente setores produtivos no País, sobretudo em Minas Gerais.

Recentemente, o Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG) alertou que metade do parque produtivo em território mineiro será impactado pelo tarifaço imposto por Donald Trump. Minas abriga o maior polo de ferro-gusa do Brasil e a maior parte das exportações é feita para o mercado norte-americano. São milhares de empregos em risco.
Outro setor que alertou para os efeitos nefastos das tarifas é o de ferroligas. O Estado também abriga o maior parque produtivo de ligas metálicas no Brasil.

Somente estes dois setores são suficientes para criar um efeito cascata e abarcar toda a economia de Minas em uma espiral de perdas econômicas. Porém, a situação é ainda pior, pois diversos setores devem ser afetados com as barreiras comerciais impostas pelo governo Trump.

As negociações entre o governo brasileiro e dos Estados Unidos, ao que tudo indica, são incipientes. Trump sinaliza que está decidido a punir o Brasil, mesmo sem deixar claro quais seriam os reais motivos para essa nova reviravolta na relação entre os dois países.

É óbvio que o governo brasileiro precisa continuar a negociar e tentar reverter este quadro, porém é urgente que medidas sejam adotadas por todas as esferas do poder público para mitigar os impactos dessa nova rodada de tarifas norte-americanas.
Entre as iniciativas já adotadas está a abertura de linhas de crédito para as empresas afetadas. Mas isso não é suficiente, pensando que não há mais previsibilidade na parceria comercial com os Estados Unidos.

É preciso concentrar esforços para diversificar o comércio exterior. Não somente o governo federal, Estado e municípios precisam encontrar soluções para problemas de competitividade e garantir um ambiente que viabilizará essa busca por novos mercados.
A aceleração de acordos comerciais, o fortalecimento da promoção internacional dos produtos brasileiros e a redução dos entraves que encarecem a produção nacional devem fazer parte dessa estratégia. Empresas também precisarão investir na abertura de novos canais de exportação e reduzir a dependência de um único destino, por mais relevante que ele seja.
É tempo de transformar este cenário de crise em oportunidade!

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