A pauta industrial de exportação e o teste da produtividade
O Brasil fechou 2025 com exportações recordes de US$ 348,7 bilhões e superávit comercial de US$ 68,3 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic). A força brasileira no comércio exterior se concentra em bens de indústria de base: em 2024, os dez maiores produtos, liderados por óleos brutos de petróleo, minério de ferro e óleo diesel, concentraram 20,9% da receita industrial de R$ 5,3 trilhões, conforme a Pesquisa Industrial Anual Produto do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A indústria extrativa bateu recordes com 416 milhões de toneladas de minério de ferro e 98 milhões de toneladas de petróleo. A indústria de transformação exportou US$ 189 bilhões, impulsionada por carne, alumina, veículos de carga e máquinas. A China segue como principal destino, com US$ 100 bilhões.
São Paulo lidera a pauta, seguido por Rio de Janeiro, sustentado pelo petróleo das bacias offshore, e Minas Gerais, onde minério de ferro e café respondem por cerca de metade dos embarques. Pará, também com minério de ferro, além de cobre e alumina, e os estados do agronegócio completam o grupo. Cinco estados concentram perto de 60% do que o País vende ao exterior, o que reforça a dependência de poucos produtos e localidades.
Essa concentração traz riscos. Preços de commodities oscilam e choques externos amplificam o impacto: as novas tarifas nos Estados Unidos (EUA) causaram recuo de 6,6% nas vendas. Mineração e petróleo precisam repor reservas e escoar volumes sem perder eficiência. Siderurgia enfrenta concorrência asiática. Celulose e química convivem com ciclos de preço adversos e restrições ambientais crescentes, incluindo rastreabilidade e carbono no acordo Mercosul-União Europeia (EU).
O elo comum é a produtividade. O custo logístico brasileiro alcançou 15,5% do PIB em 2025, quase o dobro do patamar dos EUA, segundo o ILOS. Em uma década, o País passou a transportar 25% mais carga com a mesma infraestrutura, erodindo margens. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta o custo do transporte internacional como maior entrave para 58,2% dos exportadores.
O Brasil tem ativos de classe mundial, como depósitos de minério, bacias do pré-sal, potencial agrícola. Mas potencial não se converte sozinho em resultado. O que o transforma em receita é a eficiência com que cada tonelada, barril ou arroba é produzida, processada e entregue ao porto no prazo. Investir em ferrovias, portos e digitalização da cadeia, com disciplina de gestão e execução rigorosa de capex, é o que permitirá aproveitar o potencial brasileiro. A vantagem dos recursos naturais abre a porta. A produtividade é o que sustenta a posição.
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