O tempo e suas metáforas
Quando pensamos no tempo, usualmente imaginamos algo “na nossa frente”, e nas descrições gráficas usamos uma “seta” indo da direita para a esquerda no eixo horizontal. Entretanto, o tempo não tem forma e nem é visível diretamente. Estas são representações metafóricas dele, porém tão fortes culturalmente que nem percebemos que são abstrações
A lógica de que o futuro está “na frente” é interessante, pois indica que “estamos indo para o futuro”, e que de alguma forma então podemos “controlar” este movimento para o futuro.
Na física, entretanto, o tempo aparece apenas como uma variável nas equações e nos gráficos, mas existe um detalhe importante: não é possível andar “pra trás” em direção ao passado e não é possível aumentar ou diminuir a taxa de mudança do tempo, exceto em condições relativísticas.
Chama-se isso de “seta do tempo” ou “flecha do tempo”, e está ancorada na segunda lei da termodinâmica que indica que a desordem do universo não pode ser reduzida.
É, portanto, natural que nos gráficos o tempo seja descrito como uma “seta”, em geral no eixo horizontal, e indo da esquerda para a direita. Nesta metáfora, nos “deslocamos” no eixo temporal, “indo para ao futuro”.
Porém, o fato do tempo ser visto “apenas” como uma variável deu a muitos pensadores a conjectura de que seria possível alterá-la como as outras variáveis e talvez “viajar no tempo”, algo que, embora impossível, desperta muitas boas histórias.
Existe uma terceira metáfora temporal muito forte que nos esquecemos com frequência, que é a do tempo como um ciclo, ou série de ciclos. A origem desta metáfora está nos ciclos do dia, da lua e do ano. Como é algo que deriva dos movimentos dos astros, ele fascinou a humanidade conferindo aos ciclos algo “divino”, que vinha “dos céus” e era imutável.
Tal metáfora está presente nos calendários, relógios, tabelas de maré e cronogramas. Dele deriva a lógica dos ciclos da vida tanto para indivíduos, quanto para organizações. Dele deriva a lógica de que tudo passa e tudo se renova, num eterno ciclo.
Nessa metáfora, o futuro não está na nossa frente, mas sim faz parte de um ciclo que se repete ritmadamente. Existe um “Ritmo do Cosmos”.
A quarta metáfora é o do tempo se movendo para trás e deriva do povo Aymara (ou Aimarás), que fica nos Andes (Bolívia, Peru e Chile). O raciocínio é que se não podemos ver o futuro, ele tem de estar atrás de nós, longe dos olhos. Podemos “ver” ou lembrar do passado, mas não podemos fazer isto com o futuro. Nessa metáfora, estamos “andando de costas” para o futuro. O passado recente ainda está na nossa visão periférica e não forma uma imagem coerente, mas quanto mais no passado, mais clara é a composição da imagem, pois “ganhamos perspectiva” sobre o passado.
Ouça a rádio de Minas