O desafio da reindustrialização
A indústria brasileira atravessa um longo período de baixo dinamismo. Os diversos diagnósticos já realizados destacam a estagnação da produtividade, a compressão das margens de lucro e a insuficiência de investimentos como principais fatores para a decadência.
Há amplo consenso de que produtividade é a variável chave para o crescimento sustentado. Países que conseguiram elevar renda e sofisticação produtiva combinaram ganhos de eficiência, inovação tecnológica e acumulação de capital humano. Nesse sentido, o Brasil enfrenta desafios evidentes. O baixo desempenho educacional, a deficiência de infraestrutura e a limitada capacidade de difusão tecnológica reduzem a competitividade da economia como um todo.
Existem estudos que atribuem a estagnação industrial principalmente ao crescimento dos salários ou ao tamanho do Estado. Não deixam de estar certos, mas creio que seja uma interpretação incompleta.
A experiência internacional mostra que economias industrialmente bem-sucedidas, como Alemanha, Coreia do Sul e países nórdicos, convivem com salários elevados e, em muitos casos, com setores públicos robustos. O diferencial está na capacidade de transformar esses custos em produtividade, inovação e valor agregado.
A história recente da indústria mundial sugere que a competitividade depende cada vez menos de mão de obra barata e cada vez mais de tecnologia, qualificação e integração em cadeias globais de produção. Nesse contexto, a baixa complexidade produtiva brasileira, a reduzida intensidade tecnológica de parte da indústria e a limitada inserção internacional constituem obstáculos tão relevantes quanto os custos trabalhistas.
Também merece cautela a ideia de que a simples redução do gasto público levaria automaticamente a uma recuperação industrial. A qualidade do gasto importa mais do que seu volume. Investimentos públicos em infraestrutura, educação, pesquisa e inovação frequentemente exercem efeitos positivos sobre a produtividade privada. O problema brasileiro parece estar menos na existência do Estado e mais na composição de suas despesas e na baixa capacidade de planejamento de longo prazo.
Outro ponto relevante é a necessidade de maior abertura econômica. O histórico brasileiro de proteção excessiva produziu ganhos limitados de produtividade e reduziu os incentivos à inovação. A abertura tende a gerar melhores resultados quando acompanhada por políticas de qualificação profissional, financiamento à inovação, melhoria regulatória e ampliação da infraestrutura logística.
A reindustrialização brasileira dependerá da construção de um ambiente capaz de elevar produtividade, estimular investimentos, fortalecer a inovação e ampliar a inserção internacional do país. Em última instância, o desafio não é proteger a indústria existente, mas criar as condições para que uma indústria mais moderna, tecnológica e competitiva possa emergir.
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