Editorial

Sob a ameaça Trump

País volta a ficar em alerta com a ameaça de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros
Sob a ameaça Trump
Foto: Jonathan Ernst / Reuters

Os Estados Unidos estão propondo impor uma nova tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros. Donald Trump, após sinalizar uma melhora nas relações com o Brasil voltou a apontar suas “armas” contra o País e, ao que tudo indica, vai lançar mão de todo o tipo de pressão sobre nossa economia, criando incertezas para setores produtivos que dependem do mercado norte-americano. O episódio exige atenção, firmeza diplomática e, sobretudo, resiliência nacional.

Os Estados Unidos continuam sendo um dos principais destinos das exportações brasileiras. Qualquer aumento tarifário, mesmo com a lista extensa de produtos que ficarão de fora, reduz a competitividade de nossos produtos, encarece negócios e ameaça investimentos e empregos. Os impactos podem ser sentidos em diversas cadeias produtivas, especialmente aquelas ligadas à indústria de transformação e ao agronegócio, setores que possuem forte participação na pauta exportadora brasileira.

Em Minas Gerais, a preocupação é ainda maior. O Estado possui uma economia fortemente integrada ao comércio internacional, com destaque para mineração, siderurgia, café, produtos manufaturados e bens industriais. Uma barreira adicional no mercado norte-americano pode significar redução de receitas, perda de espaço para concorrentes internacionais e desaceleração de investimentos em regiões que dependem diretamente das exportações. Não se trata apenas de números na balança comercial, mas de empregos, renda e oportunidades para milhares de mineiros.

Chama atenção, ainda, o fato de que parte das críticas norte-americanas esteja direcionada ao Pix. O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos tornou-se referência mundial por sua eficiência, baixo custo e capacidade de inclusão financeira. Ao apontá-lo como um fator de concorrência desfavorável para empresas americanas do setor de pagamentos, o governo dos EUA deixa transparecer um incômodo com uma inovação brasileira que reduziu custos para consumidores e empresas e democratizou o acesso aos meios eletrônicos de transação.

Defender o Pix é defender a capacidade nacional de inovar e construir soluções adequadas à sua realidade econômica.
Nesse contexto, é fundamental que o País responda com serenidade, mas sem submissão. Divergências comerciais fazem parte das relações internacionais, porém não podem servir como instrumento de pressão contra decisões soberanas ou contra políticas públicas legítimas.

Mais preocupante é observar que existem brasileiros que apoiam iniciativas estrangeiras que prejudicam diretamente a economia nacional. Em qualquer democracia, a divergência política é saudável. O que não parece razoável é celebrar medidas que ameaçam empregos, investimentos e a competitividade do próprio Brasil.

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