Vinho da Casa

Referência sul-americana, Cabernet Sauvignon do Vale do Maipo é aposta certeira

Com novo ícone dessa casta, Tarapacá escolhe Brasil para lançamento mundial do rótulo

Há algumas certezas no mundo do vinho. Uma delas está escrita nos rótulos chilenos de Cabernet Sauvignon. Quer uma dica segura de compra? Aposte nos tintos do Vale do Maipo. Maior exportador de vinhos da América do Sul, o Chile transformou a Cabernet em um cartão de visitas.

Entre idas e vindas das tendências, o Cabernet chileno do Maipo segue firme como uma referência. Durante décadas, os vinhos da região ficaram conhecidos por um perfil mais suave e delicado. No fim dos anos 1990, porém, o mercado passou a valorizar tintos mais encorpados, maduros, com maior extração e presença intensa de madeira nova. Era o auge dos vinhos concentrados. Agora, aos poucos, essa lógica começa a mudar novamente e o excesso perde espaço.

O grande mérito dessa casta no Chile talvez esteja justamente na sua consistência. Além de originar alguns dos melhores tintos do país, a variedade entrega qualidade em diferentes faixas de preço. Mesmo nos rótulos mais acessíveis, é comum encontrar vinhos equilibrados e fáceis de beber.

Apesar desse reconhecimento, o cenário da vitivinicultura chilena passa por um momento desafiador. Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o país registrou queda na produção em 2025, reflexo da escassez hídrica e da maior variabilidade climática. A demanda internacional mais lenta também ajudou a criar um ambiente de produção mais cauteloso.

Ainda assim, o Chile segue como o quarto maior exportador de vinho do mundo. Nesse cenário, o Brasil tornou-se o principal mercado em valor para seus vinhos, movimentando cerca de 183 milhões de euros, segundo a OIV.

Tarapacá
Foto: Divulgação

O momento brasileiro também ajuda a explicar essa aproximação. Enquanto a Argentina viu o consumo de vinho cair, o Brasil caminha na direção oposta e deve atingir em 2025 o maior volume de consumo da história.

Talvez por isso a Viña Tarapacá, uma das vinícolas mais tradicionais do Chile, com mais de 150 anos de história no Vale do Maipo, tenha escolhido justamente o Brasil para o lançamento mundial de seu novo ícone, o Etiqueta Dorada.

A relação entre Tarapacá e Brasil vem sendo construída há décadas em parceria com a importadora Épice, que distribui a marca há mais de 36 anos. Segundo Sebastián Ruiz, enólogo-chefe da vinícola, o novo Cabernet Sauvignon 2023 sintetiza a essência do terroir da propriedade. “Na boca, revela-se com elegância e sutileza, sustentado por taninos finos, elegantes e firmes, com acidez refrescante e grande potencial de guarda”, explica.

De cor vermelho-rubi profundo, o Etiqueta Dorada entrega aquilo que tornou a Cabernet chilena uma referência global: frutas vermelhas e negras maduras, especiarias, notas de chocolate amargo, madeira integrada e equilíbrio entre potência e frescor.

Além do lançamento da Tarapacá, o Guia Descorchados 2026 destacou outros produtores que merecem atenção. Entre eles, exemplares assinados por vinícolas como Montgras, Cousiño Macul, Viña LOF, Santa Ema, Casa Fèvre, Pérez Cruz e Tres Palacios.

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