Competição e colaboração
Em um mundo no qual o acesso à informação é mais amplo e as perguntas mudam a todo instante, está cada vez mais difícil estabelecer competências diferenciadoras e sustentáveis. Al Ries, pai do posicionamento de marketing, dizia que precisamos nos posicionar em um lugar não ocupado para nos diferenciar. No mundo corporativo atual, as opções estão cada vez mais limitadas, a exemplo do mercado de telecom: no início da era do celular havia a operadora com maior cobertura, a que tinha melhores planos, com a internet mais rápida. Qual a diferenciação entre elas hoje em dia?
Dado esse contexto, arrisco dizer que nenhuma empresa ou indivíduo terá todas as competências necessárias para competir de forma isolada, sendo imperativo a colaboração para maximizar as chances de sucesso. Entretanto, a colaboração não é um aspecto intrínseco da nossa cultura, é uma competência que precisa ser desenvolvida e incentivada.
Aparentemente, a prestigiada universidade de Harvard nos EUA não concorda comigo. Recentemente, a instituição impôs um limite de 20% para notas “A” em todas as disciplinas de graduação a partir do segundo semestre de 2027, dando como justificativa o fato de que o excesso de notas “A” prejudicaria a cultura acadêmica da faculdade. Uma Iniciativa desse tipo já havia sido adotada em Princeton, também nos Estados Unidos, mas a prática foi abandonada após pesquisas com estudantes revelarem aumento da ansiedade e um crescente senso de competitividade.
A competição até certo ponto é saudável, mas iniciativas como essa de Harvard forçam os alunos a se tornarem profissionais mais individualistas, que eventualmente não darão conta sozinhos da complexidade dos negócios. Entendo que o papel das universidades é preparar novos líderes não só com conhecimento técnico, mas também com ferramentas que permitam buscar as soluções onde elas estiverem, mesmo que sejam fora da empresa ou extrapolem os conhecimentos de um único indivíduo. Em um mundo cada vez mais complexo e incerto, tenho mais dúvidas do que certezas, mas uma convicção crescente de que ninguém faz nada sozinho.
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