Banco Mercantil planeja retirar subsidiária de crédito da bolsa e vende corretora
O Banco Mercantil planeja adquirir todas as ações ordinárias e preferenciais emitidas por sua subsidiária de crédito, a Mercantil Financeira, e cancelar seu registro de companhia aberta. Além disso, a empresa mineira também acaba de firmar a venda de sua corretora para a plataforma de ativos digitais Mercado Bitcoin.
O diretor de controladoria do Banco Mercantil, Gregório Franco, explica que, apesar de não haver relações entre essas movimentações, ambas refletem decisões estratégicas alinhadas à visão de negócio do banco mineiro. No caso da venda da corretora, ele destaca que a operação permite uma reorganização estrutural com foco em novos desafios.
Já o fechamento de capital da financeira, segundo Franco, garante uma estrutura societária mais simples e ainda mais eficiente, favorecendo o negócio da companhia. “A empresa segue operando normalmente, mas agora com controle total do Grupo Mercantil”, afirma.
O registro da oferta pública para aquisição de ações (OPA) da Mercantil Financeira foi aprovado, nessa quinta-feira (15), pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em fato relevante, a instituição financeira explica que o objetivo é o cancelamento do registro de companhia como emissora de valores mobiliários da categoria “A” na autarquia e, consequentemente, a sua saída do segmento básico de listagem da B3.
Ela ainda afirma que irá encaminhar à sua controlada o edital e os demais documentos relacionados à OPA dentro do prazo previsto na legislação vigente. “Tais documentos ficarão disponíveis na sede e na página eletrônica de relações com investidores da Mercantil Financeira, bem como nas páginas eletrônicas da B3, da CVM e da instituição intermediária, o Banco Mercantil de Investimentos”, garante.
A oferta pública foi aprovada pelo Conselho de Administração do banco mineiro em setembro do ano passado, após avaliação de que os benefícios da manutenção da subsidiária como companhia aberta deixaram de ser proporcionais às obrigações decorrentes.
A instituição ainda destacou a baixa liquidez das ações de emissão da Mercantil Financeira, com pouca negociação desses papéis no mercado. Outro fator que também contribuiu para essa decisão foram os custos elevados de observância da regulamentação aplicável à manutenção do registro como emissora na categoria A da CVM.
Além disso, o Banco Mercantil ressaltou que a administração da sociedade controlada, especializada em crédito, financiamento e investimento, não tem a intenção de acessar o mercado de valores mobiliários para financiar as suas atividades no curto, médio e longo prazos.
Na época, a companhia era titular de 23,6 milhões de ações ordinárias de emissão da Mercantil Financeira, o equivalente a 98,13% do total, e de mais de 15,4 milhões de ações preferenciais da empresa, o que corresponde a 91,28% do total emitido. Dessa forma, a instituição financeira detinha mais de 39 milhões de ações, o que representa 95,3% do total.
A OPA será lançada ao preço de R$ 14,40 por ação em circulação no mercado, valor que será pago à vista, conforme os procedimentos dispostos nos normativos da Câmara de Compensação e Liquidação da B3. Esse valor será ajustado pelo valor de dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP) eventualmente declarados pela Mercantil Financeira até a data do leilão e por eventuais alterações no capital social da empresa.
Venda de corretora para Mercado Bitcoin

O Banco Mercantil também realizou a venda de sua corretora de valores para a plataforma Mercado Bitcoin. A CCTVM se soma a outras empresas reguladas que integram o ecossistema do MB | Mercado Bitcoin, incluindo sua instituição de pagamento, administradora de valores mobiliários e a plataforma de investimento participativo com securitização.
De acordo com o MB, essa operação tem o objetivo de fortalecer a estratégia de expansão da plataforma no mercado regulado de ativos digitais. Além disso, aumenta a capacidade da empresa de diversificar sua oferta de produtos, incluindo títulos, valores mobiliários e câmbio, para mais de 4 milhões de clientes.
Por outro lado, os clientes da Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários (CCTVM) passam a ter mais acesso à oferta de ativos digitais, somando-se à oferta de criptoativos já existente na corretora do Banco Mercantil.
- Leia também: Banco Mercantil propõe aumento de capital e dividendos após regularização de dívida com a União
O chairman do MB | Mercado Bitcoin, Roberto Dagnoni, destaca que essa aquisição representa mais um passo na construção de um ecossistema completo de investimentos e um marco para a trajetória da plataforma, reforçando a integração entre o mercado tradicional e a economia digital.
“A integração de uma CCTVM operacional à nossa operação, com 13 anos de atuação, já consolidada entre as 20 maiores corretoras de cripto do mundo, segundo a Kaiko, e entre as cinco maiores globais em ativos tokenizados, de acordo com a rwa.xyz, reforça nosso pioneirismo no mercado”, conclui.
Ouça a rádio de Minas