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Belo Horizonte se consolida como o 2º maior polo de coworkings do Brasil

Capital mineira supera mercados tradicionais e reforça flexibilidade como motor de crescimento no setor imobiliário corporativo, aponta Censo Woba
Belo Horizonte se consolida como o 2º maior polo de coworkings do Brasil
Crédito: iStock

Belo Horizonte vem se consolidando como um dos principais polos de coworking no Brasil e já ocupa a segunda posição no ranking nacional, atrás de São Paulo e à frente do Rio de Janeiro. Os dados fazem parte do Censo Coworking 2025, realizado pela Woba, e refletem a expansão do modelo em Minas Gerais, que se firmou como laboratório para o desenvolvimento desse mercado no Brasil.

De acordo com o Chief Revenue Officer (CRO) da Woba, Rodrigo Silveira, esse destaque do Estado em relação ao mercado carioca é explicado pela afinidade do empresariado mineiro com o modelo Asset Light. “Em BH, o coworking deixou de ser ‘espaço para freelancers’ e virou a solução oficial para grandes empresas que buscavam reduzir o custo fixo de aluguel tradicional, que na capital mineira possui contratos historicamente rígidos”, observa.

Como mostra o levantamento, o número de espaços flexíveis no País cresceu 11,8% no último ano, totalizando 3.120 unidades, com taxa média de ocupação de 78%. Minas Gerais já representa 6% desse mercado e concentra uma das maiores densidades de salas privativas, indicativo da consolidação do modelo.

Ainda segundo os dados do censo, em Belo Horizonte existem 347 espaços em operação, o que posiciona a cidade atrás apenas de São Paulo no ranking nacional. O desempenho supera o de mercados tradicionalmente mais consolidados e reforça a mudança no padrão de ocupação corporativa.

Mudança de estratégia

Para a Woba, o avanço do coworking acompanha uma transformação no mercado imobiliário corporativo. Isso porque o modelo tradicional, baseado em contratos longos e estruturas fixas, tem sido substituído por formatos mais flexíveis, orientados por eficiência e adaptação à demanda das empresas.

Segundo o CEO da Woba, Pedro Vasconcellos, o ambiente mineiro contribuiu para validar essa lógica. “Minas Gerais sempre teve um ecossistema de colaboração muito forte, e isso se reflete diretamente na forma como as empresas utilizam os espaços. O censo mostra que 45% das empresas escolhem o modelo flexível pelo networking, e Belo Horizonte traduz isso como poucos mercados”, afirma.

O estudo indica que, embora 72% das empresas busquem os escritórios flexíveis pelo custo-benefício, o diferencial em Minas está na valorização do networking e da troca entre empresas, o que reforça o papel dos espaços como ambientes de conexão e não apenas de operação.

“O networking deixou de ser um ‘extra’ para se tornar uma métrica de desempenho, o que chamamos de Return on Connection (ROC). Embora Minas Gerais lidere esse comportamento (45%), o Censo 2025 mostra que essa valorização está se nacionalizando. No último ano, percebemos que empresas de São Paulo e do Sul do País começaram a buscar coworkings não apenas pela mesa de trabalho, mas para ‘estar onde a inovação acontece'”, aponta Silveira.

Laboratório de modelo

O mercado mineiro, além de ter crescido na modalidade, também serviu como ponto de partida para a Woba. A empresa tem sede em Belo Horizonte e a cidade foi o ambiente onde o modelo de escritórios flexíveis foi testado e estruturado antes de ganhar escala nacional. A lógica, baseada na contratação de espaços sob demanda e na gestão integrada de múltiplas unidades, hoje atende grandes empresas em diferentes regiões do País.

“O que começamos em Belo Horizonte foi provar que o escritório poderia ser mais eficiente, mais flexível e mais inteligente. Quando esse modelo se mostrou viável em Minas, ficou claro que ele poderia escalar para qualquer mercado”, afirma Vasconcellos.

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