Brasileiro lidera empresa canadense que une IA e neurociência
Desenvolver soluções que unem inteligência artificial (IA) e neurociência para melhorar o desempenho cognitivo é a missão da startup canadense Autonomic, que tem no comando da área de tecnologia o brasileiro Gabriel Rodrigues. Até recentemente Tech Lead da companhia – responsável por uma parte central da arquitetura da plataforma -, ele acaba de assumir a posição de Chief Technology Officer (CTO), cargo executivo de alto nível focado na liderança estratégica de toda a área tecnológica da empresa, alinhando inovação e tecnologia aos objetivos do negócio.
A Autonomic oferece uma plataforma que usa inteligência artificial para analisar padrões cerebrais e orientar treinamentos personalizados de performance cognitiva a partir de conhecimentos desenvolvidos pela neurociência. A solução é voltada para pessoas que atuam em contextos de alta exigência, como executivos, líderes, equipes operacionais e atletas, ajudando-as a manter foco, velocidade de raciocínio e resiliência mental, além de alto desempenho.
Até chegar à função, o executivo traçou uma trajetória baseada no objetivo de ter uma carreira internacional. Aluno de escola pública durante a formação básica, formou-se em engenharia da computação pelo Centro Universitário IESB, em Brasília (DF).
Hoje tem mais de 10 anos de experiência com atuação e liderança em iniciativas de engenharia de software, cloud, DevOps e modernização de plataformas em empresas como PayPal, Estated e Vocon IT. Ao longo da carreira, trabalhou com equipes multiculturais no Brasil, Alemanha, Canadá e Estados Unidos.
“Tudo começou ainda no fundamental, estudando inglês, me preparando. Sempre querendo crescer, sem me intimidar com os desafios. Embora, há cinco anos não me imaginasse CTO de uma empresa canadense, cada etapa foi planejada. A cada etapa, porém, não basta chegar, é preciso se manter”, diz.
Ele observa que a adaptação à cultura local é fundamental. “Em 2019, fui para a Alemanha, onde não me adaptei tanto à cultura, aos costumes e a distância da família pesou muito. Acabei voltando para o Brasil ainda trabalhando para uma empresa alemã”, relembra Rodrigues.
Depois disso, foi para o Canadá trabalhar em uma empresa que utilizava IA aplicada para a venda de imóveis até que veio o convite da Autonomic para que se juntasse ao time que desenvolve soluções com a tecnologia aliada à neurociência.

A proposta da Autonomic é a partir de exercícios diários, divididos em módulos simples e práticos, promover o desenvolvimento cognitivo para melhorar a performance em cinco campos: humor, sono, energia, estresse e foco. A promessa é que com menos de três minutos por dia o resultado se torne tangível.
São cinco passos:
- Escolha do objetivo: o cliente seleciona um dos cinco objetivos principais, como aumentar o foco ou reduzir o estresse, por exemplo;
- Treinamento personalizado: adaptado ao estilo de vida do cliente, os treinadores o ajudam a substituir maus hábitos por novos hábitos eficazes;
- Comprovado pela ciência: cada hábito é respaldado por pesquisas atuais em neurociência. Acompanhamento diário: o cliente recebe lembretes por SMS ou e-mail e monitora suas principais métricas.
Treinadores especializados: treinadores com formação em neurociência personalizam o programa com base nas interações com o cliente.
“Tudo começa com uma entrevista para conhecermos o cliente. A partir disso, a plataforma propõe uma rotina de exercícios que começa simples e vai ficando mais complexa de acordo com o caso. É importante lembrar, entretanto, que IA e neurociência não fazem milagres, então quem mente – de propósito ou não – para si e para a plataforma, não consegue os melhores resultados”, alerta.
A Autonomic ainda não tem data para começar a atuar no Brasil, mas já tem o País no radar. O mercado que une IA e neurociência está crescendo rápido em todo o mundo. Segundo o relatório Global Digital Health & AI Tools in Neuroscience Market, atualmente avaliado em US$ 34,10 bilhões, deve ultrapassar US$ 79 bilhões até 2033.
Morando nos Estados Unidos, o CTO da Autonomic se sente mais perto de casa não só pela distância menor do Brasil do que estando no Canadá, mas também por encontrar outros profissionais brasileiros em posições de destaque em empresas de tecnologia com operações nos EUA.
“Os profissionais de tecnologia brasileiros são muito bem quistos aqui. Conheço alguns em posições de bastante destaque. Além da adaptabilidade, que é uma característica pela qual os brasileiros são famosos, existe o fator trabalho. Nós trabalhamos muito e isso é ampliado pela dedicação e motivação que direciona tudo. E, por fim, existe um certo ‘talento natural’. Somos um povo afeito à tecnologia. Aderimos com muita facilidade ao uso de novas tecnologias e isso facilita muito aprendizado”, completa o executivo.
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