Lucro líquido da Copasa cai 21,5%, mas investimentos atingem R$ 1,5 bilhão

A companhia de saneamento de Minas Gerais viu seu lucro líquido diminuir, mas destacou o avanço significativo em investimentos e obras estruturantes
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Lucro líquido da Copasa cai 21,5%, mas investimentos atingem R$ 1,5 bilhão
Foto: Divulgação Copasa

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) registrou lucro líquido de R$ 227,1 milhões no segundo trimestre, valor 21,5% abaixo do observado no mesmo período de 2025 (R$ 289,4 milhões). Por outro lado, o volume investido (Capex, sigla em inglês) atingiu R$ 1,5 bilhão no primeiro semestre, avanço de 27% em relação ao registrado na primeira metade do ano passado, impulsionando intervenções estruturantes de água e esgoto em diversas regiões do Estado.

De acordo com a empresa, o avanço na execução das obras e na eficiência operacional refletiu-se na solidez do balanço financeiro do período. A receita líquida atingiu R$ 1,95 bilhão no segundo trimestre, após crescimento de 8,9% em relação ao mesmo período do exercício anterior (R$ 1,79 bilhão).

A companhia ainda apurou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, sigla em inglês) de R$ 700,4 milhões, com avanço de 2,7% frente ao segundo trimestre de 2025 (R$ 682 milhões). A margem Ebitda, indicador que mede a eficiência e a lucratividade operacional, recuou de 38% para 35,9% no período analisado.

A dívida líquida da companhia mineira de saneamento subiu de R$ 5,85 bilhões, em junho do ano passado, para R$ 8,18 bilhões no mesmo mês de 2026. Dessa forma, o índice de alavancagem, medido pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda dos últimos 12 meses, atingiu 2,8 vezes em junho deste ano, ante 2 vezes no mesmo período de 2025.

Além disso, a empresa declarou R$ 320,1 milhões em juros sobre o capital próprio (JCP) referentes ao primeiro semestre.

Para a presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo, os resultados expressam a conexão direta entre a gestão eficiente e o cuidado com a população. Ela destaca que a consistência dos indicadores financeiros “ganha real sentido quando é traduzida em saúde, dignidade e qualidade de vida para a população atendida”.

Obras em andamento

Reservatório da Copasa
Foto: Divulgação Copasa

Marília Melo ressalta que, ao aplicar R$ 1,5 bilhão em obras, a empresa está modernizando redes, reduzindo perdas e garantindo segurança hídrica para centenas de municípios mineiros. “Nosso compromisso diário é trabalhar com foco no cliente e na eficiência operacional, construindo um saneamento mais forte e sustentável para Minas Gerais”, afirma.

Entre as principais frentes de trabalho em andamento está a intervenção de engenharia voltada à modernização da infraestrutura em cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A iniciativa abrange a substituição e a renovação de 351 quilômetros de redes de água e ramais prediais.

Segundo a Copasa, estão sendo utilizadas tecnologias e tubulações de alta resistência para otimizar o controle de pressão e eliminar vazamentos não visíveis, proporcionando maior estabilidade ao fornecimento de água na Grande BH.

Já o programa de combate às perdas de água, aplicado à Capital e aos municípios do interior, recebeu aporte de R$ 156 milhões entre janeiro e junho deste ano. Os esforços contribuíram para a redução do índice de perdas na distribuição para 35%, queda de 2,6 pontos percentuais (p.p.) em relação a junho do ano passado.

A Copasa ressalta que essa evolução operacional também é impulsionada por investimentos em tecnologia. Nos últimos 12 meses, a empresa substituiu 654 mil hidrômetros, incluindo equipamentos inteligentes e de alta precisão. A companhia também registrou índice de hidrometração de 100%.

Além dessas ações, o balanço destacou as obras de ampliação do Sistema Rio Manso, cuja conclusão está prevista para o primeiro semestre de 2027. O projeto prevê cerca de 12 quilômetros de adutoras de água tratada entre os municípios de Mário Campos, Sarzedo e Betim, com investimento total de aproximadamente R$ 400 milhões.

A companhia de saneamento já colocou em operação, no primeiro semestre, um trecho estratégico da obra, garantindo um incremento de 60 milhões a 86 milhões de litros de água distribuída por dia na RMBH. Segundo a empresa, a intervenção reforça o fornecimento de água tratada para milhões de pessoas, especialmente diante dos desafios climáticos e do crescimento urbano.

A etapa entregue recebeu investimento de R$ 87 milhões e abrange cerca de três quilômetros de adutoras de grande porte (1.800 mm) entre Mário Campos e Sarzedo, aumentando a capacidade de transporte e produção da Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio Manso em uma vazão de 700 a 1.000 litros por segundo.

Outra frente em andamento são os investimentos no interior de Minas, voltados à descentralização dos aportes e ao fortalecimento do saneamento regional. As ações englobam a ampliação e a modernização de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), a perfuração de novos poços operacionais e melhorias nos sistemas de reservação.

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas