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Dia Mundial do Vinho: enoturismo e ‘corpo a corpo’ para expansão do mercado em Minas

No Dia Mundial do Vinho, produtores de Minas trabalham para abrir novos mercados no Estado e atrair consumidores
Dia Mundial do Vinho: enoturismo e ‘corpo a corpo’ para expansão do mercado em Minas
CRÉDITO: Divulgação/Stella Valentino

Dia 18 de fevereiro comemora-se o Dia Mundial do Vinho. A secular bebida tem adeptos por todo o planeta e, claro, no Brasil possui um grande fã clube. Minas Gerais está entre os estados que têm apreciadores do vinho, porém o consumo ainda é baixo quando se compara com a cerveja e a cachaça. Apesar disso, o consumo do vinho brasileiro está em alta. Em 2024, foram produzidos 2,4 milhões de litros. Mas pode ser mais, e há espaço para crescimento.

O nível de maturidade do setor em Minas Gerais pode evoluir, já que há bons rótulos disponíveis, como a vinícola Stella Valentino, que fica em Andradas, no Sul de Minas, e produz vinhos finos, que possuem notas de sabor que encantam por onde vai.

Um exemplo da qualidade dos vinhos da Vinícola Stella Valentino é o tinto Tempranillo 2022. Ele foi o grande campeão da categoria Tempranillo no All The Best – Grande Prova de Vinhos do Brasil 2025, com 93 pontos e medalha Duplo Ouro. Já o Tempranillo Gran Reserva 2023 conquistou medalha de Ouro no Brasil Selection 2025, edição brasileira do Concours Mondial de Bruxelles.

Se o produto mineiro é bom, o que falta para que haja mais adesão dos consumidores? Há maturidade no mercado daqui para ele se aproximar dos maiores produtores em volume e alcançar paladares exigentes e sofisticados? Essas questões podem ser respondidas pelo dono da Vinícola Stella Valentino, José Procópio, que cuida do negócio desde 2002, levando adiante a tradição familiar, no Brasil desde 1888.

“O consumo de vinho no Brasil, de maneira geral, é muito baixo. Em média 2,3, 2,4 litros per capita. Agora, mesmo em partes de Minas, e em partes do Sul do País, que têm mais descendência europeia, se toma um pouco mais de vinho. Belo Horizonte e outras partes do Estado consomem mais cerveja e cachaça”, comenta José Procópio.

Trabalho de formiguinha para abrir mercado

Para cair no gosto do mineiro e entrar de vez no cardápio, e também na carta de vinhos do cliente, as vinícolas do Estado, que estão crescendo em número de fábricas, precisam fazer o “corpo a corpo”, um “trabalho de formiguinha” para chegar ao apreciador de vinhos e ainda atrair quem não é consumidor frequente da tradicional bebida.

“Há uma proliferação de vinícolas em Minas e São Paulo. Mas vamos analisar Minas. Muitas vinícolas estão sendo instaladas no Estado inteiro. Só para você ter uma ideia, tem empresas no Sul de Minas, Zona da Mata, Campos das Vertentes, Vale do Jequitinhonha, Triângulo Mineiro. Então, com isso, a gente vai ter de começar aquele ‘trabalho de formiguinha’ para ver se o mineiro começa a substituir um pouco de outras bebidas pelo vinho”, explica José Procópio.

Experiência e degustação como estratégia

A vivência no setor levou o produtor José Procópio a uma leitura objetiva do mercado de vinhos no Brasil. A produção de vinhos finos, sobretudo em pequena escala, envolve custos elevados e margens ajustadas. Desde o início, a estratégia foi estruturar a vinícola como negócio integrado, capaz de gerar valor além da garrafa.

Nesse contexto, o enoturismo (turismo do vinho) tornou-se elemento central. Degustações orientadas e venda direta ao consumidor ampliam a receita e fortalecem o vínculo com o público. Seguindo esse modelo, a Vinícola Stella Valentino recebe cerca de 600 turistas por mês.

Para o futuro, a atenção está voltada à ampliação de experiências – com a inauguração de um wine bar ainda no 1º semestre de 2026 –, desenvolvimento de variedades mais resistentes e produtivas, com potencial para reduzir custos e ampliar o acesso a vinhos de entrada. “Se conseguirmos unir qualidade técnica e preço mais acessível, o mercado cresce junto”, avalia.

Enoturismo como aliado

Construir uma relação com o consumidor do vinho mineiro pode passar por oferecer experiências. O enoturismo pode ser um chamariz eficiente para atrair novos consumidores e ajudar a entender que tipo de vinho pode agradar mais ao paladar de quem busca uma nova bebida.

“Nossa vinícola tem um cunho enoturístico. Nossa proposta é trabalhar o enoturismo. A nossa região, na Serra da Mantiqueira, tem belezas naturais e clima bom. Com esse combo, podemos incorporar o vinho como parte das coisas boas. O vinho é importante no turismo rural, porque ele atrai muitos turistas. O vinho é o produto que mais atrai turista”, conclui José Procópio.

Com produção anual entre 15 mil e 18 mil garrafas, a Vinícola Stella Valentino mantém perfil familiar, com foco em consistência, identidade e alta qualidade. Assim, sua narrativa de unir os ares da serra com o bom vinho se torna uma ótima forma de introduzir novos públicos ao vinho.

Enoturismo é uma importante forma de atrair novos clientes-Foto: Reprodução/Adobe Stock

Onde fazer enoturismo em Minas Gerais

O enoturismo vem ganhando força e adeptos entre os apreciadores de vinho e para quem ainda quer conhecer esse universo. Confira alguns lugares para fazer o “turismo do vinho’ em Minas Gerais:

  • Sul de Minas (Polo Vulcânico/Mantiqueira): Andradas: Casa Geraldo (estrutura completa, restaurante), Stella Valentino (experiência intimista), Vinhos Beloto, Vinhos Marcon, Adega Basso.
  • São Gonçalo do Sapucaí: Vinícola Bárbara Eliodora.
  • Caldas: Vinícola Estrada Real, Cantina Fazenda da Bocaina.
  • Jacutinga/Outros: Vinhos Casa Rodrigo (São João da Mata), Vinícola Alma Mineira (Senador José Bento).
  • Campos das Vertentes/Tiradentes: Tiradentes/Bichinho: Vinícola Luiz Porto (vinhos finos), Vinícola Mil Vidas (Syrah e Sauvignon Blanc), Vinícola Trindade (Bichinho).
  • Ritápolis: Quinta da Juliana, Vinhedo Samarias.
  • Outras Regiões: Lavras: Vinícola Alma Gerais.
  • Norte de Minas (Grão Mogol): Vale do Gongo (produção no Vale do Espinhaço).
  • Uberaba: Arpuro.

Filmes sobre a experiência do vinho

1 – Mondovino (2004, Jonathan Nossiter)
Ideal para quem está começando a explorar o mundo dos vinhos. O diretor percorre vinícolas em diversos países, apresentando as distintas metodologias de produção em propriedades de pequeno e grande porte.

2 – Obsessão Vermelha (Red Obsession, 2013, David Roach e Warwick Ross)
O título faz um trocadilho entre a cor vermelha da bandeira chinesa e dos vinhos de Bordeaux, França. Narrado pelo ator Russell Crowe, o documentário oferece uma perspectiva fascinante sobre como a China impactou e inflacionou o mercado vinícola de Bordeaux e do mundo.

3 – Somm! (2013, Jason Wise)
Acompanha a jornada de quatro sommeliers em busca do título de Court Master Sommelier, a maior distinção da profissão. Nas últimas quatro décadas, menos de 200 profissionais alcançaram essa qualificação.

4 – Sideways (2005, Alexander Payne)
Aclamado pela crítica e pelo público, este filme mescla comédia e drama ao retratar a viagem de dois amigos pela região de Santa Barbara, Califórnia: Miles, apaixonado conhecedor de vinhos, e Jack, mais interessado em celebrar do que em compreender o que bebe.

5 – Um Bom Ano (A Good Year, 2006, Ridley Scott)
Max é um investidor londrino de sucesso e sem escrúpulos que, na infância, aprendeu a apreciar bons vinhos com seu tio francês, proprietário de um vinhedo em Provence. Ao herdar o Château após a morte do tio, ele retorna à propriedade.

6 – Corked! (2009, Ross Clenenden e Paul Hawley)
Este documentário de tom satírico segue quatro personagens – um gerente de vinhedo, um vitivinicultor independente, o diretor de uma grande vinícola e um diretor de marketing – em sua jornada por quatro diferentes vinícolas norte-americanas.

7 – Um Ano na Borgonha (A Year in Burgundy, 2013, David Kennard)
Os bastidores da safra de 2011 na renomada região francesa, destacando a trajetória de sete produtores locais sob o olhar atento de Martine Saunier, respeitada comerciante francesa de vinhos estrangeiros nos Estados Unidos.

8 – O Julgamento de Paris (Bottle Shock, 2008, Randall Miller)
Inspirado em eventos reais, retrata a histórica degustação realizada em Paris em 1976, que revolucionou o universo do vinho ao colocar os holofotes internacionais sobre a produção do Novo Mundo.

9 – Caminhando nas Nuvens (A Walk in the Clouds, 1995, Alfonso Arau)
Após o término da Segunda Guerra Mundial, o ex-combatente Paul Sutton trabalha como vendedor de chocolates e encontra em Victoria Aragón a resposta para seus anseios. O filme celebra a cultura vinícola e as tradições das famílias mexicanas produtoras de vinho.

10 – Blood Into Wine (2010, Ryan Page e Christopher Pomerenke)
O documentário mostra as transformações na vida de Maynard James Keenan, vocalista de bandas de rock, dividindo-se entre gravações, turnês e a produção de vinhos de alta qualidade no Arizona. Perfeito para apreciadores de vinho e rock.

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