E-commerce cresce em Minas Gerais no fim de 2025, com mais pedidos e tíquete médio menor
Passado o boom do comércio on-line alavancado pela pandemia de Covid-19, nos anos de 2020 e 2021, e a digitalização da vida cotidiana, o e-commerce brasileiro se consolida como uma ferramenta prática, versátil e integrada aos demais canais de venda. Da mesma forma, em Minas Gerais, o setor se revela parte da jornada de compras de consumidores de todas as classes sociais, ampliando as categorias de produtos vendidos e superando marcas de unidades vendidas por pedido e faturamento.
A conclusão vem do estudo conduzido pela Confi Neotrust – referência em inteligência de dados para o e-commerce brasileiro – que analisou a performance do comércio eletrônico brasileiro nas últimas semanas de 2025, que concentram as compras de Natal e Ano Novo.
No período de 19 a 31 de dezembro de 2025, as vendas do setor no Brasil resultaram em um faturamento de R$ 10,8 bilhões, resultado 18,7% superior ao registrado no mesmo período de 2024, com 37,2 milhões de pedidos finalizados (+22,5%) a um tíquete médio de R$ 290,3 (-3,1%). No acumulado da semana de Natal (19 a 25 de dezembro), o faturamento foi de R$ 5,9 bilhões, crescimento de 14,2% sobre o ano anterior.
No recorte regional, o e-commerce em Minas Gerais no mesmo período registrou um crescimento robusto em escala, mas com uma mudança clara no comportamento de consumo em comparação ao ano anterior. O faturamento atingiu R$ 1,1 bilhão (alta de 13,8%), impulsionado principalmente pelo aumento expressivo no volume de pedidos (+21,03%) e unidades vendidas (+14,81%).
No entanto, essa expansão no volume veio acompanhada de uma redução de 5,97% no tíquete médio (R$ 275) e de 5,14% nas unidades por pedido (1,64). Isso indica que, embora o varejo mineiro tenha atraído mais clientes ou gerado mais transações no final de ano, as compras foram mais pulverizadas e de menor valor unitário, sugerindo uma estratégia focada em produtos de menor preço ou uma maior busca do consumidor por promoções pontuais.
De acordo com o head de negócios da Confi Neotrust, Léo Homrich Bicalho, 2025 marca um reposicionamento do comércio digital no Brasil, abalado pelas altas taxas de juros e pelo “caso Americanas”, em 2023.

“Já faz seis anos do início da pandemia que foi marcante em volume para o e-commerce e que se manteve em 2021 e em 2022, mas com o crescimento da taxa de juros e o ‘caso Americanas’, em 2023, o e-commerce parou de crescer em um momento em ainda estava ganhando relevância para o consumidor. Os números de 2025 fogem da expectativa para o ano, revelando uma reconsolidação e ganho de relevância pela forte presença na mídia. Sobre os números do final de dezembro, foi verificada uma variação forte, consequência do ano inteiro”, explica Bicalho.
Minas Gerais, no período avaliado representou aproximadamente 10,2% do total do comércio eletrônico no período, consolidando-se como a terceira maior força do varejo digital no período – atrás de São Paulo e Rio de Janeiro -, movimentando mais de R$ 1,14 bilhão entre 19 e 31 de dezembro.
Embora o Estado apresente um crescimento consistente de 13,8% em relação a 2024, este avanço ocorre em um ritmo diferente de seus vizinhos do Sudeste, revelando particularidades no comportamento do consumidor local.
Levando-se em conta o desempenho por categoria, nota-se que o setor de saúde e climatização impulsionou os resultados, compensando a retração em bens duráveis e moda. A categoria de remédio lidera em volume absoluto com 88,7 milhões e um crescimento expressivo de 164,3% YoY (ano contra ano, do inglês year over year), enquanto os itens de sazonalidade térmica, como ventilador (+294,6% YoY) e ar condicionado (+142,7% YoY), apresentaram as maiores expansões anuais e as únicas variações positivas de curto prazo – mês contra mês (do inglês, month over month), provavelmente devido às altas temperaturas do período.
Em contrapartida, categorias tradicionais como celular e smartphone (-15,2% YoY), roupas (-10,0% YoY) e TV (-7,6% YoY) registraram quedas no comparativo anual e retrações acentuadas em relação ao mês anterior (MoM), que chegam a -75,4% no caso de TVs, evidenciando uma forte desaceleração pós-eventos promocionais de novembro para esses setores específicos.
“Minas é um estado com uma grande população e grande extensão territorial que impõe condições específicas para o e-commerce, incluindo uma boa logística, com a maior malha rodoviária do País. É um território já consolidado, temos estados menores crescendo muito porque eles estão, relativamente, atrasados”, diz.
Ele acrescenta que existe uma questão associada ao momento de venda. “Se no Rio de Janeiro está mais quente e o ar condicionado é um produto de maior valor agregado, o tíquete médio e o faturamento vai ser maior no Rio do que em Minas, mas os dois estados se alternam na segunda posição. Fechando o ano de 2025, o e-commerce de Minas tem uma performance melhor do que o fluminense, faturando R$ 42,7 bilhões, contra R$ 42,5 bilhões do Rio, porém Minas cresceu um pouco menos, 18,4% – do que o Rio – 18,8% – em 2025 na comparação com 2024”, destaca.
No trajeto de consolidação do comércio eletrônico brasileiro dois fenômenos ajudam a explicar o resultado de dezembro mais próximo dos demais meses do que em outros anos, quando dezembro se tornava um pico muito mais relevante: a Black Friday, mais antigo, e a novidade da data dupla, em novembro, o 11/11, com campanhas promocionais dos principais marketplaces com atuação no Brasil.
“Já há alguns anos, novembro vem se tornando referência como mês sazonal, não só a Black Friday. Um fenômeno novo são as promoções em datas duplas. O próprio 11/11 alavancou o patamar do mês de novembro, com um pico de consumo importante. O mês de novembro como um todo teve uma taxa de crescimento maior – mais de 20% – do que a Black Friday, que cresceu, em média, 10%”, analisa o head de negócios da Confi Neotrust.
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