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Farmácia Cannabis Company projeta expansão para Minas Gerais em 2026

Farmácia especializada em cannabis medicinal planeja rede de franquias para o futuro
Farmácia Cannabis Company projeta expansão para Minas Gerais em 2026
Foto: Diego Cagnato/ Divulgação

A farmácia paranaense Cannabis Company planeja começar a operar em pelo menos mais quatro estados, incluindo Minas Gerais, até o final deste ano. A empresa é uma das primeiras no Brasil dedicada exclusivamente à cannabis medicinal e com produtos à pronta-entrega. O plano de expansão nacional começa neste mês e será implementado em duas etapas.

A estratégia começará por meio da atuação de consultores especializados em mercados regionais e, em um segundo momento, incluirá a estruturação de uma rede de franquias. A sócia fundadora da Cannabis Company, Michele Farran, explica que esse projeto bifásico tem como objetivo testar as necessidades e demandas das regiões para, em seguida, abrir unidades físicas com mais maturidade.

“O nosso planejamento é começar por São Paulo, mas já estamos em negociações com outros estados, incluindo Minas Gerais, para iniciar com as representações e depois seguir com a abertura de lojas físicas”, afirma.

Segundo a empresária, já há negociações avançadas para uma possível implantação em Belo Horizonte. Ela ressalta, no entanto, que o interesse da empresa é estar presente em regiões com população menor, para ampliar o acesso, ainda escasso, a esse tipo de tratamento.

Entre os fatores analisados pela marca para escolher determinada cidade estão as demandas da região e as oportunidades que o município oferece. Michele Farran relata que existem muitos lugares que oferecem oportunidades acima do esperado, não apenas pela riqueza, mas também pela procura por esse tipo de tratamento. “Nós analisamos muito mais esses fatores do que o número de habitantes, por exemplo”, afirma.

Ela avalia que o mercado mineiro é um dos mais produtivos e que oferece uma grande oportunidade de ir além do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, onde se concentra grande parte dos principais hubs de saúde.

Michele Farran também destaca que a população mineira tende a ser muito atenciosa com a própria saúde, está sempre em busca de tratamentos e apresenta um déficit de acesso a terapias complementares.

“O nosso plano é levar não apenas os produtos, mas também a informação para educar o público. O Estado também tem uma das maiores populações do País”, acrescenta.

Além disso, a empresária menciona alguns casos que exemplificam o avanço de Minas na adoção do tratamento com cannabis medicinal, como a aprovação da dispensação desse tipo de medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Juiz de Fora, na Zona da Mata. “Vemos uma oportunidade muito grande de crescer nessa região”, completa.

Expansão nacional da Cannabis Company

Farmácia da Cannabis Company.
Foto: Diego Cagnato

O início da expansão nacional da empresa será em São Paulo e em cidades da região metropolitana da capital paulista, onde passará a operar com os chamados “consultores canábicos”. Esses profissionais serão responsáveis por conectar médicos prescritores, pacientes e a operação central da marca. Eles atuarão no suporte à prescrição, na orientação e no encaminhamento das receitas, enquanto a entrega dos produtos será feita diretamente ao paciente.

A sócia fundadora da empresa explica que o modelo foi desenhado para reduzir barreiras ainda presentes no acesso à cannabis medicinal. “Os consultores terão papel fundamental na educação do mercado, apoiando médicos e pacientes em todas as etapas do processo”, afirma.

Essa primeira fase funcionará como uma operação, permitindo validar demanda, logística e padronização antes de escalar o modelo. Michele Farran esclarece que a escolha por começar com os consultores foi motivada pelo fato de o modelo possibilitar ganho de capilaridade, com mais controle da operação e proximidade com médicos e pacientes.

“É uma etapa importante para estruturar o modelo, entender as demandas regionais e garantir que a experiência seja padronizada antes de avançar para o franchising”, destaca.

A expectativa é que cada operação regional atinja faturamento médio mensal de cerca de R$ 150 mil após o período de maturação. No curto prazo, a rede projeta crescimento gradual, acompanhando o desenvolvimento das relações com médicos prescritores e a formação da base de pacientes.

Como se tornar um consultor canábico

Para atuar como representante da marca, a empresa realiza um processo de seleção que inclui análise de antecedentes e referências. A experiência no setor farmacêutico é considerada um diferencial, assim como o conhecimento prévio sobre cannabis medicinal. Os profissionais selecionados passam por capacitação com investimento da própria Cannabis Company, em parceria com a BCA Advogados.

A empresária ressalta ainda que esse modelo exige dedicação integral e exclusividade, reforçando o posicionamento da empresa como operação especializada em um segmento ainda em consolidação no mercado nacional.

Franquias no radar e mercado nacional

Cannabis
Foto: Reprodução Freepik

Sobre a segunda fase da expansão, Michele Farran relata que o projeto prevê a entrada no franchising, ampliando a presença física da marca em outras regiões do Brasil. “A estratégia reflete uma abordagem cautelosa em um mercado que, apesar do crescimento acelerado, ainda enfrenta desafios regulatórios, custos elevados para os pacientes e necessidade contínua de educação”, completa.

A sócia fundadora da Cannabis Company afirma que o foco da empresa é facilitar o acesso e seguir levando informação para locais onde os pacientes mais necessitam, de maneira ágil, eficaz e humanizada. “Isso é muito importante para nós”, garante.

O objetivo é levar o mesmo know-how e o atendimento humanizado prestado na matriz, em Curitiba, no Paraná, para os clientes dos demais estados, por meio dos consultores. Além disso, o tratamento com cannabis é altamente personalizável: “É necessário ter essa atenção com os pacientes e com os médicos que podem prescrever esse medicamento”.

O mercado brasileiro de cannabis medicinal está em forte expansão. De acordo com dados do último Anuário da Cannabis Medicinal no Brasil, produzido pela Kaya Mind, o setor movimentou cerca de R$ 970,9 milhões no ano passado, o que representa um crescimento de 14% em relação ao registrado em 2024 (R$ 852,6 milhões).

A expectativa é fechar em R$ 1,123 bilhão já neste ano e ampliar esse montante para R$ 1,275 bilhão em 2027. O estudo mostra que esse mercado ainda pode alcançar até R$ 9,5 bilhões no médio prazo, com potencial para atender milhões de pacientes à medida que a regulação evolui. Atualmente, o setor conta com mais de 873 mil pacientes em tratamento em todo o País.

Michele Farran avalia que as novas regras divulgadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em fevereiro deste ano, representam um passo importante para a desburocratização no setor. Ela destaca que a regulamentação trará maior agilidade para o atendimento. Quanto à autorização para o plantio em fase experimental, ela poderá contribuir para a produção e a pesquisa mais robustas em território nacional.

“Pensando no longo prazo, a produção nacional pode levar a uma queda significativa dos preços dos medicamentos. Portanto, vemos com bons olhos essas mudanças e acreditamos que há um caminho na direção certa”, conclui.

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