Negócios

Fusões e aquisições: cinco movimentos que devem marcar o mercado em 2026

Fatores como a retomada da liquidez, maior exigência de governança e foco em setores estratégicos estão entre a tendências
Fusões e aquisições: cinco movimentos que devem marcar o mercado em 2026
Parceria estratégica selada com um aperto de mãos. | Foto: Reprodução Adobe Stock

Após um período marcado por cautela, valuations pressionados e negociações travadas pelo alto custo do capital, o mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil começa a dar sinais de retomada. A expectativa de redução da taxa básica de juros e o retorno gradual da liquidez, tanto no mercado doméstico quanto no internacional, voltam a colocar o crescimento não orgânico no radar de empresas e investidores.

Para especialistas do setor, o novo ciclo tende a ser mais seletivo. Em vez de um volume elevado de negócios, a tendência é que a qualidade das empresas e a solidez da gestão tenham peso decisivo nas operações de fusão e aquisição.

O sócio-diretor da Zaxo M&A Partners, Jefferson Nesello, afirma que o ambiente atual exige mais preparo das companhias que buscam investidores ou pretendem participar de operações estratégicas.

“Com a circulação de liquidez impulsionada pela possível queda dos juros, o capital volta ao mercado, mas com filtros mais rigorosos. Governança corporativa, compliance ativo, previsibilidade financeira e capacidade de integração passaram a pesar tanto quanto indicadores de crescimento”, afirma.

Nesse contexto, especialistas apontam cinco movimentos que devem marcar o mercado de fusões e aquisições em 2026.

1. Retorno do capital estrangeiro eleva o nível de exigência

O interesse internacional pelo Brasil continua relevante. Levantamento da KPMG apontou 739 operações de M&A no primeiro semestre do último ano, com destaque para tecnologia da informação, instituições financeiras e empresas de internet.

Segundo Leandro Grisotto, também sócio-diretor da Zaxo, a presença de investidores estrangeiros aumenta o rigor nas negociações.

“O capital internacional vê o Brasil como mercado estratégico, mas exige padrões globais de governança, ESG e transparência societária”, explica.

2. Empresas de médio porte viram alvo preferencial

O chamado middle market (empresas com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 500 milhões) deve concentrar grande parte das operações de fusão e aquisição.

Essas companhias costumam apresentar características valorizadas pelos investidores:

  • liderança regional ou atuação em nichos específicos;
  • potencial de crescimento e profissionalização;
  • estrutura mais flexível para expansão.

“Em muitos casos, M&A é uma forma de comprar tempo. Ao trazer um sócio ou vender parte da empresa, o empresário ganha capital e governança para crescer mais rápido”, afirma Nesello.

3. Tecnologia, saúde e energia lideram as oportunidades

O próximo ciclo de fusões e aquisições tende a se concentrar em setores ligados a tendências estruturais da economia. Entre os principais estão:

  • tecnologia e modelos SaaS;
  • fintechs e serviços financeiros digitais;
  • saúde;
  • energia renovável;
  • agronegócio exportador.

Empresas que utilizam aquisições como estratégia de expansão costumam acelerar o crescimento e ampliar a presença no mercado.

“O erro mais comum é tratar a aquisição apenas como um evento financeiro. Cultura organizacional e integração operacional determinam o sucesso da operação”, destaca Grisotto.

4. Due diligence mais rigorosa e negociações mais estruturadas

Com mais capital circulando, cresce também a necessidade de análises profundas antes de fechar uma operação. Avaliações incompletas podem gerar problemas como passivos ocultos ou preços inflacionados.

Entre as práticas que devem ganhar força estão:

  • due diligence mais detalhada;
  • contratos com cláusulas de desempenho (earn-outs);
  • análise estratégica das sinergias entre empresas.

“Não basta olhar o potencial de mercado. O comprador precisa entender profundamente o negócio e estruturar bem o pagamento”, afirma Nesello.

5. Integração pós-aquisição se torna etapa decisiva

Outro ponto que ganha relevância no mercado de M&A é o processo de integração após a conclusão da transação, conhecido como Post Merger Integration (PMI).

É nessa fase que surgem desafios como alinhamento cultural, integração de sistemas e retenção de talentos.

“É na integração que o valor teórico vira valor real. Se a empresa perder talentos ou clientes no processo, o retorno da aquisição pode desaparecer”, alerta Grisotto.

Governança será fator decisivo

Para especialistas, o novo ciclo de fusões e aquisições tende a dividir empresas entre aquelas preparadas para receber investimento e aquelas que ainda operam com estruturas informais. Organização financeira, governança corporativa e gestão profissional passaram a ser requisitos básicos para quem deseja atrair capital ou participar de uma operação estratégica.

“Quando a liquidez volta, o capital fica menos escasso, mas mais exigente. Governança é o que transforma uma empresa promissora em uma empresa realmente vendável”, conclui Grisotto.

Colaborador

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas