Grupo Sada inaugura recicladora de veículos com aporte de R$ 200 milhões
Com um investimento de R$ 200 milhões, o Grupo Sada, atuante na área de logística automotiva, inaugurou nesta quarta-feira (25) a primeira recicladora integrada de veículos do País, em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
Com capacidade industrial para processar até 300 mil veículos por ano e volume de 100 a 120 toneladas/hora de sucata geral, a Igarapé Reciclagem (Igar), localizada a cerca de 40 km da capital mineira, atuará na desmontagem, reaproveitamento, descontaminação, desmonte e trituração, além de participar na destinação ambientalmente correta de automóveis em fim de vida útil (ELV), na sigla em inglês, End-of-Life Vehicles.
Conforme a vice-presidente do Grupo Sada, Daniela Medioli, o principal objetivo da Igar é contribuir para a descarbonização do setor automotivo, fomentar a economia circular e oferecer uma infraestrutura industrial de larga escala para o tratamento completo do veículo.
“Estamos demonstrando mais uma vez nosso pioneirismo. Ao buscarmos o modelo mais eficiente para a reciclagem de veículos em fim de vida, além da destinação correta dos resíduos, contribuímos com a economia circular e a mitigação do impacto ao meio ambiente”, afirma Daniela Medioli.
ArcelorMittal é a primeira parceira da recicladora
Instalada em uma área de 80 mil metros quadrados, parte dos produtos produzidos pela Igar virará matéria-prima para a ArcelorMittal, que já é uma parceira estratégica para absorver a produção nesse projeto.
O contrato foi firmado em janeiro deste ano entre as empresas e prevê o processamento de sucata para a siderúrgica. Além disso, será implantado um entreposto para armazenamento e movimentação de todo o material. A gestão logística da sucata, tanto a processada quanto a originada no entreposto, será feita pelo Grupo Sada com destino às operações da produtora de aço.
O diretor de Compras de Metálicos e BioFlorestas da ArcelorMittal, Bernardo Rosenthal, comentou durante o evento de inauguração que a parceria dá mais relevância à siderúrgica e reflete uma visão de futuro. “O que antes era visto como apenas um resíduo, hoje é reconhecido como recurso estratégico global. Na ArcelorMittal, entendemos que isso capta um dos principais motores da descarbonização e da competitividade, e é o alicerce do desenvolvimento de aços mais sustentáveis que o mundo exige”.
A iniciativa segue tendências de mercado globais como a redução de resíduos, conservação de recursos naturais e redução de emissão de CO2.
De acordo com a vice-presidente do Grupo Sada, o contrato com a ArcelorMittal é um passo concreto em direção à industrialização verde no Brasil.
“Estamos unindo a experiência logística do grupo à liderança produtiva da ArcelorMittal para dar vida nova ao aço, além de impulsionar a sustentabilidade, reduzindo impactos ambientais, conservando recursos e gerando valor por meio da economia circular”, afirma Daniela Medioli.
Para a ArcelorMittal, a economia circular faz parte da estratégia de sustentabilidade da empresa. As iniciativas visam à redução de resíduos, ao reaproveitamento de materiais e à inovação nos processos produtivos. O uso de sucata metálica fornecida pela Igar fortalecerá as ações da empresa em prol da redução da pegada de carbono em sua produção, essencial para atender à crescente demanda por materiais sustentáveis nas cadeias globais.
Além da presença da vice-presidente do grupo Sada, Daniela Medioli, a cerimônia de inauguração contou com a participação do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, e autoridades do setor.
Recicladora está alinhada com Programa Mover do governo federal
De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipecças), a frota brasileira, estimada em 123 milhões de unidades, é uma das mais velhas do mundo, com idade média de 10 anos. O que reflete os desafios para a descarbonização.
Dessa forma, a Igar se alinha ao Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), política do governo federal voltada para o setor automotivo e de mobilidade, que pretende orientar a transição da indústria brasileira para padrões sustentáveis e eficientes.
No Brasil, já existem empresas recicladoras, mas nenhuma integrada como a que foi inaugurada nesta quarta-feira.
Recicladora integrada cria novos negócios e reduz impacto ambiental
As recicladoras de veículos ou Centros de Desmontagem Veicular têm se tornado uma solução sustentável para o destino de veículos, até então, sem utilidade no Brasil e proporcionado novos negócios às montadoras.
Diferentemente dos antigos desmanches ou da simples compactação de sucata metálica, o modelo integrado atua em todas as etapas do ciclo final do automóvel, passando pela descontaminação à reintegração de materiais na indústria.
O conceito “integrada” está diretamente ligado à capacidade de gerir o processo completo: receber o veículo, realizar a descontaminação ambientalmente segura, desmontar de forma estratégica, reaproveitar componentes, reciclar materiais e comercializar peças com certificação e rastreabilidade.
O que não pode ser reaproveitado é separado por tipo de material, como aço, alumínio, cobre e plásticos, e encaminhado para reciclagem como matéria-prima. Esse processo fecha o ciclo da economia circular, permitindo que os materiais retornem à cadeia produtiva.
Em alguns casos, recicladoras integradas mantêm parcerias com montadoras para reinserir o material reciclado na fabricação de novos veículos, reforçando o conceito de “fábrica reversa”.
Em agosto do ano passado, com o objetivo de prolongar a vida útil das peças automotivas e contribuir com a mobilidade do futuro, a Stellantis inaugurou, em Osasco (SP), o Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças e se tornou a primeira montadora a criar um centro de desmontagem de veículos no Brasil. Atualmente, o centro tem capacidade para receber até 8 mil veículos por ano.
Na unidade, peças de automóveis são recuperadas e comercializadas em perfeitas condições de uso, com qualidade e procedência certificadas.
No caso da Stellantis, os componentes estão sendo disponibilizados para venda no próprio Centro de Desmontagem, em Osasco, ou na loja oficial da Circular AutoPeças no Mercado Livre. Entre as vantagens apresentadas pela empresa estão a rastreabilidade e a segurança, já que seguem os critérios do Detran.
Conheça as etapas de reciclagem:
- Retirada dos airbags – Retirada controlada dos airbags identificados nos veículos.
- Descontaminação – Retirada da bateria e do gás do ar-condicionado. As rodas são separadas dos pneus (que são triturados dentro da própria Igar).
- Drenagem dos fluidos – Água do radiador, óleos de freio, de câmbio, do motor e do amortecedor, além do combustível.
- Retirada dos vidros – Os vidros das janelas laterais são quebrados de forma controlada, e o vidro da frente, retirado com cuidado. Todo o material cai em um poço localizado na parte de baixo dos veículos e, em seguida, coletado.
- Retirada do catalisador do veículo – Todos os materiais resultantes da descontaminação são encaminhados para empresas especializadas ou associações de reciclagem para reaproveitamento.
- Triturador – Depois de todas as etapas de descontaminação, os carros são triturados em um equipamento denominado Shredder, que tem capacidade de processamento de sucata de 100 a 120 toneladas/hora. Esse material é utilizado pela indústria siderúrgica na produção de aço, em substituição ao minério de ferro.
Grupo Sada celebra 50 anos em 2026
Fundada pelo empresário, jornalista e político italiano naturalizado brasileiro Vittorio Medioli em 4 de agosto de 1976, em Contagem (MG), o Grupo Sada surgiu, inicialmente, como Sada Transportes e Armazenagens para atender à demanda da fábrica da Fiat em Betim.
Hoje, 50 anos depois, o grupo é composto por mais de 30 empresas de diversos segmentos de mercado, sendo o principal de logística e transporte de veículos zero-quilômetro, compondo o maior conglomerado desse negócio da América Latina.
Presente em mais de 50 cidades em todas as regiões brasileiras, o grupo também opera na Argentina e no Uruguai e cumpre um papel importante no mercado de trabalho ao empregar mais de 9 mil pessoas.
Além das áreas de transporte e logística, a empresa opera no setor de fundição, produção e distribuição de etanol, distribuição de combustíveis, componentes automotivos, reflorestamento, comunicação, esporte, terceiro setor e concessionárias de automóveis de passeio e de carga.
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