Indústria alimentícia mineira aposta em linhas de produtos proteicos e funcionais
A busca por um estilo de vida mais saudável e maior praticidade está impulsionando o mercado de produtos proteicos e alimentos funcionais. De acordo com dados do Euromonitor, o mercado de produtos naturais, funcionais e orgânicos cresce acima da média do setor de alimentos convencionais no Brasil, movimentando mais de R$ 15 bilhões por ano. O que antes era nicho passa a ser incorporado por uma parcela cada vez maior da população, na esteira do crescimento das canetas emagrecedoras.
Apaixonado por queijo, o mineiro tem tradicionalmente uma conexão forte com o setor de lácteos. Esse comportamento proporciona uma base muito favorável ao crescimento do mercado de produtos proteicos e funcionais no Estado, aponta a gerente de marketing da mineira Verde Campo, Lorena Andrade.
A gerente acrescenta que o setor vem apresentando uma expansão acelerada não só em Minas Gerais, mas em todo o Brasil, com o consumidor cada vez mais consciente e aberto a experimentar novas soluções funcionais.
“Essa mudança está acontecendo para todas as idades. Os supermercadistas estão acompanhando esse movimento e disponibilizando um mix cada vez mais saudável para os consumidores”, relata.
Proteicos conquistam espaço no faturamento
No caso da fabricante mineira, as linhas com maior representatividade nas vendas e na receita da empresa são as de produtos proteicos, como iogurtes e bebidas, seguidas pelos queijos.
“Os proteicos já representam a maior parte do nosso faturamento, com uma participação bastante relevante dentro do portfólio”, afirma, destacando que após crescer 25% no último ano, acima da média do setor, a companhia projeta manter um ritmo anual entre 20% e 25% em 2026, apoiada na ampliação da distribuição nacional e na evolução estratégica do portfólio.
O próximo passo, na visão da gerente, é a conquista de mais escala, garantindo presença nas gôndolas em todo o País, além de consolidar as parcerias com profissionais de saúde por meio da plataforma de conteúdo e eventos Espaço Nutri. A ferramenta já conta com mais de 25 mil profissionais cadastrados.
“A oportunidade é enorme e o mercado ainda tem muito espaço para crescer. Estamos prontos para atender essa alta demanda de saudabilidade”, avalia.
Proteína vegetal em alta
As “indústrias vegetarianas” não ficam de fora do movimento. A fabricante mineira de alimentos e bebidas plant-based Vida Veg está ampliando sua linha de proteicos, com o lançamento de seis novos produtos ao longo do primeiro semestre deste ano.
O objetivo é suprir as necessidades nutricionais de quem faz o tratamento contra a obesidade e inicia um processo de reeducação alimentar, com foco nos usuários de canetas emagrecedoras. Eficazes na redução do apetite, as canetas promovem um emagrecimento rápido que pode resultar em perda significativa de massa magra.
“Oferecer uma proteína vegetal que o corpo absorva com facilidade e que seja rica em fibras é fundamental para manter a saúde gastrointestinal e a musculatura”, explica o CEO da Vida Veg, Álvaro Gazolla, lembrando que a alimentação plant-based é zero lactose, o que facilita a digestão.
Segundo a Associação dos Distribuidores Farmacêuticos do Brasil (Abafarma), foram comercializadas mais de 1,1 milhão de unidades em Minas Gerais, entre março de 2025 e fevereiro de 2026, o que representa um aumento de 71,2% em relação ao período imediatamente anterior (653 mil).
Crescimento do mercado impacta setor varejista

Levantamento realizado pela Scanntech, em parceria com a McKinsey, aponta que o consumo de proteínas no País vem ganhando espaço no carrinho de compras e deixando de ser associado apenas a atletas ou praticantes de atividade física. Os dados do estudo indicam um avanço expressivo nas categorias ligadas à performance, entre os meses de janeiro e outubro de 2025.
Entre eles, o grande destaque é o whey protein, com uma variação positiva de 124% ao longo do período analisado. Já a creatina aparece com 89% de crescimento, seguida pelos cereais proteicos (21%), iogurtes proteicos (16%), produtos pré e pós-treino (16%) e leites saborizados com proteína (14%).
O estudo mostra que esse movimento levou a indústria a adaptar portfólios e lançar versões enriquecidas com proteínas em categorias tradicionais como snacks, bebidas prontas e sobremesas.
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