Inovação ganha novo impulso no Estado
Tornar Minas Gerais mais competitiva através da inovação e, assim, promover o desenvolvimento econômico e o bem-estar social é o grande objetivo do programa Compete Minas, lançado ontem pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapemig).
O recurso de R$ 100 milhões, dividido em duas linhas de igual valor, é destinado à promoção da inovação junto às empresas, cooperativas, startups e universidades por meio do lançamento de editais semestrais. A primeira linha de R$ 50 milhões é dedicada às empresas que farão a inovação de maneira independente. A segunda, também de R$ 50 milhões, é para as que farão em parceria com instituições de ciência e tecnologia de Minas Gerais.
Podem participar microempresas, empresas de pequeno porte, startups e cooperativas que tenham receita bruta de até R$ 4,8 milhões; pequenas empresas, startups e cooperativas que faturem entre R$ 4,8 milhões e R$ 16 milhões; médias empresas e cooperativas com faturamento entre R$ 16 milhões e R$ 90 milhões; e médias-grandes empresas e cooperativas com faturamento entre R$ 90 milhões e R$ 300 milhões.
Micro e pequenas empresas podem requerer até R$ 200 mil, com contrapartida mínima de 10%. Médias empresas podem conseguir até R$ 1 milhão, com contrapartida mínima de 20%. E as médias-grandes empresas, igual valor, com contrapartida mínima de 50%. O valor será liberado após avaliação de um comitê com membros da academia, do governo estadual e do mercado, que exigirá estudos de viabilidade técnica, econômica e financeira.
Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, os editais serão semestrais e as empresas poderão fazer inscrição em apenas uma das linhas. O financiamento por projeto irá variar de R$ 100 mil a R$ 2 milhões. A previsão é de que os editais sejam publicados no dia 6 de junho, no site da Fapemig.
“O Compete Minas veio para dar um equilíbrio aos recursos investidos pela Fapemig que, tradicionalmente, eram voltados para a pesquisa básica. O programa visa fazer com que esse recurso chegue mais perto do setor produtivo e também de soluções que vão gerar mercado, emprego e renda. É uma forma para que as empresas, independentemente do seu porte, tenham acesso a um recurso carimbado do Estado para terem inovação. Sabemos que a inovação é o caminho para a competitividade, por isso o nome Compete Minas”, explicou Passalio.
A ação contará com um incentivo adicional às propostas relacionadas às plataformas tecnológicas e áreas prioritárias, que são: Agricultura do semiárido mineiro; Agronegócio: cadeia produtiva, azeite, vinho e leite; Cadeia de biocombustíveis; Comunicação 5G; Hidrogênio (H2) como fonte de energia; Energias renováveis; Cadeia produtiva do lítio, nióbio e terras-raras; imunobiológicos e biofármacos e Inteligência artificial e IoT.
De acordo com o governador Romeu Zema, Minas Gerais criou, nos últimos anos, um ambiente favorável ao empreendedorismo e à atração de investimentos. No entanto, tais medidas, isoladas, não são capazes de fomentar o desenvolvimento econômico e aumentar a competitividade do Estado.
“Hoje, firmamos uma importante aliança entre as universidades, empresas e governo para termos, de fato, inovação e pesquisa aplicada. Essa aproximação é fundamental para que as empresas, aqui instaladas, ofertem ao mundo produtos diferenciados e de maior valor agregado”, afirmou Zema.

A iniciativa agradou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe. “O Compete Minas vai ajudar que a pesquisa básica que é feita em Minas Gerais fique e gere frutos no nosso Estado. Temos tudo para sermos líderes em inovação e esse programa lança as bases para que isso seja possível, abrindo oportunidades para as pequenas e médias empresas”, comemorou Roscoe.
Segundo o subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Sede, Felipe Attiê, critérios ESG (responsabilidade socioambiental e governança) também deverão ser levados em conta na aprovação dos projetos.
“É importante que tenhamos esses critérios. O mercado está muito atento a essas questões. O Compete Minas será muito importante para aproximar mercado, academia e governo, se preocupando com a inovação gerando produtos, o conhecimento sendo aplicado através da nota fiscal, da produção de uma mercadoria que gerou postos de trabalho, ganhou mercado por ser inovadora e, acima de tudo, deu renda à população e fez crescer o faturamento das empresas mineiras”, destacou Attiê
O caminho, porém, apresenta obstáculos que são globais, como a escassez de profissionais da área de tecnologia. A Softex – organização social voltada ao fomento da área de TI – estima que atualmente o Brasil enfrente um déficit de 408 mil postos de trabalho, com perdas se acumulando na casa dos R$ 167 bilhões.
“Criamos o TecPop Minas, que é um programa de inclusão digital e qualificação profissional. Estamos fortalecendo a tríplice hélice para fazermos a inovação não só a partir dos recursos, mas também da qualificação profissional. O nosso grande passo é um curso de 2 mil horas, no ano que vem, para a formação de programadores, que é um dos grandes gargalos das startups e empresas brasileiras. O Brasil precisa programar para não ser programado”, completou o subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Sede.
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