Marca mineira Lab Xeque Mate aposta em collabs para expandir no mercado de moda
A marca mineira de vestuário e acessórios Lab Xeque Mate aposta na realização de collabs e parcerias pontuais para expandir no mercado nacional de moda. A empresa do Grupo Xeque Mate Bebidas planeja lançar seis coleções ao longo deste ano, sendo quatro delas em colaboração exclusiva com outras marcas do setor. Atualmente, a marca apresenta uma tiragem média de 6,5 mil peças produzidas por ano.
A diretora criativa da Lab Xeque Mate, Carina Fonsc, destaca que o objetivo para 2026 é manter o crescimento da empresa, ampliando o volume de produção das coleções. O negócio chegou a duplicar o faturamento anual na comparação entre 2024 e 2025, com crescimento de 102% no primeiro ano de operação da marca. O valor bruto foi de R$ 305 mil no fechamento do último exercício.
Ao longo deste primeiro ano, a empresa já lançou produtos em colaboração com marcas como BAW Clothing, Katsukazan, Fita Corp e, mais recentemente, com a varejista gaúcha Renner. Carina Fonsc ressalta que a novidade mais recente é o lançamento de uma linha voltada para o público jovem e descontraído.
Essa parceria, segundo ela, resultou em peças exclusivas relacionadas ao Carnaval e à chamada “brasilidade”, por meio da temática brazilian core, que é uma tendência mundial. “Ser brasileiro está na moda. Também lançamos algumas camisetas com uma pegada mais esportiva, que fazem referência às camisas de times de futebol, já pensando na Copa”, acrescenta.
Além desta, a diretora relata que a Lab Xeque Mate já está desenvolvendo uma collab com uma marca paulista de moda streetwear, com previsão de lançamento para o fim do primeiro semestre ou início do segundo. Já para o final do ano, a expectativa é lançar mais uma parceria, desta vez, com uma marca de Belo Horizonte.
As escolhas das empresas parceiras, segundo Carina Fonsc, são feitas com base no compartilhamento de valores entre as marcas envolvidas. Ela destaca que a fabricante mineira de vestuário e acessórios possui uma comunicação fortemente bairrista, voltada para a valorização da cultura local sem reforçar estereótipos.
“Nós queremos mostrar que Minas Gerais também tem uma cultura de rua tão forte quanto a de São Paulo ou do Rio de Janeiro, com essa construção de desejo e tendência, não apenas no segmento de souvenir, mas também como um ditador de moda”, afirma.

No caso da parceria com a Renner, ela esclarece que a necessidade de oferecer itens com preços mais acessíveis também foi um fator importante na tomada da decisão. Isso porque, quando as colaborações envolvem marcas menores, a capacidade produtiva tende a ser reduzida, o que acaba encarecendo os produtos comercializados para o consumidor final.
“A Renner chegou para ajudar a nos consolidar como marca fashion e para distribuir os nossos produtos a um valor mais acessível”, diz.
A diretora criativa explica que esses lançamentos são mais pontuais, com as chamadas coleções-cápsula, compostas por uma quantidade menor de peças disponíveis. O objetivo é torná-las colecionáveis para estimular o desejo e a necessidade de compra dos clientes. “Todas as colaborações que fazemos são pontuais e duram até o fim dos estoques”, completa.
Linhas próprias e expansão para outros estados
Apesar da grande aposta em collabs, o carro-chefe da empresa segue sendo as linhas próprias, pois elas carregam a identidade exclusiva da marca, além das estampas de pontos turísticos da Capital. Essa característica gera um senso de pertencimento entre os clientes belo-horizontinos, além de servir como item de coleção e recordação para os turistas.
A marca possui uma loja física no Mercado Novo, em Belo Horizonte, que possibilita uma apresentação mais direta dos produtos comercializados, tanto para moradores da cidade quanto para turistas. Além disso, a diretora destaca que a empresa também desenvolveu um canal de venda de roupas dentro da plataforma de e-commerce da Xeque Mate.
Essa ferramenta possibilitou a ampliação do público consumidor, atingindo clientes de outros estados do Brasil. Carina Fonsc garante que a Lab segue trabalhando para expandir sua atuação para outros mercados futuramente. “A demanda cresceu muito, a ponto de consolidar um setor dentro da empresa voltado apenas para atender as demandas do setor de estilo da marca”, diz.

Inicialmente, os consumidores estavam concentrados em Minas. Nos últimos meses, porém, a marca tem alcançado novos públicos, a ponto de o mercado mineiro deixar de ser o principal da empresa. Entre os destaques estão os consumidores paulistas, cariocas e da região Sul do País. “Minas Gerais não é mais o nosso maior público. Acredito que o principal mercado, agora, seja São Paulo, mesmo sem um espaço físico”, avalia.
A diretora ressalta que a demanda cresce ainda mais no Carnaval, devido à relevância da Xeque Mate neste período do ano, com muitas pessoas buscando produtos ligados à marca. Ela também garante que há demanda por produtos da marca ao longo do ano, e não apenas durante a folia.
No entanto, Carina Fonsc esclarece que a produção segue baixa, pois a empresa não tem a pretensão de equiparar o desempenho apresentado pelas empresas de maior distribuição. A ideia é ampliar a capacidade produtiva e a diversificação, sem deixar de lado a criação de peças colecionáveis e de quantidade limitada, voltada para a exclusividade.
Sobre a Lab Xeque Mate
A Lab Xeque Mate surgiu com o objetivo de contribuir para a criação de uma comunidade, fornecendo produtos para os artistas patrocinados pela fabricante de bebidas. A partir daí, segundo a diretora, o grupo enxergou uma possibilidade de ingressar em um novo segmento: o mercado da moda.
Ela também explica que o nome da marca invoca a ideia de um laboratório de novas ideias, sem a obrigação de seguir tendências e com maior liberdade para criar. Além disso, a diretora ressalta o fato de a empresa mineira contar com uma forte presença de mulheres na liderança.
Para Carina Fonsc, esse é um diferencial muito importante dentro do setor de moda, já que o público feminino é quem responde pela maior parte do investimento e consumo neste mercado.
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