Livraria Leitura prevê 143 lojas e investimento de R$ 15 milhões em 2026
Após uma década marcada por falências de grandes redes e pela expansão acelerada do comércio eletrônico, o mercado livreiro brasileiro começa a dar sinais de reorganização. Nesse cenário, a Livraria Leitura, maior rede de livrarias físicas do País e com sede em Belo Horizonte, aposta na expansão das lojas físicas e planeja abrir pelo menos dez unidades em 2026.
Com investimento estimado em R$ 15 milhões, a empresa pretende encerrar o ano com 143 unidades em operação e crescimento de 25% nas vendas. A estratégia combina presença em shopping centers, diversificação de produtos e forte agenda cultural, com cerca de 3 mil eventos anuais nas lojas.
A agenda de inaugurações começa em março, com novas unidades em São Paulo (Granja Viana), Goiás (Aparecida de Goiânia) e Amazonas (Manaus). De acordo com o CEO da rede, Marcus Teles, o avanço da companhia é resultado de uma estratégia construída ao longo de décadas, baseada em crescimento gradual, baixo endividamento e adaptação às mudanças do mercado editorial.
“Ao longo das últimas décadas o mercado passou por algumas crises importantes, como a recuperação judicial da Saraiva, em 2019, e depois a pandemia. Nesses momentos, por sermos uma empresa muito tradicional e evitarmos ao máximo dívidas bancárias, sempre mantendo uma reserva financeira, conseguimos continuar crescendo”, afirma Teles. “Não temos uma meta fixa de abertura por ano. Em 2025 começamos com 121 lojas e terminamos com 133. Para o primeiro semestre de 2026 já temos cinco lojas contratadas e, para o segundo semestre, a expectativa é de outras cinco, mas novas oportunidades podem surgir”, completa.

Reconhecida por seu amplo catálogo, que reúne dos clássicos da literatura aos principais lançamentos nacionais e internacionais, a Leitura vai além dos livros. O portfólio inclui produtos do universo geek, papelaria premium e curadoria diversificada de presentes criativos, ampliando o alcance da marca e atraindo públicos de diferentes perfis e gerações.
Produtos próprios ampliam presença da marca
A novidade deste ano é o lançamento de uma linha exclusiva de produtos, que inclui moleskines com temas de Alice no País das Maravilhas e Voltaire, cadernos inspirados em Platão, meias com referências a Shakespeare e Virginia Woolf e frases literárias que traduzem o universo da leitura para o cotidiano. A proposta é reforçar valores culturais de forma leve, acessível e afetiva.
A marca apresenta ainda o perfume de livro, desenvolvido a partir de essências que remetem a conceitos como Chá na Varanda, Livro Novo e Cheiro de Inverno, fortalecendo o vínculo emocional com o público. A linha se completa com o conjunto Be Bold, marca-textos perfumados, ecobags inspiradas em personagens icônicos como Capitu e Dom Quixote, além de mouse pad, kits de porta-copos magnéticos, marca-páginas, bottons e expositor exclusivo para os pontos de venda.
“A Leitura tem algumas coisas muito diferentes. A central manda sugestão das novidades, mas a loja tem autonomia para mudar. Acreditamos que quem manda no negócio e na loja é o cliente. Então, cada região tem uma característica. Se é um bairro com muitos idosos ou se tem uma universidade, isso faz diferença. Cada área da loja tem um padrinho que entende profundamente daqueles produtos e pode auxiliar o cliente”, pontua.
Lojas físicas seguem no centro da estratégia
Ainda que seja uma das maiores vendedoras de livros pela internet, a Leitura segue apostando na expansão das unidades físicas, especialmente em shopping centers, ainda que eventualmente seja preciso fechar alguma loja.
No ano passado, o fenômeno dos livros para colorir com canetinha fez com que a venda surpreendesse. Do total de 14 milhões de livros vendidos, um milhão foi de colorir. A estimativa para este ano é repetir os 14 milhões de livros vendidos, mas sem os livros de colorir. Em 2026, a expectativa é pelo desempenho dos álbuns de figurinhas da Copa do Mundo.
“O livro continua sendo o nosso principal negócio. Para ter sucesso no on-line, em vez de concentrar as vendas em um único centro de distribuição, utilizamos praticamente todas as lojas como pontos de atendimento. Somando o estoque das unidades, enquanto as editoras mantêm hoje cerca de 200 mil títulos vivos, nós chegamos perto de 300 mil. Isso amplia muito a nossa variedade e foi um dos fatores que nos levou, nos últimos três anos, a nos tornar a segunda maior plataforma de venda de livros do Brasil. Mesmo assim, o nosso investimento ainda é maior no comércio físico. A internet cresce mais em termos percentuais, mas, em valor absoluto, as livrarias físicas avançam mais. Hoje, o digital ainda representa um pouco menos de 20% das vendas de livros e, nas demais categorias, não chega a 10%”, afirma o CEO da Livraria Leitura.
A estratégia da Leitura ocorre em meio a uma recomposição do mercado editorial brasileiro. Após a crise que levou redes tradicionais à recuperação judicial e reduziu a presença de grandes livrarias no varejo, o setor passou a conviver com um modelo híbrido, em que plataformas digitais ampliaram participação, mas as lojas físicas se reposicionaram como espaços de experiência cultural.
Nesse ambiente, livrarias que conseguem combinar gestão financeira conservadora, diversificação de produtos e presença territorial têm encontrado espaço para crescer. A ocupação de pontos comerciais antes operados por concorrentes e o fortalecimento do público jovem leitor, impulsionado por fenômenos editoriais e pela cultura pop, ajudam a sustentar um novo ciclo de expansão para redes estruturadas.
Leitura em números
• 10 novas lojas previstas para 2026;
• 143 unidades previstas no País até o fim do ano;
• R$ 15 milhões em investimentos na expansão;
• 25% de crescimento projetado nas vendas em 2026;
• 3 mil eventos culturais realizados por ano nas lojas;
• 14 milhões de livros vendidos em 2025;
• 1 milhão de livros de colorir vendidos no ano passado;
• 300 mil títulos disponíveis somando os estoques das lojas;
• 2ª maior plataforma de venda de livros do Brasil;
• Menos de 20% das vendas de livros vêm do on-line.
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