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Loja física aumenta a sua relevância como local de experiência

Fator está relacionado ao avanço da tecnologia e das novas jornadas de compra do cliente
Loja física aumenta a sua relevância como local de experiência
Galeria Magalu, em SP, busca oferecer diversas experiências aos clientes | Foto: Divulgação Magalu

São Paulo – A loja aumenta a sua relevância como ponto de experiência da marca, indo muito além de hub logístico (ponto de entrega e troca de produtos comprados on-line), segundo o sócio da Varese Retail, Alberto Serrentino, E isso tem a ver com o avanço da tecnologia e das novas jornadas de compra do cliente.

“À medida que o varejo avança na IA conversacional [chatbots que simulam linguagem humana natural], é preciso preparar a empresa para novas formas de comprar do cliente. Neste cenário, a IA agêntica [que executa uma série de ações com o mínimo de intervenção humana] ganha protagonismo muito maior”, diz ele, se referindo às compras programadas. As lojas físicas entram como contraponto: se de um lado os consumidores terão jornadas digitais mais automatizadas, também vão querer humanização e interação.

A presidente da consultoria Grupo Bittencourt, Lyana Bittencourt concorda. “Em um mundo muito automatizado, o luxo vai ser conversar com alguém de carne e osso”, diz a empresária. O dia a dia será resolvido por robôs, em que o agente de IA pessoal do consumidor vai buscar os melhores produtos, ofertas, preços, condições de pagamento junto aos bots das varejistas, afirma. “Mas quando quero uma curadoria mais personalizada, procuro uma loja”, acrescenta.

O Brasil já tem alguns exemplos dessa nova proposta. Em julho, a Renner reinaugurou sua loja no shopping Morumbi, zona sul de São Paulo, sob o conceito de loja circular. Com investimento de R$ 18 milhões, o ponto de venda foi construído apenas com materiais duráveis e recicláveis, usa 100% de energia renovável e tem consumo reduzido de água e CO2. A loja conta com o coletor EcoEstilo (onde o cliente descarta peças usadas que serão recicladas ou doadas). Hoje, 80% dos itens da Renner já são produzidos com materiais ou processos sustentáveis.

Com 3,8 mil metros quadrados (m²) e fachada de telas de LED curvas, o ponto de venda oferece provadores amplos, com lounge para acompanhantes, além de cabine para influenciadores criarem conteúdo. “A gente quer levar essa experiência de provar uma roupa e mostrar para uma amiga, para um acompanhante, para mais lojas, transformar esse provador quase em um camarim”, diz Fabio Faccio.

Também o Magazine Luiza inaugurou em dezembro a Galeria Magalu, no Conjunto Nacional, na avenida Paulista. A empresa não revelou o investimento no complexo de 4 mil m², que reúne as principais marcas do grupo: Magalu, KaBuM!, Netshoes, Época Cosméticos e Estante Virtual. Disse apenas que o valor equivale a dez vezes ao de uma loja comum.

Reportagem distribuída pela Folhapress

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