Midea expande produção no Brasil para diminuir importação da China e aumentar competitividade
Em seu país natal, a China, a Midea é hoje a marca de eletrodomésticos com o maior faturamento e valor de mercado do setor, competindo com outras gigantes do país, como a Haier e a Gree. Agora, executivos do braço latino-americano, a joint venture Midea Carrier, querem que a companhia diminua sua dependência de peças e produtos importados, em grande parte chineses, para aumentar a competitividade no setor.
Hoje, a companhia disputa espaço com outras tradicionais, como a Electrolux e a Whirlpool, grupo que reúne marcas como Brastemp e Cônsul.
“Você tem que estar com uma instalação industrial no Brasil. Você tem que ter uma cadeia de suprimentos bem estabelecida, você tem que ter cadeia logística, senão você não consegue competir, né?”, disse o CEO da Midea Carrier Brasil, Argentina e Chile, Felipe Costa, à reportagem. “O Brasil é do tamanho de um continente.”
Dos investimentos recentes, o maior foi um aporte de R$ 600 milhões em uma fábrica de eletrodomésticos essenciais inaugurada em dezembro de 2024, em Pouso Alegre (MG). O espaço já conta com uma expansão em andamento.
Em 2025, foram cerca de R$ 270 milhões em unidades industriais e logísticas e em uma manufatura de motores de ar-condicionado. Um dos objetivos principais é cumprir o plano de industrialização do país, assim como desviar do complexo e caro sistema de impostos de importação.
Uma empresa que deseja importar peças ou produtos prontos para manufatura ou venda no Brasil enfrenta hoje um sistema de sobreposição de taxas. Além de diversos tributos federais, como o de importação e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), a companhia paga ainda o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que varia conforme a unidade da federação. O valor final pode chegar ao dobro do custo do produto.
“Para jogar no mercado brasileiro, um mercado bem extremo que a gente chama de elétricos domésticos e ar-condicionado, você tem que ter fabricação local. E acho que a gente amadureceu como companhia a ponto de chegar e estar seguro de fazer esse investimento”, afirma Costa.
Fundado em 1968, o Grupo Midea conta com 190 mil funcionários pelo mundo e tem receita total de 409,1 bilhões de yuans chineses (aprox. R$ 286 bilhões). Em 2024, a empresa estava em 246º lugar no ranking Fortune Global 500, que lista as companhias mais ricas do mundo por meio da receita.
O empreendimento chinês se apresenta como uma casa de inovação e tecnologia, aspecto que Costa vê como mais reconhecido pelo público brasileiro, que antes tinha maior resistência em relação a produtos chineses.
“As últimas pesquisas que temos feito mostram que a percepção da marca chinesa mudou muito na cabeça do consumidor brasileiro. E acho que hoje as marcas chinesas não têm aquela ‘rejeição’, entre aspas, que tinham no passado”, diz.
“E acho também que, como tem esse consumidor mais jovem, que é ávido por novidade, e os produtos chineses estão hoje supertecnológicos, de qualidade, ele associa hoje marcas chinesas mais com inovação acessível do que com uma coisa barata.”
Em 2024, a receita bruta da empresa foi de R$ 6 bilhões, puxada por uma alta na venda de aparelhos de ar-condicionado causada pelo verão que bateu temperaturas recordes no país. O movimento observado pela companhia chinesa também foi sentido por concorrentes, como a Electrolux. O clima impulsionou as vendas do eletrodoméstico e fez com que a empresa sueca tivesse desempenho “excepcional” no ano, segundo entrevista do CEO global, Yannick Fierling, à reportagem.
Apesar de ter o ar-condicionado como carro-chefe, a empresa chinesa investe também em refrigeradores e máquinas de lavar, eletrodomésticos que foram alvo do maior investimento em manufatura nos últimos anos, com a fábrica de Minas Gerais.
Dados do Euromonitor mostram que os principais nomes da categoria de refrigeradores no Brasil são Consul, Electrolux, Brastemp, Midea e Panasonic. Já entre as máquinas de lavar estão Samsung, LG, Midea, Hisense e Panasonic.
“Nós temos uma capacidade de 1,3 milhão de unidades ao ano aqui em Pouso Alegre, para geladeiras e máquinas de lavar. Obviamente, nós queremos usar ao máximo essa capacidade e, por isso, vamos expandir no ano que vem também”, afirma Costa.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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