Hotéis de lazer em Minas esperam 2026 de alta ocupação com os feriados prolongados no País
O fim de 2025 e a primeira semana de 2026 deixaram o setor de hotéis de lazer otimistas com o restante do ano que acabou de se iniciar. Somente no Réveillon, houve 98,63% de ocupação em Minas Gerais. E o motivo para vislumbrar uma boa temporada é o farto número de feriados prolongados. Somente as datas comemorativas nacionais, que podem ser “emendadas”, com fins de semana, chegam a 10 no total.
“Estamos falando aí de pelo menos 10 feriados prolongados, podendo ter mais dependendo da região do hotel. Temos de considerar os feriados municipais que, às vezes, têm um impacto regional grande”, diz o presidente da Associação Mineira de Hotéis de Lazer (Amihla), Alexandre Santos.
O dirigente da entidade também apontou que uma “guerra de preços” possa pressionar os valores das diárias para baixo, mas que, no fim, será uma vantagem tanto para os hotéis quanto para os clientes, que poderão ter vasta oferta de pacotes.
“A gente sabe que com a oferta maior, a tendência é que as diárias sejam pressionadas para baixo, porque você tem uma pulverização de ofertas. O que de certa forma é bom, porque cria um ano com uma taxa de ocupação um pouco mais atrativa para o lado do hotel em termos de volume de negócios e para o hóspede, pois será mais atrativo no sentido de ter maior oferta. Ele pode escolher um destino e uma promoção que se encaixe melhor aos destinos do hóspede”, explica Santos.
Cautela no início do ano
Apesar do otimismo com o ano, a primeira quinzena de janeiro ainda precisa melhorar. Um levantamento realizado pela Amihla indica que a ocupação média prevista para o mês de janeiro será de 55,41%, com possibilidade de alcançar picos de até 70% em períodos de maior demanda. Isso não desanima os hoteleiros.
Segundo Alexandre Santos, os dados da pesquisa revelam um comportamento mais cauteloso do turista, influenciado pelo contexto econômico do início do ano, período tradicionalmente marcado por maior concentração de despesas das famílias.
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“No Natal, a ocupação foi um pouco menor, mas a expectativa para o janeiro está em torno de 55% de ocupação. Entretanto, com tendência de melhora à medida que o tempo firme. A gente acredita que em janeiro os hotéis devam atingir em torno de 70% de ocupação média”, ressalta o presidente.
“Esse cenário de crescimento ao longo do mês é reforçado pelo forte ciclo de chuvas registrado no começo de 2026, fator que também interfere na decisão de viagem. A normalização do fluxo financeiro das famílias, após os compromissos do início do ano, pode gerar uma tendência consistente de aumento da demanda, especialmente na segunda quinzena do mês”, completa.
Cenário de 2026 amplia desafios da hotelaria
O presidente da Amihla ressalta que 2026 se trata de um ano atípico, influenciado por fatores que historicamente impactam o comportamento do turismo, como a realização da Copa do Mundo e o processo eleitoral.
Soma-se a esse contexto a dinâmica da economia global e, especialmente, o cenário econômico nacional, apontado como um dos principais entraves em função das incertezas e do ambiente de insegurança.
“A Copa do Mundo, nas últimas edições, não teve um impacto significativo na ocupação dos hotéis de lazer. A maioria dos jogos que acontecem durante a semana, ou as empresas terminam o expediente um pouco antes, ou quando o jogo é muito cedo, as pessoas chegam um pouco mais tarde, não gerando um movimento de fluxo de viagem. A não ser que o Brasil chegue às quartas de final, pelo menos, e a data coincidir com o final de semana. Assim, pode ser feito alguma ação voltada para o futebol em algum hotel. Mas de maneira geral, a Copa do Mundo não apresenta um reflexo significativo dentro da ocupação dos hotéis de lazer”, explica Santos.
Discutindo o setor
Diante desses desafios, a entidade vai promover mais uma edição do Congresso anual Amihla – Desafios da Hotelaria, que reúne hoteleiros e lideranças de todo o Estado para debater tendências, gestão, inovação e os rumos do turismo de lazer. O evento, que acontecerá nos dias 27 e 28 de maio, no Centerminas Expo, em Belo Horizonte, integra a estratégia da entidade de estimular o desenvolvimento e a competitividade da hotelaria mineira.
“Para esse ano, o evento vai focar muito no desenvolvimento de pessoas. Também muito na questão do bem-estar, saúde mental, considerando a NR1, que é um ponto importante para esse ano, e muito sobre os pontos gerenciais necessários para que os hotéis possam performar num ambiente cada vez mais competitivo. Obviamente, deverão entrar em pauta em alguns dos nossos conteúdos e nos debates e palestras, questões econômicas referentes ao momento que nós estamos vivendo e também sobre retenção de talentos e desenvolvimento de talentos para a hotelaria”, finaliza.
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