Negócios

Mineira lança construções em concreto com impressora 3D

Nova Lima, na RMBH, terá o primeiro eletroposto viabilizado com a tecnologia; projeto foi desenvolvido pela Cosmos 3D
Mineira lança construções em concreto com impressora 3D
Empresa mineira viabilizou a impressora e o insumo, que é um concreto com características específicas; produto é impresso, camada sobre camada | Foto: Divulgação Cosmos 3D

Encontrar objetos para os mais diferentes usos fabricados a partir de impressoras 3D já não é uma novidade. De brinquedos a instrumentos de alta precisão, essa tecnologia é capaz de reduzir tempo e custo de produção, evitar desperdício de material e custo de mão de obra na maioria dos casos. E até os setores mais resistentes já estão aderindo ao uso da impressora 3D. O mais recente é o setor da construção civil. Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), vai abrigar o primeiro eletroposto construído com uma impressora 3D que opera com concreto.

O empreendimento, que deve ser inaugurado antes do Carnaval, teve o projeto desenvolvido pela Cosmos 3D – empresa do Grupo Katz. Todas as estruturas do posto de recarga elétrica foram impressas em ambiente controlado, com uso de equipamentos de alta precisão e microconcreto de alto desempenho, o Cosmoscrete, desenvolvido pela própria empresa, sediada na Capital.

De acordo com o CEO do Grupo Katz e cofundador da Cosmos 3D, Daniel Katz, o empreendimento marca um passo inédito da impressão 3D aplicada à infraestrutura urbana no País.

“Desenvolvemos a impressora e o insumo que é um concreto com características específicas para a impressora e que, ao mesmo tempo, confere as especificações técnicas exigidas pela legislação brasileira e que garantem a segurança do usuário. A impressora tem uma área de impressão de 4m X 5m X 10m. O produto impresso, camada sobre camada, é esse concreto desenvolvido por nós. Este é o primeiro centro comercial do Brasil que usa essa tecnologia. Nós imprimimos as paredes na fábrica enquanto a fundação é feita no lugar”, explica Katz.

Tanto o concreto como o processo construtivo foram avaliados e laudados pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo o empresário, o custo da obra por metro quadrado fica próximo ao das obras convencionais – entre R$ 800 e R$ 1200, mas à medida que a tecnologia se popularizar os valores devem cair rapidamente. Neste momento as vantagens estão na diminuição dos prazos de entrega, na redução do desperdício – cerca de 5% – e uma menor pegada de carbono. Estudo feito pela empresa demonstrou uma queda de 320g de CO2 para 80g de CO2 emitidos por tonelada produzida pela impressora 3D contra a construção em concreto tradicional.

A Cosmos 3D é uma joint venture do Grupo Katz com a espanhola IT3D e já tem projetos também em Portugal, além de Brasil e Espanha e já desenvolveu junto com o Instituto de Crédito Oficial (ICO), entidade pública que atua como banco de fomento do Estado espanhol, equivalente ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Brasil, uma linha de crédito para a aquisição da impressora, cujo preço varia entre 350 mil euros e 490 mil euros a depender do modelo.

O próximo passo da empresa é lançar o modelo de franquias, a partir do qual o investidor poderá ter uma impressora na sua região, receber treinamento da Cosmos 3D e captar obras particulares e públicas. O projeto de franqueamento já está em desenvolvimento e deve ser lançado no segundo semestre de 2026.

“Nossa visão é aplicar a impressão 3D para além da habitação. Queremos transformar a maneira como o Brasil constrói infraestrutura. Estamos diante de uma mudança de paradigma. Uma obra limpa, inteligente e sustentável, feita muito rapidamente e com impacto ambiental mínimo. Acredito que em cinco anos essa será a tecnologia dominante também nas obras públicas”, completa o CEO do Grupo Katz.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas