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MRV&CO cresce em vendas no 1º trimestre, mas mercado tem leitura prudente

Mesmo com geração de caixa consolidada, bancos como Itaú BBA e BTG Pactual apontam consumo de caixa doméstico e vendas abaixo do esperado
MRV&CO cresce em vendas no 1º trimestre, mas mercado tem leitura prudente
Crédito: Nitro Imagens/MRV

A MRV&CO divulgou, nesta semana, os dados operacionais referentes ao primeiro trimestre de 2026 e informou geração de caixa consolidado de R$ 387 milhões no período. Embora os índices da empresa tenham mostrado avanços, principalmente nas vendas, lançamentos e produção, bancos adotaram leitura mais cautelosa dos dados operacionais.

As análises do Itaú BBA e do BTG destacaram o consumo de caixa na operação doméstica e vendas abaixo das estimativas, o que manteve o tom cético do mercado em relação à recuperação da companhia.

A prévia operacional mostra que a geração de caixa foi sustentada, principalmente, pela venda de ativos da Resia, nos Estados Unidos, e pela operação de incorporação no Brasil, que gerou R$ 128 milhões. No entanto, os bancos destacaram que apesar do cenário de melhora, ainda houve uma queima de caixa de R$ 21 milhões no período, esse resultado frustrou expectativas de geração positiva mais robusta.

Segundo análise do BTG Pactual, os números do trimestre foram mistos, com lançamentos e vendas sólidos, mas fluxo de caixa no Brasil mais fraco do que o projetado, o que tende a pesar na reação do mercado.

Na avaliação do Itaú BBA, o desempenho operacional foi classificado como fraco. Embora os lançamentos tenham vindo em linha com as projeções, as vendas ficaram cerca de 6% abaixo das estimativas e a geração de caixa doméstica continuou limitada. Dessa forma, o banco entende que há a necessidade de melhora estrutural no fluxo de caixa para sustentar uma visão mais positiva sobre a companhia.

Operacional cresce, mas caixa limita leitura

A MRV Incorporação registrou vendas líquidas de R$ 2,5 bilhões no primeiro trimestre, alta de 14% na comparação anual. Os lançamentos somaram R$ 2,9 bilhões, avanço de 0,9% frente ao mesmo período do ano anterior, enquanto a produção alcançou 9.747 unidades, um crescimento de 3,1%.

Apesar do crescimento operacional, ambos os bancos destacam que o desempenho comercial não foi suficiente para compensar a fraqueza na conversão em caixa.

Resia sustenta geração de caixa

A operação internacional foi o principal fator para a geração consolidada positiva. A Resia registrou geração de caixa de US$ 59 milhões no trimestre, impulsionada pela venda de um projeto e de terrenos, além de avanços na pré-locação dos empreendimentos. Esse movimento reforça a estratégia de desalavancagem da MRV&CO, mas também evidencia a dependência de eventos pontuais para sustentar o caixa consolidado, outro ponto citado pelos bancos como fator de risco para a visibilidade da recuperação.

Minha Casa Minha Vida e perspectiva

Apesar da resistência do mercado em relação aos resultados da MRV&CO, a empresa reforça a tendência de melhora nos resultados, uma vez que será impactada pelas mudanças recentes no programa Minha Casa Minha Vida. A companhia informa que tem feito ajustes para refletir as novas condições de crédito, com expectativa de melhora gradual da performance comercial ao longo dos próximos trimestres.

Ainda assim, a leitura dos bancos permanece prudente. O Itaú BBA manteve recomendação neutra e apontou que uma visão mais otimista depende de geração de caixa mais consistente no Brasil e de novas vendas de ativos da Resia. Já o BTG Pactual reiterou recomendação de compra, mas destacou que a normalização dos resultados está demorando mais que o previsto, mantendo a incerteza no curto prazo.

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