Seleta completa 45 anos com edição de cachaças especiais
Criada em 1980, em Salinas, no Norte de Minas, a cachaçaria Seleta chega aos 45 anos na luta diária pela valorização da bebida, que é um símbolo nacional, por meio da qualidade. Com produção de 2,1 milhões de litros em 2025, a marca tem como lema “fazer cachaça para quem aprecia cachaça, de forma artesanal, como manda a tradição”.
De acordo com o CEO da Seleta, Gilberto Luiz, a busca pela qualidade foi a principal estratégia para ajudar a mudar a mentalidade do brasileiro sobre a bebida.
“Sempre houve um grande preconceito sobre a cachaça, mas aos poucos os brasileiros foram entendendo que, além de ser um símbolo carregado da nossa história e cultura, a cachaça é uma bebida de qualidade, que não fica a dever sensorialmente ou em qualidade físico-química a qualquer outra bebida de grande identificação com seus países de origem como a Tequila mexicana ou a vodka russa, por exemplo”, defende.
Para garantir o volume e a qualidade da produção, a empresa produz, em duas fazendas também em Salinas, praticamente toda a cana utilizada e todas as etapas fabris são acompanhadas por testes realizados por um laboratório próprio e outro externo.
Para comemorar os 45 da cachaçaria, a Seleta lança o último item da coleção Asas: a Seleta 5 Madeiras Porcelanas Asas. A bebida une, em uma única garrafa, os sabores e aromas das cinco madeiras utilizadas nos produtos da marca ao longo do tempo.
Resultado de um processo cuidadoso e diversas combinações, a Seleta 5 Madeiras apresenta um blend exclusivo e equilibrado, que respeita as características sensoriais de cada madeira sem sobreposições. São elas:
- Umburana: notas adocicadas de baunilha e canela;
- Bálsamo: toque aromático e amargor elegante;
- Carvalho Francês: suavidade e leve tostado;
- Ipê-amarelo: leve doçura e delicadeza;
- Jequitibá: madeira neutra, que garante frescor e leveza à bebida.
Com graduação alcoólica de 40% e 4,5 anos de armazenamento, a novidade chega ao mercado em garrafas de porcelana de 670 ml, em formato de cabeça de águia, que é o símbolo da marca.
“A Asas, que começou em 2023, é formada por itens colecionáveis com as marcas produzidas pela Seleta em garrafas especiais de porcelana e faltava uma, a central, que precisava ser algo especial. Daí a ideia das 5 madeiras, formando um blend único misturando em perfeito equilíbrio o que fazemos de melhor para comemorar os nossos 45 anos. Assim, ela é a cabeça da Águia e as demais, as asas”, explica.
“Tarifaço” impacta vendas da Seleta, mas cachaça segue conquistando estrangeiros
Vendendo para todo o Brasil e exportando para países como Estados Unidos, Japão, Portugal, Itália e Austrália, principalmente, a Seleta fechou 2025 com aumento no volume de produção e uma ligeira queda no faturamento em virtude da diminuição da exportação para os Estados Unidos (EUA), após o “tarifaço” imposto pelo país a todos os produtos brasileiros, em junho. Outro fator foram as notícias de contaminação de bebidas destiladas por metanol em diferentes estados do Brasil, mesmo não tendo acontecido em Minas Gerais e nem com nenhum rótulo de cachaça.
A expectativa para 2026 é recuperar o terreno perdido e crescer 10% no total. O grande número de feriados prolongados e a Copa do Mundo Fifa devem impulsionar o consumo.

“No semestre passado sentimos essa retração do mercado norte-americano e chegamos a diminuir nossa margem de lucro para tornar o produto mais barato, mas não foi o suficiente para segurar o valor pago pelo importador. No exterior a cachaça é, claro, mais consumida pela colônia de brasileiros, mas já existe um consumo do nativo que traz novos consumidores para a bebida”, avalia.
Outra boa notícia para 2026 é que a partir da assinatura do Acordo Comercial entre a Europa e o Mercosul, cerca de 38 indicações geográficas agrícolas brasileiras terão seus nomes protegidos automaticamente em todo o território da União Europeia, garantindo que nenhum produtor europeu possa utilizar indevidamente marcas que carregam a história e a qualidade das regiões do Brasil.
Com o Tratado, o termo “cachaça” passa a ser de uso exclusivo do Brasil no mercado europeu, impedindo que destilados produzidos na Europa sejam rotulados com este nome. Antes, essa proteção existia apenas nos Estados Unidos, Colômbia, México e Chile. Além da denominação geral, regiões específicas também foram blindadas:
- Cachaça de Salinas,
- Abaíra (BA),
- Paraty (RJ).
Duas preocupações, porém, devem pontuar as ações da Seleta este ano: a escassez de mão de obra, especialmente durante o período da safra, entre maio e setembro, e os cuidados com a responsabilidade ambiental.
“A sustentabilidade não é mais uma opção, ela é parte do negócio. Temos controle e fiscalização constante que vão desde o nível de ruído da caldeira até a qualidade do solo. A Vinhaça (rejeito da fermentação do caldo de cana) e o bagaço vão para a alimentação dos animais e adubação e temos parceiros para coleta e reciclagem das garrafas de vidro”, destaca o CEO da Seleta.
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