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Pandemia deixou líderes mais ansiosos

Pandemia deixou líderes mais ansiosos
O que todo mundo quer hoje em dia é trabalhar feliz, ser reconhecido, defendeu Erika Moraes | Crédito: Divulgação

Celebrado em 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental visa chamar a atenção para o adoecimento mental ao redor do planeta, desde 1992. O alerta, que já era dado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o crescente acometimento de doenças como depressão, ansiedade, síndrome de burnout, entre outros, foi definitivamente compreendido e se tornou preocupação dentro das empresas a partir da crise desencadeada pela pandemia, em 2020.

Nesse tempo, ficou claro que esses problemas não escolhem classe social, atividade laboral, idade ou etnia. Dentro das empresas, o mito dos líderes infalíveis e com solução para tudo ruiu de vez e eles se mostraram também humanos.

Essa foi uma das conclusões da pesquisa Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho, realizada pela The School of Life, em parceria com a Robert Half .

A ansiedade foi o principal impacto da pandemia na saúde mental de 63,51% dos 296 líderes e 64,10% dos 195 liderados de diversas regiões do Brasil. Com opção de múltipla escolha, a lista de impactos na saúde mental dos líderes se completa da seguinte forma: estresse (47,64%), insônia (27,36%), burnout (19,59%) e depressão (9,80%). Já entre os liderados, após a ansiedade, aparecem: desânimo (51,79%), estresse (46,15%), insônia (16,41%), depressão (10,26%) e burnout (8,72%). Do total, apenas 12,50% dos líderes e 7,69% dos liderados afirmaram não ter sofrido abalo na saúde mental durante a pandemia.

De acordo com a gerente de Recrutamento da Robert Half, Erika Moraes, as mudanças impostas pela pandemia mostraram que, embora com rotinas diferentes, líderes e liderados são bastante parecidos nas suas dificuldades e que ambos merecem cuidados.

“A pandemia mostrou que, ao fim de tudo, somos todos humanos. Somos gestores gerindo pessoas e o que todo mundo quer é trabalhar feliz, ser reconhecido. Quando cada um foi pra casa, a questão da individualidade apareceu para os times. No escritório tinha o efeito manada, a coisa acontecia e se resolvia de alguma forma em grupos. Fazer a interface entre cada interesse e o meu trabalho como gestor passou a ser rotina”, explica Erika Moraes.

A nova realidade parece ter acendido o sinal amarelo nas empresas, cada vez mais preocupadas e atuantes sobre a saúde mental das equipes, ainda que muita gente ainda se sinta abandonado. Entre os 491 profissionais entrevistados (líderes e liderados), 60,97% afirmaram que, nesse período de pandemia, sentiram o aumento do nível de preocupação das empresas nas quais atuam com relação ao bem-estar e à saúde mental da equipe. Ainda assim, uma parcela (10,68%) afirma que a organização na qual trabalha não se preocupa com o tema e 37,86% dos profissionais dizem não sentir que têm liberdade para expor seus sentimentos e emoções no ambiente de trabalho.

Tudo isso mostrou que, muitas vezes, a falta de engajamento ou produtividade de um profissional está relacionada a questões emocionais e não a falta de habilidades técnicas. Mais da metade dos líderes (52,03%) e dos liderados (58,46%) admitiu que, em algum momento desse período de pandemia, deixou de produzir ou se engajar no trabalho por estar emocionalmente abalado. Um fator que preocupa bastante nesse cenário é que uma parte dos profissionais entrevistados (15,88% dos líderes e 14,36% dos liderados) relatou que simplesmente não têm cuidado da própria saúde mental e emocional.

“A ansiedade sempre existiu. A diferença, agora, é a liberdade de exposição. Hoje existe uma escuta ativa. Como executiva, preciso atrair e reter talentos e para isso vou mudar a estrutura. A preocupação das empresas com o bem-estar aumentou porque esse é um valor que as pessoas não vão mais abrir mão. Durante a pandemia, os líderes perceberam um aumento de produtividade. O nível de lealdade de quem ficou, cresceu. Gente feliz produz melhor. É importante que as empresas durante o processo seletivo – principalmente quando elas vão ao mercado buscar pessoas – mostrem o que são, quais os valores e o tipo de profissional que ela precisa”, pontua a gerente de Recrutamento da Robert Half.

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