Páscoa inclusiva impulsiona venda de chocolates sem açúcar e lactose
A tradicional troca de ovos de chocolate na Páscoa tem ganhado novos significados nos últimos anos. Em meio ao aumento de diagnósticos de restrições alimentares e à busca por hábitos mais saudáveis, cresce a procura por produtos sem glúten, sem lactose e sem adição de açúcares, uma tendência que já impacta diretamente o comércio em Belo Horizonte e em todo o País.
Na capital mineira, a gerente da Low Carb BH (padaria especializada em produtos para quem possui restrições alimentares), Carolina Araújo, observa essa mudança de comportamento no dia a dia da loja que gerencia ao lado do irmão, que é o proprietário do empreendimento, Luiz Araújo.
“Antes da pandemia, a procura era maior entre pessoas com restrições alimentares. Depois, observamos que os clientes passaram a se preocupar mais em comer melhor e o movimento aumentou muito”, afirma.
Segundo ela, o público deixou de buscar esses produtos apenas por necessidade médica e passou a adotá-los como escolha de estilo de vida. “Hoje, muitos clientes nos procuram não por terem um problema de saúde, mas porque querem uma alimentação melhor”, conta.
A empresa oferece desde itens básicos, como café da manhã, até produtos sazonais. Para a Páscoa, o cardápio já inclui ovos de chocolate adaptados. “Temos ovos sem glúten, sem açúcar e opções sem lactose”, explica Carolina Araújo.
Diferenciais que atraem também aqueles que buscam uma alimentação mais equilibrada. Um levantamento do Ministério da Saúde, por meio do sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), aponta aumento no número de brasileiros que adotam hábitos mais saudáveis, como a redução no consumo de açúcar e de alimentos ultraprocessados.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com doenças crônicas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, o Brasil tem cerca de 20 milhões de pessoas com diabetes, além de um grande número de pré-diabéticos, público que representa parcela relevante no negócio dos irmãos. “A maioria dos nossos clientes é diabética ou pré-diabética. Muitas pessoas descobrem isso mais tarde e precisam mudar a alimentação”, diz Carolina Araújo.
A Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil aponta que a doença celíaca ainda é subdiagnosticada, com 80% das pessoas sem diagnóstico oficial, cenário que, no entanto, vem mudando. Com isso, a tendência é de expansão contínua do mercado de alimentos especiais, impulsionada tanto por necessidade médica quanto por escolha de estilo de vida.
Para a proprietária da Low Carb BH, o momento é claro: “Hoje atendemos desde quem tem restrições até quem quer apenas comer melhor. Esse público cresceu muito e continuará crescendo”, afirma.
Outro ponto levantado pela empresária é o papel que a empresa tem na inclusão. “Queremos oferecer ao cliente a oportunidade de não só ver os familiares comendo, mas também de poder comer e participar daquele momento, sobretudo em datas comemorativas como a Páscoa e o Natal”, destaca.
As grandes empresas do setor também têm se atentado a essas mudanças de hábitos e consumo. No portfólio da Cacau Show para a Páscoa 2026, por exemplo, dos 75 produtos, reunindo chocolates em diferentes formatos, sabores e faixas de preço, há itens sem lactose e sem adição de açúcares.
A proposta, segundo a empresa, é ampliar as possibilidades de escolha do cliente, atendendo a diferentes perfis de consumo, idades e ocasiões de presente.
De necessidade à escolha
A mudança no perfil do consumidor é percebida na própria origem da Low Carb BH. O proprietário Luiz Araújo conta que a empresa nasceu a partir de uma experiência pessoal com a alimentação. “A empresa nasceu em 2017, quando eu estava com 140 quilos. Comecei a estudar e a desenvolver receitas porque não havia muitos desses produtos no mercado”, relata.

Farmacêutico de formação, ele deixou o emprego após o aumento do interesse e da demanda de conhecidos. “Foi de um pedido para dois, para três. Cheguei a levar encomendas de ônibus e depois de táxi, até abrir a loja”, lembra.
Hoje, oito anos depois, o negócio se consolidou como uma padaria saudável, com produção própria e parcerias com profissionais da área da saúde.
Ouça a rádio de Minas