Presença feminina avança nas operações da mineração em Minas Gerais
A presença feminina na mineração ainda avança de forma gradual no Brasil, mas algumas empresas começam a estruturar políticas para ampliar a participação das mulheres em um setor tradicionalmente dominado por homens. Com programas de capacitação, metas de inclusão e estímulo à formação técnica, companhias do setor mineral buscam diversificar suas equipes e ampliar a presença feminina em funções operacionais, técnicas e de liderança.
Nesse contexto, a J. Mendes, com operações voltadas à produção e ao beneficiamento de minério de ferro em Minas Gerais, com unidades em Congonhas, Ouro Preto e Desterro de Entre Rios, região Central, tem adotado iniciativas voltadas à valorização e ao fortalecimento da participação das mulheres em suas operações, combinando programas internos de desenvolvimento profissional com políticas de diversidade e inclusão.
Em um setor historicamente marcado pela predominância masculina, a J. Mendes tem avançado de forma consistente na valorização e no fortalecimento da presença feminina na mineração. Com políticas estruturadas de diversidade, equidade e inclusão, a companhia investe na atração, retenção e desenvolvimento de talentos femininos, contribuindo para um ambiente mais inovador, colaborativo e produtivo.
Atualmente, considerando todas as empresas do Grupo J. Mendes, 245 mulheres integram o quadro de colaboradores, representando 18% da força de trabalho. A presença feminina vem crescendo progressivamente nos últimos anos, reflexo de iniciativas estratégicas voltadas à inclusão, com mulheres atuando em diversas áreas, desde cargos técnicos e operacionais até cargos de liderança. A meta é ampliar significativamente esse percentual, chegando a 20% até 2027, com foco especial nas funções operacionais e de gestão.
Um dos pilares dessa transformação é o Programa Mulheres de Ferro, lançado há quatro anos nas unidades de mineração Ferro+ em Congonhas e Ouro Preto e na JMN em Desterro de Entre Rios. A iniciativa é parte do compromisso da J. Mendes com o desenvolvimento humano. O programa promove capacitação, mentorias, rodas de conversa e fóruns internos que estimulam o protagonismo feminino e fortalecem uma cultura organizacional baseada na equidade e no respeito.
“O Programa Mulheres de Ferro representa nosso compromisso em promover a transformação que fará delas o poder em movimento. Acreditamos que equipes diversas contribuem para melhores resultados, trazendo diferentes perspectivas, experiências e soluções para os desafios do setor. Além disso, reforçamos nosso compromisso em promover a equidade de oportunidades, garantindo um ambiente acolhedor e respeitoso para todos”, afirma a gerente de Relações Institucionais da J. Mendes, Thereza Balbi.
Shuelen Cristine Santos é supervisora na área de automação e está há 15 anos na J. Mendes, tendo iniciado sua trajetória como estagiária. Ela conta que encontrou desafios no ambiente majoritariamente masculino, mas também conseguiu espaço para crescer. Seu conselho para as mulheres que querem ingressar nas carreiras do setor mineral é investir em qualificação e manter a confiança.
“Eu vejo que o número de mulheres aqui na empresa cresceu muito e a instituição como um todo tem melhorado, com mais incentivo. Já participei como palestrante do Mulheres de Ferro e, no ano seguinte, outra colega da elétrica também participou. Isso mostra que as mulheres estão, sim, ocupando espaços que antes eram vistos como masculinos e fazendo bem-feito. O conselho que eu dou é estudar e não deixar comentários ou julgamentos desanimarem. A gente ainda precisa mostrar que sabe fazer, então é buscar conhecimento e confiar na própria capacidade”, ensina.
Angela Braga é mãe de quatro crianças e operadora de produção. Há cinco anos fez a transição da cozinha industrial para a mina, saindo de uma área predominantemente feminina para outra dominada pelos homens. Ela garante que encontrou um ambiente acolhedor e respeitoso e que muitos colegas a incentivaram a se capacitar e assumir melhores posições na nova carreira.

“Quando a gente chega, o primeiro impacto é esse, da predominância masculina, mas eu fui muito bem recebida pelos colegas, sempre com respeito e incentivo. Corri atrás, fiz o técnico em mineração e senti apoio para crescer e fazer meu trabalho cada vez melhor. Hoje temos mulheres operando escavadeiras, caminhões, equipamentos que antes eram só de homens. A empresa abriu esse espaço, e eu digo para quem quer entrar: se capacite e não desista, porque a oportunidade existe”, garante.
Tecnologia redesenha perfil do setor
As iniciativas da companhia de valorização da força de trabalho feminina incluem proecrutamento direcionado a mulheres, parcerias com instituições de ensino para capacitação técnica e incentivo à entrada no setor de mineração, além de políticas ativas de retenção. A empresa também fortaleceu medidas de equidade salarial e oferece benefícios que apoiam a conciliação entre vida profissional e pessoal, como auxílio-creche e flexibilidade em determinadas funções.
Embora a oferta de mão de obra feminina ainda seja um desafio em determinadas áreas técnicas e operacionais, tanto pela qualificação quanto pela experiência, a Companhia tem atuado de forma estratégica para transformar esse cenário. A J. Mendes mantém investimentos contínuos em programas de capacitação, aprendizagem e ações de sensibilização interna, fortalecendo uma cultura organizacional pautada na equidade, no respeito e na valorização da diversidade. Em 2025, os programas de capacitação ofertados pela empresa abrangeram também o quadro feminino, ampliando de forma concreta o acesso das mulheres à qualificação técnica.
Outro fator determinante para uma maior participação das mulheres no setor mineral é a modernização dos processos e o avanço tecnológico. A automação de equipamentos, o uso de tecnologia remota e a digitalização das operações reduzem a exigência de força física, abrindo oportunidades para mulheres em funções antes restritas, inclusive na operação de máquinas e na gestão de processos industriais.
A ampliação da presença feminina na mineração acompanha uma mudança gradual no perfil do setor, impulsionada por avanços tecnológicos, novas práticas de gestão e maior atenção das empresas às políticas de diversidade. Em um ambiente que historicamente concentrou mão de obra masculina, iniciativas voltadas à qualificação, à inclusão e à criação de oportunidades de carreira têm ampliado o espaço das mulheres em áreas técnicas, operacionais e de liderança. Ao estruturar programas de formação e estabelecer metas de participação feminina, a J. Mendes sinaliza uma tendência crescente na indústria mineral: a de que equipes mais diversas podem contribuir para maior inovação, eficiência e sustentabilidade nas operações.
Mais mulheres na mineração
Participação feminina na J. Mendes
• 245 mulheres no quadro de colaboradores
• 18% da força de trabalho atualmente
• Meta de 20% até 2027
Programa Mulheres de Ferro
• Criado há quatro anos
• Presente nas unidades de Congonhas, Ouro Preto e Desterro de Entre Rios
• Oferece mentorias, capacitações e fóruns internos
Ações de incentivo
• Recrutamento direcionado a mulheres
• Parcerias com instituições de ensino
• Programas de capacitação técnica
• Incentivos à permanência e desenvolvimento de carreira
Transformação no setor
• Automação e digitalização reduzem barreiras físicas
• Ampliação de oportunidades em funções técnicas e operacionais
• Crescimento gradual da presença feminina na indústria mineral.
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