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Projeto em Itabirito transforma resíduos da mineração em solução para recuperação ambiental

Projeto propõe o reaproveitamento de resíduos para ajudar a conter erosão, estabilizar encostas e recuperar a vegetação
Projeto em Itabirito transforma resíduos da mineração em solução para recuperação ambiental
Projeto Ivoti, em Itabirito, na região Central do Estado, mostra que é possível transformar materiais que seriam descartados em soluções eficazes para o meio ambiente | Foto: Divulgação Projeto Ivoti

O que antes era visto apenas como um passivo ambiental da mineração vem ganhando um novo papel na recuperação de áreas degradadas. Tudo isso graças à proposta de um projeto de Itabirito, na região Central de Minas Gerais. Por meio do reaproveitamento de resíduos não perigosos de mineração, o Projeto Ivoti mostra como a engenharia ambiental pode transformar materiais que seriam descartados em soluções eficazes para conter a erosão, estabilizar encostas e impulsionar a regeneração da vegetação nativa.

Desenvolvido pelo Grupo Tazay, o projeto reúne estudos técnicos e aplicações práticas realizadas ao longo de mais de três anos, com foco em dar destino seguro a materiais minerários e, ao mesmo tempo, enfrentar um dos grandes desafios ambientais do País: a degradação acelerada do solo e o avanço de processos erosivos severos.

Ao contrário do que muitos imaginam, nem todo resíduo da mineração representa risco ao meio ambiente. Os chamados resíduos não perigosos são materiais que, após rigorosa caracterização técnica, não apresentam propriedades como toxicidade, inflamabilidade, corrosividade ou reatividade. Eles se enquadram como resíduos Classe II, conforme os critérios estabelecidos pela ABNT NBR 10.004, norma que rege a classificação de resíduos no Brasil.

Entre esses materiais estão os rejeitos minerais inertes, como areias e siltes provenientes do beneficiamento físico de minérios, especialmente o ferro, e os estéreis de mineração, formados por solos e rochas removidos durante a extração, mas sem valor econômico. Em termos técnicos, esses resíduos são quimicamente estáveis e possuem composição semelhante à de solos naturais já existentes no ambiente.

“Quando corretamente caracterizados e aplicados, esses resíduos podem ser aliados importantes na recuperação ambiental”, explica o responsável técnico pelo projeto Ivoti, o engenheiro de Minas Eduardo Diniz.

Antes de serem reaproveitados, os materiais passam por testes frequentes e rigorosos, seguindo as normativas ambientais vigentes, incluindo a versão mais recente da NBR 10.004, além de análises geotécnicas, geoquímicas e ambientais. Esse processo garante que apenas resíduos aptos e seguros sejam utilizados, assegurando a proteção do meio ambiente e das comunidades do entorno.

Terreno poderá ser revitalizado e ter novos usos

Na prática, os resíduos não perigosos de mineração têm papel central no combate a processos erosivos intensos, como as voçorocas, que provocam a perda acelerada do solo e comprometem a estabilidade do terreno. No Projeto Ivoti, esses materiais são utilizados para recompor o solo perdido, por meio do preenchimento controlado das áreas degradadas, sempre com acompanhamento técnico e critérios de engenharia.

“Esses materiais são fundamentais para conter o avanço da erosão e permitir a recomposição do solo. O resultado é uma revitalização completa do terreno, que passa a ter potencial para novos usos e para o retorno da vegetação”, destaca o responsável técnico pelo projeto Ivoti, o engenheiro de Minas Eduardo Diniz.

Além de estabilizar encostas e taludes, a recuperação cria condições favoráveis para a regeneração natural da vegetação e para a proteção de nascentes e cursos d’água, reduzindo o assoreamento e os impactos ambientais em áreas sensíveis.

Solução

O uso de resíduos de mineração também se mostra mais eficiente e viável do que a simples utilização de terra comum. A retirada de grandes volumes de solo natural costuma ser limitada pela disponibilidade e pelos altos custos logísticos. Já os resíduos minerários estão amplamente disponíveis e precisam, obrigatoriamente, de uma destinação ambientalmente adequada.

“Existe um encontro entre necessidade e oportunidade. O setor privado precisa destinar esses materiais de forma segura, e a recuperação ambiental demanda volume e investimento. Quando esses dois fatores se alinham, o processo se torna viável e sustentável”, pontua Diniz.

A estabilização do terreno, aliada a um projeto adequado de drenagem, evita que fluxos superficiais de água sejam direcionados de forma inadequada, impedindo o surgimento de novos focos de erosão e garantindo a durabilidade das intervenções.

Até janeiro de 2026, o Grupo Tazay já destinou mais de 4,1 milhões de toneladas de resíduos que, em vez de serem dispostos em pilhas, passaram a cumprir uma função estratégica na recuperação ambiental.

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