Projeto vai monitorar barragens de rejeitos

O Ciga, unidade organizacional do Caoma, tem por finalidade a prevenção de desastres ligados à atividade do setor
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Projeto vai monitorar barragens de rejeitos
Centro permitirá a visualização, rápida e eficiente, de informações relativas às barragens | Crédito: Divulgação/MPMG

A mineração, seja em Minas Gerais ou em qualquer parte do mundo, vem se transformando continuamente após os rompimentos das barragens de rejeitos ocorridos no Estado em 2015 e 2019. As tragédias causaram a perda de centenas de vidas e impactaram profundamente famílias, negócios, meio ambiente e o próprio setor.

Desde então, agentes públicos e privados se engajam para o aprimoramento das práticas e cumprimento das leis junto às empresas e aos órgãos fiscalizadores de forma a não deixar que episódios como os citados não se repitam nunca mais.

É também a partir deste propósito que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por intermédio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente (Caoma), acaba de lançar o Centro Integrado de Gestão Ambiental (Ciga).

Um centro de inteligência e de controle integrado que permitirá a visualização rápida e eficiente de informações relativas às barragens de rejeitos localizadas em cidades mineiras.

A ideia é sistematizar e disponibilizar, de forma simples e direta, os dados produzidos pelas auditorias independentes, órgãos públicos e mineradoras. O projeto foi concebido pelo MPMG, em parceria com o governo de Minas Gerais e com o apoio técnico do Reino Unido. Segundo o coordenador do Caoma, o promotor de Justiça Carlos Eduardo Ferreira Pinto, desde o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (RMBH), o MPMG vem trabalhando com várias auditorias para o controle dos reservatórios.

“Hoje sabemos muito mais sobre essas estruturas, temos mais poder de atuação e conseguimos agir de maneira preventiva quando necessário. Mas há um volume muito grande de informações extremamente técnicas e complexas que precisam ser acompanhadas. E, a experiência de auditorias internacionais, desenvolvemos o Ciga para atuar como uma central de inteligência e acompanhamento real, que nos permite receber as informações de maneira qualificada e utilizá-las de maneira técnica e competente na tomada de toda e qualquer decisão”, explica.

Integração dos dados das barragens

O Ciga conta com tecnologias que apresentam, em painéis de controle, informações como o atendimento a condicionantes ambientais, recomendações de auditorias, decisões judiciais ou outras exigências administrativas, por exemplo.

Além disso, os dados compilados poderão ser integrados com os sistemas de autarquias e de diferentes esferas do poder público, além de outras iniciativas, como o Centro de Geotecnologias e Monitoramento Ambiental Territorial (CGMAT), da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam); o Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração (SIGBM), da Agência Nacional de Mineração (ANM); entre outros.

Outro ponto focal do Ciga diz respeito à disponibilização das informações à população sobre as barragens de rejeitos existentes em Minas Gerais, atendendo aos anseios de transparência e publicidade.

E, além de desenvolver atividades relacionadas à prevenção de desastres ligados à atividade de mineração, a ferramenta permite a celebração de termos de cooperação, inclusive para fins de emissão de pareceres técnicos e definição de metodologias. É possível também orientar tecnicamente membros e servidores do MPMG quanto aos procedimentos para atuar em casos envolvendo empreendimentos ou atividades de mineração; realizar alinhamento entre as empresas de auditoria que prestam serviços no âmbito de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados entre mineradoras e o MPMG, entre outros.

“Com o tempo, aprendi que as barragens não são seguras; elas estão seguras. E agora estamos diante do primeiro centro independente do Brasil. No próximo mês a ferramenta já estará disponível com 100% das informações”, conclui o promotor.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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