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Livro reúne histórias de mulheres e destaca trajetórias de superação

Obra coletiva organizada por Silvana Lages traz 27 coautoras, entre elas Maria Elvira, e propõe reflexões sobre direitos, memória e protagonismo feminino
Livro reúne histórias de mulheres e destaca trajetórias de superação
Aos 75 anos, Maria Elvira planeja lançar sua autobiografia | Foto: Arquivo pessoal

Do Sonho ao Sucesso – Cartas que te Guiam da Semente do Sonho ao Florescer do Sucesso” é uma obra coletiva. A empreendedora cultural Silvana Lages convidou 27 coautoras para contar suas histórias de vida, trabalho e superações, a fim de mostrar a força e a batalha diária de mulheres de todos os perfis pelos seus direitos.

Entre as coautoras, está a ex-deputada e escritora Maria Elvira. De uma família de educadores e sempre bem articulada, percebeu que a política era o caminho ideal para lutar pelos direitos das mulheres. Primeira deputada estadual, junto com Sandra Starling, em 1986, teve a primeira batalha dentro da própria Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que não tinha banheiro feminino até a chegada das duas parlamentares.

“Esse livro foi criado pela Silvana Lages, proprietária da Editora Empreender. Ela convidou diferentes mulheres para falar das suas vivências. Sou a mais velha delas. É um grupo diverso. A ideia é que fossem cartas dirigidas a outras mulheres. Foi uma ideia muito feliz, ficou um trabalho bonito, delicado e com um conteúdo muito bom”, avalia Maria Elvira.

As cartas são guardadas dentro de envelopes floridos, dando uma apresentação única à obra. Já foram realizados lançamentos em São Paulo e em Belo Horizonte. O próximo está marcado para Ouro Preto (região Central), no dia 8 de maio.

“Os lançamentos têm sido muito exitosos e, em Ouro Preto, queremos fazer uma analogia do grupo com as mulheres que atuaram na Inconfidência Mineira. Até muito recentemente, elas não eram reconhecidas pela história como protagonistas. Hoje, já se sabe o quanto foram fundamentais para que a Inconfidência acontecesse. Apesar dos enormes avanços que as mulheres conquistaram, ainda temos uma caminhada longa e árdua pela igualdade, assim como as inconfidentes”, pontua.

Autobiografia e museu marcam nova fase de Maria Elvira

O próximo projeto da jornalista é o lançamento da sua autobiografia. Aos 75 anos, ela também planeja transformar a famosa casa da Pampulha, a Casa dos Anjos, em um museu dedicado à trajetória das mulheres na política mineira.

Sobre o livro, ela confessa “estar atrasada”. A agenda, que segue repleta de compromissos, não permite que ela se dedique com o afinco necessário para selecionar os fatos que devem entrar na obra. Com uma vida intensa em viagens, trabalho e política, acredita que sua maior contribuição à sociedade seja a dedicação à causa feminina durante toda a vida.

Livro do Sonho ao Sucesso
Foto: Divulgação

“Desde muito jovem eu entendi que era preciso me engajar na luta pelos direitos das mulheres. A entrada na política se deu por causa disso, mas, antes, como empresária, eu já fazia esse combate. Fui a primeira mulher diretora na Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas). Ouvi muito ‘agora nossa associação está mais perfumada…’ Estava, mesmo, mas eu era muito mais do que isso. Ali, eu representava a força de trabalho das mulheres. Lá, eu criei o que hoje é o Conselho da Mulher Empreendedora”, relembra.

O museu já tem estatuto, que deve ser lançado no dia 30 de junho, junto com a inauguração de dois anjos esculpidos em pedra sabão pelo artista de Ouro Preto, Fábio Dias. A data escolhida é o aniversário da ex-deputada.

Da coleção de Natal à memória feminina em Minas

Um fato curioso sobre a casa que marcou época na história da Capital foram as exposições da coleção de papais-noéis de Maria Elvira. Tudo começou ainda na adolescência, quando comprou o primeiro item na loja Mesbla, uma das primeiras lojas de departamentos de Belo Horizonte. Com itens comprados e ganhados ao longo da vida, de diferentes partes do mundo, ela enfeitava a casa onde morava. Logo começou a receber visitas, e a coleção, que era particular, virou uma exposição, durante anos, na casa da Pampulha e depois por diferentes endereços na cidade.

Além da vida de Maria Elvira e do espaço dedicado às políticas mineiras, a casa deve contar também um pouco da história do grupo Caminhantes da Estrada Real, coletivo composto por cerca de 80 mulheres, com idades entre 40 e 70 anos, que percorreram a pé, entre 2003 e 2020, os caminhos históricos da Estrada Real.

“Éramos um grupo diverso que começou sem muitas pretensões. Mas logo começamos a fazer barulho, e éramos recebidas com festas nas cidades. Conseguimos apoio de várias empresas e fizemos um belo trabalho de divulgação da Estrada Real. Fomos reconhecidas pelo Estado com diversas medalhas. Precisamos ouvir as mulheres que participaram, elas têm histórias incríveis, que podem ser inspiradoras e merecem ser compartilhadas. Quem sabe não tem aí mais um livro?”, provoca a escritora.

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