Para Ricardo Rocha, ex-Magalu, coerência é a chave do sucesso

Empresário conversou com exclusividade com o DIÁRIO DO COMÉRCIO sobre carreira, liderança, sua trajetória na Magalu, educação corporativa e responsabilidade

10 de fevereiro de 2024 às 5h16

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Crédito: Divulgação/Agência Deadline

De menino criado na fazenda, no interior de Minas, a head de Plataforma Seller na Magalu, entre 2018 e 2023, e hoje dono de um ecossistema das empresas avaliado em cerca de R$ 1 bilhão, Ricardo Rocha aproveitou todas as oportunidades que apareceram e fez da coerência um mantra de vida.

Com dois livros para sair este ano, o empresário acredita que a prosperidade dos negócios está intimamente ligada à prosperidade dos seus colaboradores e leva lições da roça – onde já fazia “delivery” de queijos e ovos – para empreendedores que mentora e ajuda a acelerar os negócios.

Foi de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, cidade que marca sua vida em diferentes períodos, que ele conversou com exclusividade com o DIÁRIO DO COMÉRCIO sobre carreira, liderança, sua trajetória na Magalu, educação corporativa e responsabilidade.

Você é conhecido por não ter medo de empreender e criar empresas. Atualmente, segundo o seu LinkedIn são, pelo menos, sete, as quais você criou e se mantém ativo na gestão. O que os valores da cultura mineira você carrega até hoje? Como a mineiridade aparece nesse seu perfil de empresário agressivo?

Nasci em Belo Horizonte, mas por questões de trabalho do meu pai, vivi parte da infância em uma fazenda no Sul de Minas. É de lá que trago as lições mais preciosas de empreendedorismo. No interior a vida é simples e comunitária. Uma coisa muito comum são os mutirões. Se alguém precisa consertar um telhado, ele paga o almoço e todos se juntam para trabalhar. Para cada necessidade a comunidade se junta. Isso ensina muito sobre poder do trabalho em grupo, liderança, formação de time. Mostra que ninguém é melhor que o outro porque todos podem precisar e todos têm capacidade de ajudar.

Outra lição foi dada pela minha mãe. Vendíamos produtos da fazenda na cidade e para que eu ganhasse o meu próprio dinheirinho, ela deixava que eu vendesse alguns queijos e ovos. Como eu estudava em uma escola na cidade, eu vendia para as mães dos meus colegas. Assim eu criei uma clientela cativa, que comprava mais barato na minha mão e eu não precisava deixar parte do lucro com o dono da venda. Então eu ia pra cidade com as encomendas e entregava de porta em porta com uma bicicleta vermelha. Eu não sabia, mas já fazia delivery.

O tempo passou, você foi morar em Uberlândia e lá começou a trabalhar com tecnologia. Foi nessa época que o empreendedorismo te pegou de vez?

Eu tinha 13 anos quando o meu pai abriu uma consultoria e comprou o nosso primeiro 386. Eu ia para o escritório ficar com ele e comecei a jogar. Logo vi que podia mexer no joguinho. Foi quando comecei a gostar de tecnologia porque tinha como criar. Comecei a aprender com um programador da consultoria e com 15 anos já dava aula de informática. Ainda não tinha um pensamento empreendedor. Tudo que eu queria eram coisas de adolescente e aos 16 fui convidado a desenvolver um programa de computador. Já dava manutenção em redes de papelaria da cidade e comecei a ensinar Power Point para uma escola que tinha informatizado as aulas. Nesse momento eu já sabia que podia viver disso. Em 1997 entrei na faculdade de administração e abri a minha primeira empresa: a Rocha Sistemas.

Mas entre a Rocha Sistemas e se tornar head de Plataforma Seller na Magalu e agora ter um conjunto de empresas avaliadas em R$ 1 bilhão é um longo caminho. Como você chegou à Plataforma Parceiro Magalu?

Na faculdade fui convidado para desenvolver uma solução para a American Express no Brasil e eu consegui fazer em 15 dias. Quando o negócio cresceu, fui buscar conhecimento em liderança e gestão. Eu era muito novo, pouco experiente e com muita energia. A excelência sempre fez parte da minha forma de trabalho, a entrega com qualidade, o atendimento com muita atenção. Entramos no varejo a partir da Lojas Big, que foram compradas pela Ricardo Nunes. Com isso, de 50 lojas, fomos para a Ricardo Eletro, com 200 unidades. Com o tempo fomos fazer a parte do e-commerce. Crescemos com eles e me mudei para São Paulo em 2008. A empresa cresceu e passamos a atender clientes como Submarino, Shoptime, Grupo Pão de Açúcar, por exemplo. E começamos a navegar na cadeia de distribuição, nos voltando para indústrias como Unilever, PepsiCo, Coca-Cola, Red Bull. A partir disso criamos novas empresas, recebemos o primeiro grande aporte – R$ 40 milhões – e em 2018 a Magalu nos procurou para adquirir a Solução Certa, a Softbox e a Kelex. Fui pra dentro da Magalu como celetista – o que não mudou em nada o meu espírito empreendedor. Criamos todo o canal on-line da companhia. Isso foi possível porque construímos um time de excelência. Cheguei mineirinho, sem achar que sabia tudo, criando times com gente mais inteligente do que eu pra trabalhar em alta performance. Criamos o maior programa de digitalização do varejo com o Parceiro Magalu.

Por que o Parceiro Magalu se tornou um case de sucesso mundial? Qual o diferencial da proposta?

O sucesso veio porque o Parceiro Magalu é coerente com o propósito do Magazine Luiza: “levar para todos o que é privilégio de poucos”. Durante o ano de 2019 desenvolvemos a plataforma Parceiro Magalu. Ninguém sabia que ia acontecer uma pandemia. A ideia era lançar a plataforma em ondas e alcançar 500 empresas até o fim de 2020. Mas tudo mudou e o lançamento foi feito dia 31 de março, só naquele dia foram 10 mil cadastrados. Estávamos prontos para aproveitar a oportunidade. Parece genialidade, mas é coerência. E para que algo assim aconteça, é preciso ter paciência. A gente vive em um mundo ansioso, que não espera por nada. Na roça aprendi o tempo dos ciclos da natureza. É mais sensibilidade do que genialidade.

Você vai transformar essa história em livro?

Essa é uma possibilidade, mas não tem nada sendo preparado por enquanto. Este ano pretendo lançar dois livros. O primeiro já está pronto e se chama “Adaptagilidade”. O segundo é sobre alta performance para micro e pequenos empreendedores, “A Bíblia da Alta Performance Empresarial”.

Hoje, no seu LinkedIn você aparece como fundador e no comando de sete diferentes empresas. Como dá conta de tanta coisa?

Agora são sete empresas que estou tocando e acelerando. Entre elas, a Blips, que já tem cinco anos e faturou R$ 85 milhões no ano passado. Para 2024 a estimativa é passar de R$ 200 milhões. A Topway trabalha a nutrição. Falta ao empreendedor compreender a importância da saúde física e mental dele para o bem dos negócios. O meu propósito é impulsionar pessoas e negócios e, para isso, preciso cuidar delas. E a mais recente é a Zuper, de educação empreendedora. É uma metodologia raiz de alta performance. Vejo muitos projetos de educação empreendedora que não têm contato com os pequenos negócios. São como uma caixa com 300 ferramentas, mas que o pequeno empreendedor só usa 10. O propósito não é vender curso. O nosso maior indicador é o quanto de lucro os nossos clientes agregaram. A abundância dá liberdade, transforma a realidade das pessoas e do mundo. Por isso estou empolgado com a Zuper. A educação é o grande impulsionador da economia. Existe muito empreendedor de palco tirando recursos dos pequenos negócios. Quero promover uma educação empreendedora que seja direta e útil. A educação passou a ser uma responsabilidade das empresas e das lideranças. O orçamento tem que ter linhas de treinamento em todas as áreas. Faz parte do programa de liderança a agenda formar pessoas, tanto na capacitação técnica como nas habilidades de liderança e gestão. Atualmente, em torno de 60% da minha agenda executiva é dedicada às pessoas.

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