Sebrae diz que 50% dos pequenos negócios de Minas Gerais vão investir para crescer em 2026
Os empreendedores de Minas Gerais estão “arregaçando as mangas” para que o ano de 2026 seja frutífero. Segundo levantamento do Sebrae Minas, metade dos pequenos negócios mineiros pretendem investir em suas empresas este ano, seja por necessidade, seja pelo desejo de expansão.
O levantamento revela que 50% dos empreendedores planejam expandir, inovar ou aprimorar suas atividades neste ano, mantendo o nível de investimento observado em 2025, quando 56% já haviam realizado algum tipo de aporte. A intenção é maior entre micro e pequenas empresas (52%).
Os dados mostram que o principal foco é a inovação e a diversificação de produtos e/ou serviços. Do total de empreendedores entrevistados, 34% visam priorizar novos produtos e serviços, seguidos por ações na área comercial e de marketing (25%) e em tecnologia (15%). Do total, 14% pretendem iniciar as ações no primeiro trimestre e 22% no segundo trimestre.
Continuidade
O ânimo detectado pelo Sebrae nos empreendedores em 2026 é muito próximo ao do ano passado, o que demonstra que há mais do que motivação pessoal para crescer. Os donos de negócio aparentam ter organização e método para conduzir suas empresas.
A analista do Sebrae Minas, Izabella Diniz, afirma que os números semelhantes são um sinal de solidez no propósito do empreendedor de buscar crescimento e melhoria. “O resultado deste ano está muito próximo do observado na edição anterior da pesquisa. No início de 2025, cerca de 53% dos pequenos negócios indicavam a intenção de realizar investimentos ao longo do ano e, em 2026, o percentual foi de 50%. Esse resultado indica continuidade do movimento de investimento, mantendo-se em nível semelhante ao observado na edição anterior”, comenta.
Mais recursos financeiros
O ímpeto dos pequenos negócios não fica só no discurso. Cerca de 26% dos empreendedores afirmam que vão aportar mais recursos em 2026 do que no ano anterior, sinalizando expectativa de crescimento e fortalecimento dos negócios. A maior parte dos empresários pretende utilizar recursos próprios.
Ainda segundo a pesquisa do Sebrae, 37% das pequenas empresas afirmaram que vão financiar os investimentos com capital próprio, enquanto 14% devem recorrer a linhas públicas de financiamento e 12% a crédito bancário — refletindo o impacto das condições mais restritivas de crédito.
Para o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, os dados reforçam que os pequenos negócios seguem desempenhando papel estratégico na economia mineira. “Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, os pequenos negócios demonstram capacidade de adaptação e visão de futuro ao priorizar investimentos em inovação, novos produtos e melhorias. Esse movimento fortalece as empresas e contribui diretamente para a geração de emprego, renda e desenvolvimento”, afirma.
Desafios e oportunidades
Como não basta só ter força de vontade para empreender, o pequeno empresário mineiro terá de ficar atento aos desafios que virão pela frente para que seus negócios prosperem e tenham um 2026 lucrativo. O maior gargalo é obter crédito que ajude a evoluir sem que o caixa e a capacidade de arcar com os custos do empreendimento sejam afetados.
“Um dos principais desafios é o custo do crédito, devido aos juros elevados. Isso desestimula a busca por crédito bancário, conforme mostra a pesquisa. É nesse contexto que os empreendedores planejam financiar seus investimentos principalmente com recursos próprios, evitando maior exposição ao endividamento”, explica a analista do Sebrae, Izabella Diniz.
Todavia, a pesquisa também revela oportunidades para o empreendedor. Muitos empresários consultados no levantamento afirmam que pretendem investir motivados pela necessidade de inovar no próprio negócio, atender ao aumento da demanda dos clientes e explorar novos mercados. Isso pode indicar que, além de buscar ganhos de eficiência, os pequenos negócios estão atentos às transformações do mercado e às novas oportunidades de crescimento.
“Outro ponto que deve influenciar as decisões dos empresários é a necessidade de equilibrar investimentos com a manutenção da saúde financeira da empresa e do capital de giro, especialmente entre os negócios menores, que costumam ter margens mais apertadas”, completa a analista.
Onde vão investir
Os investimentos previstos para 2026, segundo o estudo do Sebrae, concentram-se principalmente em produtos e serviços, com foco na inovação, na diversificação e no atendimento à demanda crescente. Na sequência, aparecem investimentos na área comercial e de marketing, visando ampliar a presença no mercado, fortalecer o relacionamento com clientes e competir com a concorrência.
Outro destaque são os investimentos em tecnologia, que incluem a adoção de ferramentas digitais e a aquisição de equipamentos e softwares. Esse tipo de investimento tende a contribuir para ganhos de produtividade, maior eficiência operacional e melhor gestão do negócio.
“Esses movimentos mostram que os pequenos negócios estão priorizando investimentos que contribuam para aumentar a competitividade, melhorar a gestão e ampliar sua capacidade de adaptação às mudanças do mercado”, conclui a analista do Sebrae, Izabella Diniz.
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