Negócios

Mais de 60% dos pequenos negócios ainda misturam finanças pessoais e empresariais, aponta Sebrae

Prática chega a 61% dos pequenos empreendimentos no País, conforme levantamento do Sebrae Nacional
Mais de 60% dos pequenos negócios ainda misturam finanças pessoais e empresariais, aponta Sebrae
Separação entre finanças pessoais e empresariais ainda é um desafio, segundo a pesquisa “Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios” | Foto: Reprodução Freepik

A pesquisa “Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios”, do Sebrae, mostrou que mais de 60% dos pequenos negócios ainda têm a prática de pagar despesas da empresa com a conta pessoal, o que mostra uma forte informalidade dos donos desse tipo de empreendimento no controle financeiro da empresa.

O percentual de quem afirma fazer pagamentos empresariais com conta pessoal manteve-se praticamente inalterado entre 2023 (60%) e 2025 (61%). Apesar dos avanços em ferramentas financeiras voltadas para pequenos negócios, a separação entre finanças pessoais e empresariais ainda é um desafio para esse perfil de negócio.

“Nós não recomendamos esse procedimento. O ideal é que haja uma separação da conta pessoal da conta do negócio para que todas as receitas e despesas do negócio possam ser contabilizadas sem serem contaminadas por movimentos de ordem pessoal”, observa o presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima.
“Como reverter esse quadro? Esse é um aspecto bastante peculiar da cultura brasileira, que precisa ser transformado com o tempo. É preciso que o brasileiro se adeque, buscando fazer um processo de separação. É um aprendizado”, completa.

Quanto maior for o porte da empresa, menor a incidência de uso de conta pessoal para pagar despesas empresariais. Isso sugere que a formalização cresce com o tamanho, refletindo melhor estrutura contábil e separação financeira mais clara nas médias empresas. O setor da construção civil/indústria é o mais propenso a misturar finanças pessoais e empresariais (64%), seguido de serviços (62%) e comércio (57%).
Nordeste (67%) e Norte (64%) concentram os maiores índices de uso da conta pessoal para pagar despesas da empresa, enquanto a região Sul (56%) e os estados de Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná aparecem mais resistentes a esse comportamento.

Ainda segundo o estudo, cinco em cada 10 donos de pequenos negócios possuem um controle ainda precário dessa gestão. Apenas 30% realizam o controle das empresas em planilhas de computador, 25% utilizam anotações de caderno e 10% confessam não ter qualquer forma de gestão.

O controle financeiro varia pelo País: Sudeste e Sul lideram no uso de planilhas (33%), com destaque para São Paulo (39%) e Santa Catarina (35%). O Norte e o Nordeste concentram mais anotações em caderno, puxado por Piauí (43%), Pará (40%), Acre (37%), Sergipe e Mato Grosso do Sul (ambos com 36%).
O maior uso de aplicativos digitais aparece em Santa Catarina (25%), enquanto Minas e Paraíba (ambos com 18%) se destacam por deixar a tarefa ao contador. A ausência de controle é mais comum especialmente no Mato Grosso (18%).

Décio Lima diz que o empreendedor pode contar com o apoio do Sebrae para aperfeiçoar a gestão, citando o exemplo das capacitações gratuitas que são disponibilizadas pela instituição. “No portal do Sebrae, existem cursos on-line gratuitos disponíveis para lidar com esse e outros desafios do empreendedor brasileiro. Todos são cursos rápidos, de quatro a 10 horas cada um, que permitem uma alavancagem do conhecimento do pequeno empreendedor”, afirma.

Formas de controle financeiro do negócio

• Planilha no computador: 30%
• Anotações no caderno: 25%
• Aplicativo ou sistema digital: 20%
• Deixa o contador cuidar disso: 13%
• Não há esse controle: 10%
• Não sabe / Não respondeu: 3%
Fonte: Pesquisa “Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios” – Sebrae

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