Startups movimentam R$ 13 bilhões em 2025, com queda de 16% no País
Mesmo em um ano de ajuste no capital de risco, Minas Gerais apresentou desempenho acima da média nacional. Enquanto o Brasil registrou queda de 16% nos aportes a startups em 2025, totalizando R$ 13 bilhões em 407 transações, o Estado recuou 10%, com investimentos de R$ 955,22 milhões, frente a R$ 1,067 bilhão em 2024. Os dados são do estudo “Ecossistema 2025”, da Liga Ventures.
De acordo com o cofundador da Liga Ventures, Daniel Grossi, apesar de terem registrado uma queda expressiva, os resultados não alarmaram o mercado, visto que 2024 foi um ano positivamente atípico.
“2024 surpreendeu em volume de investimentos nas startups. Em 2025, tivemos um rearranjo do sistema por questões macroeconômicas e um certo grau de incerteza alto na economia. E, ao mesmo tempo, uma ascensão muito rápida da IA generativa, o que reconfigurou o modelo. 2025 não foi incrível, mas não foi ruim. Foi um movimento de consolidação do mercado com fusões e aquisições”, explica Grossi.

Com relação às categorias que mais captaram em 2025, as fintechs ficaram em primeiro lugar (40%), seguidas pelas retailtechs (11,7%), healthtechs (9,7%), agtechs (6,2%) e construtechs (5,5%).
Já em Minas, as categorias que mais captaram foram fintechs (46%), mobitechs (26%), salestechs (22%), foodtechs (10%) e agtechs (10%).
Apenas três empresas concentraram 54% do volume de investimentos realizados no Estado: a Onfly (traveltech), com R$ 240 milhões; a Kanastra (fintech), com R$ 170 milhões; e a NeoSpace AI (modelos de GenAI), com R$ 105,7 milhões.
Entre as campeãs, o segundo e o terceiro lugares são de empresas sediadas em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, simbolizando bem o discreto e constante crescimento dos polos de inovação fora das capitais.
“Neste mercado, é muito comum um número reduzido de operações puxar um grande volume de investimentos, e foi o que aconteceu em Minas. Sobre o interior, claro que, se comparamos com as capitais, os investimentos em startups são muito díspares. Os ecossistemas de inovação exigem muito relacionamento, mas estamos vendo o crescimento de polos especialistas como Uberlândia e Ribeirão Preto (SP), por exemplo”, pontua o cofundador da Liga Ventures.
O terceiro trimestre se destacou como o intervalo com maior quantia em aportes (R$ 5,2 bilhões) no Brasil, enquanto o primeiro registrou o menor valor no ano (R$ 2,3 bilhões). Já com relação aos M&As ocorridos no período, o levantamento aponta que houve 229, 54,7% a mais do que em 2024.
O estudo aponta, ainda, que as verticais com mais startups ativas no ano foram fintechs (919), agtechs (847), healthtechs (622), retailtechs (513), foodtechs (499), edtechs (467) e martechs (463).
Em relação ao total de startups fundadas entre 2021 e 2026, em primeiro lugar, temos as fintechs (9,4%), seguidas pelas agtechs (7,6%), healthtechs (6,8%), retailtechs (5,9%) e martechs (5%).
ECOSSISTEMA 2025 EM NÚMEROS
Brasil
- 407 transações realizadas
- R$ 13 bilhões investidos
- Queda de 16% em relação a 2024
- 229 operações de M&A, alta de 54,7%
Minas Gerais
- R$ 955,22 milhões investidos
- Recuo de 10% frente a 2024
- 54% do volume concentrado em três empresas
Setores que mais captaram no Brasil
- Fintechs: 40%
- Retailtechs: 11,7%
- Healthtechs: 9,7%
Setores que mais captaram em Minas
- Fintechs: 46%
- Mobitechs: 26%
- Salestechs: 22%
Após aporte de R$ 240 milhões, Onfly acelera crescimento no Brasil e no México
Mesmo em um ano de retração nos aportes a startups no Brasil, a mineira Onfly foi na contramão. A plataforma de gestão de viagens corporativas fechou 2025 como a empresa que mais captou recursos em Minas Gerais, com rodada de R$ 240 milhões, e elevou seu volume bruto transacionado (GMV) para cerca de R$ 1,5 bilhão, alta de 80% em relação a 2024.
O desempenho consolida a companhia como um dos principais cases de escala do Estado e sustenta o plano de expansão no Brasil e no México. Além disso, a Onfly inaugurou no ano passado sua sede própria, concentrando os colaboradores que antes estavam distribuídos por três escritórios na Capital.
Segundo o fundador e CEO da Onfly, Marcelo Linhares, o investimento de R$ 240 milhões (Série B) foi liderado pelo fundo de venture capital do Vale do Silício, Tidemark. Este foi o primeiro investimento do fundo comandado por Dave Yuan, investidor conhecido por apostas no Nubank e Meta, na América Latina.

“Essa é uma demonstração de otimismo dos investidores com o Brasil. E, acima de tudo, otimismo com o time, com a companhia e com o mercado que está passando por uma disrupção, saindo de uma mecânica mais off-line, manual, para uma mais digital e automatizada. Isso é super desafiador, é um fundo novo, primeiro investimento dele no Brasil, então a gente tem que eventualmente explicar algumas coisas, mas o primeiro ano foi bem positivo. Para 2026, a expectativa é ampliar o market share no Brasil e seguir na consolidação da unidade mexicana, hoje com cerca de 70 clientes.
“Em 2026, a meta é continuar crescendo. Estamos com uma sede nova em Belo Horizonte e só no time de engenharia temos aqui 220 pessoas. São muitas iniciativas em inteligência artificial, conectividade e automatização. A gente acha que consegue, este ano, colocar mil novas empresas como clientes e que fecharemos o México com mais ou menos 300 empresas”, anuncia Linhares.
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