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As bombas caem, os sinos dobram: a guerra no Oriente Médio

Novo e insano conflito coloca a humanidade em estado de choque
As bombas caem, os sinos dobram: a guerra no Oriente Médio
Foto: Stringer / Reuters

“Não à guerra! Não se pode fazer ‘roleta russa’ com as vidas das pessoas.” (Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha)

Não temos ainda como saber se os renomados cientistas atômicos responsáveis pelo monitoramento do “Relógio do Juízo Final” já cuidaram de atualizar os ponteiros diante do recrudescimento da ferocidade bélica projetada nas manchetes. Estacionados, em janeiro, nos 85 segundos para a meia-noite — hora do soar das trombetas fatídicas —, os ponteiros estão prestes a serem movidos, outra vez.

A cadeia de vulcões conhecida por Oriente Médio entrou de novo em erupção, despejando lavas de temor mundo afora. Os Estados Unidos e o Estado de Israel desfecharam ofensiva fulminante contra o Irã dos aiatolás. Justificaram o ato beligerante como uma tentativa de destruir por completo instalações voltadas para a produção de armas nucleares mantidas pelo país agredido.

As alegações deixaram os observadores políticos, para dizer o mínimo, bastante surpresos. Primeiramente, por conta da declaração oficial dada por Trump, no último semestre do ano passado, assegurando que um ataque devastador de aviões estadunidenses e israelenses ao território iraniano havia obliterado por completo o complexo industrial de enriquecimento de urânio daquela nação. À declaração, aduziu-se a revelação de que o país encontrava-se, a partir do bombardeio, desprovido das mínimas condições de produzir, em prazo previsível, qualquer artefato de destruição em massa. Em segundo lugar, devido ao fato, amplamente propagado, de que EUA e Irã estavam mantendo conversações mediadas pelo Sultanato de Omã, visando estabelecer um acordo para o uso pacífico da tecnologia nuclear. Para o próprio dia em que foram desencadeadas as ações bélicas, estava previsto um novo encontro entre as partes, com a participação dos mediadores. Estes, por seu turno, anunciavam promissores avanços nos entendimentos justamente quando as bombas começaram a ser lançadas sobre Teerã e outras cidades.

Este novo e insano conflito coloca a humanidade em estado de choque. Os ataques aéreos vêm causando muita destruição e muitas vítimas fatais, incluindo o líder espiritual iraniano Ali Khamenei e, provavelmente, outros colaboradores bem próximos. O revide iraniano alcançou territórios de Israel e de outros países da região onde se acham localizadas bases militares estadunidenses. No Líbano, o Hezbollah abriu fogo contra Tel Aviv e outras cidades. Em reação, Israel voltou a atacar o Líbano. O Estreito de Ormuz está fechado à circulação de navios petroleiros.

Os apelos da ONU, do Vaticano e de numerosos países no sentido do cessar-fogo e da abertura de conversações entre os contendores esboroam-se na glacial e desumana indiferença dos “Senhores da Guerra”. Os ponteiros do relógio avançam, a diplomacia retrocede, os sinos dobram.

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